sábado, 23 de maio de 2026

sapatão origem

ORIGEM DO VODUN SAKPATÁ 

A origem deste vodun no Benim, se perde um pouco devido a um pertencimento ilusório de alguns informantes e sacerdotes locais. Em um ato de legitimação, criam histórias de uma origem local ou confundindo a origem real com fatos embutidos para ainda sim não assumirem certas informações. O problema disto é que com o tempo, cada omissão e criação acaba se tornando uma verdade mentirosa aos seus descendentes.

A presença de Sakpatá no reino do Danxonme é anterior à chegada de Fá (Ifá), este que foi introduzido no início do rei Agaja em 1715 pelo Babalawo Adẹbẹọlo, vindo de Ifẹ́ (Yorubalândia). No entanto, o culto a Sakpata já estava presente entre os Igbo no reino de Idăca (Idasha), na região de Collinas, pelo menos desde o final do séc. XVII. O culto foi instalado lá durante o movimento migratório dos Ọmọ Jagun da etnia Egba, vindos de uma vila de Abeokuta, sob o comando um caçador chamado Ase, dirigindo a comitiva do príncipe Olofin e toda sua família que tinha perdido o reino. Após um longo período na cidade de Ketu, eles se estabeleceram entre as 41 colinas de Dasa Zunmɛ, onde fundaram a vila Ɛgba Kɔ Ku (Ẹgba não está morto) em memória de sua terra natal. Então, esses Ọmọ Jagun continuaram viagem, assim chegando no atual Togo nas cidades de Atakpamɛ e Alejo. Eles saíram da Yorubalândia sem seus Orisa, entre eles eram: Ogun, Ibeji, uma classe de Orisa defeituosos e Sapannan que, após a instalação em Dasa Zunmɛ, passaram a ser chamados de Gu ou Ogu, Xoxo, Tɔxɔsu e Sakpata. Assim começaram as iniciações a Sakpata em Dasa Zunmɛ.
No início do séc.XVIII, muitos adeptos de Sakpata foram capturados pelas tropas do rei Akaba, por volta de 1702. Foram levados ao palácio real e foram obrigados a se curvarem ao rei, mas, em uma atitude inusitada, eles se recusaram a se curvar. Um deles que era sacerdote, explicou que só poderiam se curvar ao Mestre da Terra, que só Sakpata merecia tal honra e que tal ato poderia invocar a divindade. Akaba, prontamente, ameaçou-os de decapitação, eles aceitaram se curvarem, porém avisaram que tal ato poderia trazer desgraça ao rei e ao reino. Alguns meses após isto, coincidentemente ou não, uma epidemia arrasou a capital, levando a um problema de comida para o povo e enfraquecendo a moral do povo, além disto, as tropas. Akaba agora tinha uma revolta interna que chamaria atenção de seus inimigos. Em 1708, o rei Akaba morre na linha de frente de suas tropas em Lisɛzun, em um confronto para defender a capital dos Wemɛnu. Na hora da preparação de seu corpo para os ritos funerários, os sacerdotes perceberam que o rei estava tomado de pústulas de varíola (Axɔsukpa). Assim, um boato ganhou muita força sobre que o rei havia morrido de varíola do misterioso e poderoso Vodun dos Idăca (Idasha). Visto as feridas no corpo do rei, enviados reais foram no templo de Sakpata, no país dos Idaaca (Idasha), para saber quais rituais e providências deveriam ser tomadas para o enterro do rei Akaba. Mas isto tudo seria feito em segredo porque quase ninguém sabia da morte do rei e menos ainda da causa de morte. Então foi quando Tasi Hangbe, irmã gêmea de Akaba, foi escolhida para assumir o comando do fronte quando os Wemɛnu (moradores do rio Wemɛ). Após a guerra, Tasi Hangbe assumiu o trono por 3 anos como rainha-regente. Foi durante sua regência que ela trouxe e instalou o culto de Sakpata no Abomey (Glɛnxwe) pelas mãos de Micayi, filho do sacerdote do país Idăca que o Sakpata foi instalado na capital do reino. Assim começou a propagação e fama do Vodun Sakpata que saiu de Dasa Zunmɛ para a capital, ganhando o centro e sul no atual Benim, como em toda região costeira do atual Benim. A sua aceitação no Abomey nunca foi fácil já que não era um Vodun de origem Aja, ou seja, de origem real. Pelos títulos que Sakpata carregava, como: Ayinɔ (Senhor da terra), Ɖɔkunɔ (Possuidor e distribuidor das riquezas da terra) Jɛxɔsu (Rei das pérolas) e ainda era exigido que as pessoas se curvassem a ele, um grande questionamento sobre poder foi posto em debate na corte, um deles era que Sakpata, um vodun estrangeiro, não poderia ser maior que um rei local.

Tradução e adaptação: Zòdăví (Raphael Mesquita de Oliveira)

CEV - Centro de Estudos Vodun

Fávodúnhwɛ̌ɖo - Comunidade religiosa da tradição dos voduns de Fá.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

malícia

A Magia do Apejé (folha do esquecimento) também chamada de dormideira, sensitiva, malícia, maria-fecha-a-porta, etc...

Erva atribuída a Exu, Oyá, Iyewá e Oxun, a depender do nome com que se invoca e a finalidade do trabalho

Usada para amor, para vencer demandas, provocar transe mediúnico ou esquecer uma pessoa.

Aqui vai uma de suas utilidades:

Para esquecer uma pessoa:

Material:

Uma cuia de cabaça, ou de cuieiro um um alguidar de barro.
Bastante folhas de sentiva, somente as folhas. Ter cuidado que ela possui muitos espinhos
Água de rio, ou de poço ou, em último caso, água mineral
17 vezes o nome da pessoa em tiras de papel

Tome um banho de sabão de côco 
Se vista de roupa clara
Acenda uma vela para seu anjo de guarda, num lugar alto e com um copo d’água ao lado
Se sente no chão 
Peça a ajuda de Oyá 
Vá amassando a folha na água com 17 tiras de papel com o nome de quem você quer esquecer

Recite o seguinte

Fulano
O vento te trouxe
O vento te leva
O vento te leva para as águas do mar
Onde as sete pancadas da ventania,
As sete pancadas das ondas
As sete badaladas das sete horas
Estão a fazer teu juízo tremer
E você de Fulano esquecer
O vento se foi
Ficou a calmaria
Pai Nosso 
Ave Maria 
Não lembro da minha agonia

Salve Iyansã
Salve os mistérios do mar
Toma lá, não trás cá 

Amém 

(*) fora a pessoa que está querendo esquecer, ou que alguém a esqueça, só quem pode fazer esse trabalho por ela é a mãe. Não compre carma alheio.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Agué

Da página, Ìkóòdídé

Agué é o vòdún relacionado as matas e a tudo que nela existe. É assimilado ao orixá Ossaim dos yorubás porém, ao contrário dessa divindade, Agué está ligado ao nosso cotidiano, sendo um vòdún responsável pela alimentação, caça e cultivo das plantas. O correto ao comparar Águé com algum orixá seria, dizer que Agué une o poder de Ossaim com a responsabilidade de Oxóssi. Ele é responsável pela fauna e flora e, é cultuado após Gun (Ogun) nos dias de festa. Agué é o senhor de todas as folhas, estando atribuído a ele, o domínio das mesmas e seu cultivo, desde o arar da terra, o adubo e o plantio. Usa Arco e flecha assim como Oxóssi dos yorubas, sendo um grande caçador e, dentro da cultura jeje, o responsável pelo alimento de cada dia. Todas as sementes, folhas, caules, raízes, flores, etc, pretencem a Agué, sendo ele o guardião de toda a flora. Tem domínio também sobre todos os animais da floresta, aqueles que vivem e se alimentam na mesma, sendo responsável pela proteção desses animais, combatendo a caça ilegal e quem os maltrata juntamente com Àgàngà Òtòlú. É filho de Nanã e, com ela aprendeu o domínio sobre os mortos, tendo muita ligação com íkú e seus mistérios. Conhecedor de alta magia, Agué não teme íkú nem as terríveis íyámí òsóròngá, possuindo extremos laços com ambas energias. Águé ensinou para todos os seres humanos como cultivar as plantas e principalmente como utilizar as ervas medicinais. Para os mais velhos, Agué é o único vòdún que realmente é cultuado dentro do templo, sendo os demais cultuados em átínsás – as árvores sagradas. Não se inicia ninguém sem a interceção de Águé. Todas as ervas são de seu domínio mas, em particular, o Pèlègún simboliza a força desse vòdún, usando-o para controlar ou afastar os ègúns, sendo este um de seus mais preciosos átínsás. Pertence a família da terra e com certeza é o vòdún que melhor representa o poder de Àíkúgúmàn (terra), deixando bem claro a importancia da terra para a existência de todo ser vivo. Águé é a liturgia, a ancestralidade, a sabedoria, a herança e a hierarquia. É responsável pelo passar da cultura de pais para filhos, mantendo bem viva as lendas e o culto dos vòdúns, como toda tradição africana em geral. Muito coligado à seu irmão Íròkò ou Lòkò e a Sákpátá. Seu dia da semana é a terça ou quinta-feira, sua cor o branco mesclado com o verde e também o amarelo, seu elemento a terra e o ar e sua saudação Áhò gbò gbòy Águé ou Águé beno beno.

Djeje Mahin
🍂🌿

sexta-feira, 27 de junho de 2025

porões da jurema

Desci aos porões

Todo consagrado desce aos porões 
Não por ser ruim
Não porque pecou
Não porque fez o mal
Porão não é umbral 
Nem inferno
Tão pouco purgatório 
Porão é um lugar onde se deixa o mundo de cá, para entrar, de vez no mundo de lá 
O povo diz: desse mundo não se leva nada
Se leva sim
Leva as mágoas 
As dores
As ilusões 
As decepções
As saudades
Os apegos 
Os saberes deste mundo de cá 
Quanto tempo se fica no Porão?
Depende
As vezes é difícil deixar cair o passado
No Porão tem Mestre bom pra ajudar 
Eles sugam o que você não vai precisar na nova vida
O próprio Porão suga
Mesmo àqueles que se identificam com o Porão, passam por isso 
Uma hora ele se liberta do mundo de cá 
Ele sobe num suspiro
Ele ganha as permissões 
Daí 
Se o Porão for sua preferência, nos invisíveis 
Ele desce para ele 
Ele vai trabalhar na pesada esquerda
Ele vai cantarolar 

Esquerda pesada 
Tu és tão profunda
Eu só gosto da esquerda 
Porque abala o mundo

*Em memória de todos os mais velhos, pessoas simples, humildes, mas ricas de saberes e Ciência 

Marcelo

Salve Boi Tungão, esquerda da minha família

sexta-feira, 2 de maio de 2025

excelencias

https://www.uern.br/controledepaginas/tesesDefendidasem2022/arquivos/6992tese_ana_maria_de_amorim_viana.pdf

sábado, 19 de abril de 2025

ressurreição

Aleluia

Louvado seja Deus
Eis o significado
É a esperança da ressurreição 
No dia que virá, a Páscoa 
Afora as tradições rituais religiosas
Repetidas ano a ano
Louvemos a Deus
No mais Franciscano entendimento
Buscando a paz 
Exercitando amor
Praticando perdão
União pelo respeito
Fé nos dias de tormenta
Façamos nossa parte
Se o exemplo não funciona
Tão pouco a palavra fará
Só haverá a ressurreição legítima 
Quando a Páscoa vier da alma

Donc (Marcelo Galvão)

Sábado de Aleluia, 19 de abril de 2025

sexta-feira, 18 de abril de 2025

todos os dias Cristo é crucificado.

Todos os dias Cristo é crucificado 

Não choro por Cristo
Ele cumpriu sua determinação 
Ele se fez verdade transformando palavras em atos
Ele deu significado à vida ensinando perdão, amor, bondade e justiça 
Ele pagou o preço por não se corromper
Ele foi torturado e morto por andar com gente de má fé 
Choro pelos iludidos que acham que enganam a própria consciência, vivendo uma espiritualidade hipócrita, preconceituosa, interesseira, covarde, vil e adornada de enfeites desnecessários à fé. 
Choro pelos Júlios caluniados, pelas Bernardes difamadas, pelas Marieles assassinadas, pelas Dandaras espancadas até a morte. 
Choro pelas balas perdidas que acham crianças negras periféricas.
Choro por 2.025 anos de tanta gente que em nome de Cristo, propaga toda má sorte de violência e morte 

Até quando?

Sexta-feira santa, Paixão de Cristo. 18 de abril de 2025.

Donc (Marcelo Galvão)