ORIGEM DO VODUN SAKPATÁ
A origem deste vodun no Benim, se perde um pouco devido a um pertencimento ilusório de alguns informantes e sacerdotes locais. Em um ato de legitimação, criam histórias de uma origem local ou confundindo a origem real com fatos embutidos para ainda sim não assumirem certas informações. O problema disto é que com o tempo, cada omissão e criação acaba se tornando uma verdade mentirosa aos seus descendentes.
A presença de Sakpatá no reino do Danxonme é anterior à chegada de Fá (Ifá), este que foi introduzido no início do rei Agaja em 1715 pelo Babalawo Adẹbẹọlo, vindo de Ifẹ́ (Yorubalândia). No entanto, o culto a Sakpata já estava presente entre os Igbo no reino de Idăca (Idasha), na região de Collinas, pelo menos desde o final do séc. XVII. O culto foi instalado lá durante o movimento migratório dos Ọmọ Jagun da etnia Egba, vindos de uma vila de Abeokuta, sob o comando um caçador chamado Ase, dirigindo a comitiva do príncipe Olofin e toda sua família que tinha perdido o reino. Após um longo período na cidade de Ketu, eles se estabeleceram entre as 41 colinas de Dasa Zunmɛ, onde fundaram a vila Ɛgba Kɔ Ku (Ẹgba não está morto) em memória de sua terra natal. Então, esses Ọmọ Jagun continuaram viagem, assim chegando no atual Togo nas cidades de Atakpamɛ e Alejo. Eles saíram da Yorubalândia sem seus Orisa, entre eles eram: Ogun, Ibeji, uma classe de Orisa defeituosos e Sapannan que, após a instalação em Dasa Zunmɛ, passaram a ser chamados de Gu ou Ogu, Xoxo, Tɔxɔsu e Sakpata. Assim começaram as iniciações a Sakpata em Dasa Zunmɛ.
No início do séc.XVIII, muitos adeptos de Sakpata foram capturados pelas tropas do rei Akaba, por volta de 1702. Foram levados ao palácio real e foram obrigados a se curvarem ao rei, mas, em uma atitude inusitada, eles se recusaram a se curvar. Um deles que era sacerdote, explicou que só poderiam se curvar ao Mestre da Terra, que só Sakpata merecia tal honra e que tal ato poderia invocar a divindade. Akaba, prontamente, ameaçou-os de decapitação, eles aceitaram se curvarem, porém avisaram que tal ato poderia trazer desgraça ao rei e ao reino. Alguns meses após isto, coincidentemente ou não, uma epidemia arrasou a capital, levando a um problema de comida para o povo e enfraquecendo a moral do povo, além disto, as tropas. Akaba agora tinha uma revolta interna que chamaria atenção de seus inimigos. Em 1708, o rei Akaba morre na linha de frente de suas tropas em Lisɛzun, em um confronto para defender a capital dos Wemɛnu. Na hora da preparação de seu corpo para os ritos funerários, os sacerdotes perceberam que o rei estava tomado de pústulas de varíola (Axɔsukpa). Assim, um boato ganhou muita força sobre que o rei havia morrido de varíola do misterioso e poderoso Vodun dos Idăca (Idasha). Visto as feridas no corpo do rei, enviados reais foram no templo de Sakpata, no país dos Idaaca (Idasha), para saber quais rituais e providências deveriam ser tomadas para o enterro do rei Akaba. Mas isto tudo seria feito em segredo porque quase ninguém sabia da morte do rei e menos ainda da causa de morte. Então foi quando Tasi Hangbe, irmã gêmea de Akaba, foi escolhida para assumir o comando do fronte quando os Wemɛnu (moradores do rio Wemɛ). Após a guerra, Tasi Hangbe assumiu o trono por 3 anos como rainha-regente. Foi durante sua regência que ela trouxe e instalou o culto de Sakpata no Abomey (Glɛnxwe) pelas mãos de Micayi, filho do sacerdote do país Idăca que o Sakpata foi instalado na capital do reino. Assim começou a propagação e fama do Vodun Sakpata que saiu de Dasa Zunmɛ para a capital, ganhando o centro e sul no atual Benim, como em toda região costeira do atual Benim. A sua aceitação no Abomey nunca foi fácil já que não era um Vodun de origem Aja, ou seja, de origem real. Pelos títulos que Sakpata carregava, como: Ayinɔ (Senhor da terra), Ɖɔkunɔ (Possuidor e distribuidor das riquezas da terra) Jɛxɔsu (Rei das pérolas) e ainda era exigido que as pessoas se curvassem a ele, um grande questionamento sobre poder foi posto em debate na corte, um deles era que Sakpata, um vodun estrangeiro, não poderia ser maior que um rei local.
Tradução e adaptação: Zòdăví (Raphael Mesquita de Oliveira)
CEV - Centro de Estudos Vodun
Fávodúnhwɛ̌ɖo - Comunidade religiosa da tradição dos voduns de Fá.
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