sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Èlá quem e essa divindade?

ÈLA o que é ou quem é ÈLA 

 

É o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem.

ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. 

 A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Ioruba. 

Em função disso ÈLA não foi definido. 

Na tradição oral existem muitos que dizem que ele "é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles” ou que " é o seu empregado de confiança".

Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes.

ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. 

ÈLA é chamado de "AQUELE QUE MANTÉM O MUNDO ACERTADO". 

Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. 

Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE. 

ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN - “ÈLA é o preferido de OSIN" .

OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE. 

ORUNMILA desceu à terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. 

Uma história do ODU ODI IWORI:

ÈLA IWÒRI NI KÌ JÉKI AIYÉ RA 'JÚ;NIGBATI AIYÉ OBA-'LUFE DARÚ, 

ÈLA IWÒRÌ L' O BÁ A TÚN AIYÉ RÈ SE; NIGBÀTI AWON O-DÀ-'LÈ ÌLÚ 

AKILÀ BA AIYÉ ÌLU WON JÉ, ÈLA IWÒRI L' O BA WON TÚN U SE; 

NIGBATI ÒSÁN D' ÒRUN NI ILÙ OKÈRÈKÈSÈ,TI AIYÉ ÌLÚ NÃ DI 

RÚDURÙDUTI AWON AWO IBÈ BÀ A TÌ,ÈLA IWÒRI L' O BA OLÚYORI 

OBA IBÈ TÚN U SE;NIGBÀTI ÉLÈGBÁRA BÁ NFÉ S' ORI AIYÉ K' 

ODÒ,ÈLA IWÒRI NI' MA DÙDÚ ÒNÀ RÈ;ÈLA IWORI KÌ' GB' OWÓ,ÈLA

IWÒRI KI' GB' OBI,ON L' Ó SÌ NTÚN ORI TI KÒ SUNWÒN SE.

 

ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína

Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso

ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem

Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade

ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo,

Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito)

E os sábios do lugar foram desviados.

ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio,

Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo,

ÈLA IWORI foi quem o obstruiu,

ÈLA IWORI não recebe dinheiro,

ÈLA IWORI não recebe OBI

Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares.

Podemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de "letargia" em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando à ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo e então o difamaram. 

Em função disso, conta a tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de um corda esticada.

Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.

Vamos a outro verso:

ÈLA S' OGBÓ, S' OGBÓ ÈLA S' ATÓ, S' ATÓ O F' ÒDÚNDÚN S' OBA EWÉ O F' IROSÙN S' O SÒRUN RÈ; O F' OKUN S' OBA OMI O F' OSA S' OSÒRUN RÈ; A-S' - ÈHIN-WA A- S'-ÈHIN-BÒ NWON NI ÈLA KÒ S' AIYÉ RE; ÈLA B' INU, O TA' KÙN, O R' ÒRUN; OMO AR'-AIYÉ TÚN WÁ NKIGBE: ÈLA DÈDÈRÈ I' Ó MÃ SÒKALÈ WA GB' ÙRE. ÈLA DÈDÈRÈ

 

ÈLA realmente fez a velhice ÈLA realmente fez a vida longa

Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas 

Ele fez de IROSSUN o

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Ajimuda

Bom dia, Irmãos de fé!
Vamos de Itãn.
A pintura de Efun no rosto de Oyá é uma tradição que vem sumindo dos ilês, o motivo é que a maioria dos zeladores não conhecem esse ato ou mesmo que já tenham visto, não sabem para que serve.

Se conta que Oyá Igbalé (isso se aplica a todas do culto Igbale) lutava lado a lado com Àjímúdà, o ancestral guerreiro incluído no culto a Egun na Floresta da Morte. Quando lutava ao lado de Àjímúdà, Oya Igbalé usava uma máscara de madeira pintada de branco. No candomblé Ketu e Efon não utilizamos máscaras na indumentária dos nossos Deuses (isso é um Ewó), então pintamos a face de Oyá com efun para lembrar as batalhas ao lado de Àjímúdà e o exército de egun, que eram submissos a Oyá Igbalé.

Chamamos este ato de "Aquecer a casa", pois quando pintamos Oyá, ela exige que lhe entreguem seu Agerê (panela de barro com brasas e labaredas de fogo), o qual ela roda por todo o Ilê expulsando os males e atraindo os Orisás quentes.

O nome "Àjímúdà" se tornou um cargo do culto a Oyá Igbalé, este é o Oyê das Egbomis desta Yabá e este cargo é tão importante que é saudado no ipadê de Esú.
Àjímúdà significa: Aquela (ji) que acorda (mú) e pega a espada (idá).

A máscara de Efun é uma tradição muito antiga e muito bela.

Epahey!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Importância do ovo no candomble

A IMPORTÂNCIA DO OVO NO CANDOMBLÉ.....

O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida o Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento =ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ. O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário.

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto deÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ e etc...
Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador). O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu aÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ. O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà,Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa.O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò(assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrifica-tórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto deÌyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa. Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé.Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé.
Classificação dos Ovos
Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza. Ovo de galinha cozido – tirar doenças.Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia
Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas.

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço.

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios
Ovo de pombo – propicia tranqüilidade e fertilidade.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Orèlúerè ou Orè

ORÈLÚERÈ ou ORÈ
O caçador primordial.

No conceito religioso este Orixá foi um dos membros do grupo de Oduduwa em sua missão de criar a terra.
Trata-se de um Odé de culto antiqüíssimo, anterior à vinda dos orixás ao Ayê.
Considerado um orixá fun-fun, por suas ligações com os agbagbas (ancestrais anciães), e com todos os orixás da criação com ênfase em Oxalá.
Segundo alguns, teria sido um dos dezesseis companheiros de Odùdùa na ocasião de sua chegada a Ifé. Foi o primeiro Odé a pisar nesta terra.
Olóde Orè, o grande chefe dos caçadores e guardião das tradições e da moral.
Para uns, após Odudùwà ter criado o mundo, o primeiro a pisar na terra e depois explorá-la, foi Olóde Orè, antes de qualquer um, como manda a tradição era uma das funções dos caçadores.
Por isto é também aclamado como Onílè, "Senhor da terra".
Dizem que foi ele quem sondou o terreno, olhou os horizontes e constatou se a terra era habitável, e haveriam provisões de comida e água para viabilizar a vida no Aye.
Dizem que mais tarde, ele se tornou um dos companheiros de Òbàtálá.
Historicamente Oreluerê teria sido um aliado de Orisanlá e um dos chefes dos igbôs que teria feito forte oposição aos invasores.
Odé Orèlúeré é hábil e destemido. Governou os èjìgbòs junto com Eléjìgbò (Rei da Cidade de Èjìgbò – Nigéria)
Odé Orèlúeré é representado pelo ogè (chifres de invocação).
"Aládé odé gbà mi o!" (Rei caçador ajude-me!).
Como é um odé divinizado antes de chegar no Ayê, este caçador não teve descendentes na terra, não há registros de pessoas iniciadas à ele em África, muito menos no Brasil.
Ele é cultuado e saudado, porém não pega a cabeça de ninguém, é uma divindade à parte.
Veste-se somente de branco, muita juta e palha da costa, carrega ofá e irukerê.
Tem ligação com Egungun e Iyá-Mi, é o precursor de todas as dinastias dos odés.
Responde nos odus 8 Ejionile, 10 Ofun e 6 Obará.
Mora no Igbo Odé, sendo sempre reverenciado para que abençoe toda a prole dos caçadores.

ODÉ WAWA
Seria um dos outros nomes ou títulos de Odé Oreluerè.
Um dos caçadores primordiais a pisar no ayê, seu nome significa: “caçador dos céus”.
Ode Wáwá é o primogênito do Clã das Divindades da Caça, nasceu no Òrun, dessa forma tendo o direito de ostentar o Título de Òrìsà. Foi o primeiro caçador a pisar na terra.
A divindade Ode Wáwá seria denominada Orèlúéré (comandado por Oré), pois conforme os mitos Orè foi uma das divindades que formavam a comitiva de Odùdúwà e também trouxe ao mundo a arte da caça.
Trata-se de um caminho de Odé raríssimo, e seu culto está praticamente extinto. Não se tem notícia do culto dessa qualidade de Odé no Brasil.
Possui estreitas ligações com Oxalá e Xangô, e não come nem é feito sem eles.
Dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira.
Pela dificuldade de se encontrar a folha, fundamentos e conhecimentos sobre este orixá, os zeladores costumam apenas assentá-lo, fazendo o yawô de Ayrá ou Oxum Karê.
Veste-se de azul e branco, adereços prata, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem.

asé asé asé...

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O bom caráter.

O BOM CARÁTER.

Agbo ato, eu posto aqui, com o meu comentário, porque este texto como está escrito é a chave para curar as feridas que estão ameaçando os fundamentos de nossa fé.

Oríkì Ìwà Pèlé invocação para o bom caráter.

Ká mú rágbá tagbá, Ìwà.

Ká mú rágbá tagbá, Ìwà.

Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir da árvore ràgbá e golpeá-la contra a cabaça, vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir da árvore ràgbá, para atacar a cabaça, vamos saudar Ìwà.

Comentário: A vara de madeira ràgbá usada para a chamada está sendo usado para invocar o bom caráter, sugerindo que o bom caráter é o fundamento da nossa disciplina espiritual.

Ká mú rágbá ká fi tàkuta, wà.

Ló dífá fún Òrúnmìlà, Baba nlo gbéwà níyàwó.

Nígbà tí Òrúnmìlà yóókó gbé yàwó,

Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de ràgbá e atacar uma pedra, vamos saudar Ìwà. Adivinhação de Ifá foi executada para o Espírito do Destino, quando o pai ia se casar com Ìwà. A primeira vez que o Espírito do Destino casou com uma mulher.

Comentário: Estarmos dizendo que Òrúnmìlá está tomando Ìwà como uma mulher é dizer que Òrúnmìlá é a integração dos aspectos masculinos e femininos de seu Orí, que é a função psicológica de toda a iniciação.

Ìwà ló gbé níyàwó.

Ìwà sì rèé, Sùúrù ló bí i.

Nígbà tí Òrúnmìlà féé gbé Ìwà níyàwó, Ìwà ní, kò burú,

Ele se casou com Ìwà. Ìwà era a filha da Paciência. Quando o Espírito do Destino fez a proposta para Ìwà, ela disse que estava tudo bem.

Comentário: Ìwà é a palavra iorubá para caráter e aqui caráter está enraizado na ideia de paciência, o que significa compromisso de progredir com calma, porém de forma constante.

Òun ófèé o, Sùgbón kini kan ni o.

Èniyàn kì í lé òun jáde o.

Ènyin kì í òun nílò omi òjò Èniyàn kì í fìyàá je òun. . .

Ela disse que se casaria com ele. Havia um tabu a ser observado. Ninguém deve mandá-la embora de sua casa matrimonial. Ela não deve ser usada descuidadamente como se usa a água da chuva. Ninguém deve puni-la desnecessariamente. . .

Comentário: Isto significa que não há desculpa para não desenvolver um bom caráter, aconteça o que acontecer, seja qual for a nossa circunstância, precisou permanecer comprometido com a ideia de viver uma vida baseada nos princípios de Ifá e do bom caráter.

Òrúnmìlà ní, ‘Háà Olórun máà jé’.

Òun á tójú e, Òun ó kèè o, Òun ó gé ó.

Ló bá gbé Ìwà níyàwó.

O Espírito do Destino disse: "O Criador não vai me deixar fazer uma coisa dessas." Ele disse que iria cuidar dela. Ele disse que o iria tratá-la com amor e ele iria tratá-la com gentileza. Ele então se casou com Ìwà.

Comentário: Esta é uma forma poética de dizer que nascemos bons e abençoados e que temos a obrigação espiritual de manter o bom caráter como uma expressão da nossa relação com o Criador.

Ìgbà tó gbé Ìwà níyàwó, Ìgbà tó p títítítí, ló bá sú u. . .

Ló bá bèrè síí da Ìwà láà mú.

Bó gbé e,

Depois de muito tempo, ele tornou-se infeliz com ela. . .

Ele começou a preocupar Ìwà. Se ela fizesse uma coisa, ele se queixava de que ela fez errado.

Comentário: Isto sugere que o compromisso de desenvolver um bom caráter é um desafio e que muitas vezes somos tentados a desistir do processo, porque a disciplina para o desenvolvimento do bom caráter é constantemente confrontada por ciúmes, difamação impaciência, desonestidade e conflito infundado e nós ainda necessidade manter o nosso compromisso de bom caráter.

A ní kò gbe e ‘re.

Bó sò, A ní kò sò ó re.

Nígbà Ìwà rí i pé wàhálà náàá pàpòjù, ni Ìwà bá ní kò burú, Òun á lo sílée baba òun.

Se ela fizesse outra coisa, ele também se queixava. Quando Ìwà viu que o problema era demais para ela, Ìwà disse que iria para casa de seu pai.

Comentário: A ideia de ir para a casa de nosso pai é a ideia de que quando a disciplina do desenvolvimento do bom caráter torna-se muito forte, queremos reverter este quadro passando para o comportamento infantil. Em outras palavras, regredir a um estágio anterior do desenvolvimento é fingir que os problemas que nos confrontam no presente, não são reais. Em termos psicológicos isso é chamado de evitação.

Àkóbí Olódùmarè sì ni baba rè náà, Sùúrù, baba Ìwà. Ló bá kó jáde nílé, ló bá gbòde Orun lo.

Ela era o primeiro filho do Criador. Seu nome era Paciência, o pai de Ìwà é o Criador. Ela reuniu sua cabaça de utensílios e deixou sua casa para ir viver no òrun.

Comentário: Quando o Odù refere-se a uma pessoa que está voltando ao òrun é uma referência à conexão com o Eu superior (Orí). Estamos sempre ligados ao Eu superior através de nossa conexão com Orí inu, que os psicólogos chamam de auto inconsciência. Assim sendo, retornar para o òrun é uma referência ao fato de que a dificuldade em desenvolver um bom caráter está causando problemas que são motivados a partir de uma fonte inconsciente ou invisível e òrun é a palavra iorubá para o reino invisível do Ser.

Nígba t'Òrúnmìlá yóó dèé, to se, ‘E kú ilé, E kú ilé, E kú ilé.

Ìwà kò yojú.

Quando o Espírito do Destino retornou à sua casa, ele disse:

Saudações ao povo da casa, saudações ao povo da casa, saudações ao povo da casa. Mas Ìwà não respondeu.

Comentário: Esta frase é uma referência a Òrúnmìlá estar examinando a si mesmo, olhando para seu próprio estado consciente de ser. Quando Ifá fala de uma casa, geralmente está se referindo a Orí.

Baba wáá bèèrè pé Ìwà dà?

Àwon ará ilé yòókù ni àwon kò rí Ìwà.

‘Níbo ló lo?

Ó lo ojà ni?

Ó se kini kan ni?’

O pai pediu Ìwà. Os outros membros da família disse que não a viram.

Onde ela foi?

Será que ela foi ao mercado?

Será que ela foi a algum lugar?

Comentário: O pai ou o componente consciente de Orí está fazendo uma autoanalise, o que aconteceu com o bom caráter de Òrúnmìlá, por que não esta evidente o sentido casa do Orí.

Títítítí, ló bá f ééjì kún eéta, ló bá lo sílé aláwo.

Wón wí fún un pé Ìwà ti sá lo ni.

Kó máa wá a lo sílé Alárá.

Nígbà tó délé Alárá, ó ní,

Ele fez essas perguntas por um longo tempo até que ele pegou dois cawries (búzios) com mais três e foi à casa de um adivinho. Disseram-lhe que Ìwà havia fugido. Ele foi aconselhado a ir encontrá-la na casa de Alára. Quando ele chegou à casa de Alara, ele disse:

Comentário: A referência aos búzios é uma referência para os primeiros quatro princípios do Odù Ifá que significam: vida, morte, transformação e renascimento. É o movimento através destes quatro princípios que mantém nossa conexão com a disciplina espiritual de manter um bom caráter. Quando levamos esta questão para a casa de Alára estamos pedindo a intervenção divina. Alara é a elisão de: Alára, que significa: A luz que se espalha na consciência.

Ká mú rágbá, ‘Ká fi tagbá, Ìwà là n wá o, Ìwà.

"Se tomarmos um objeto de madeira ràgbá e pô-la contra a cabaça, Ìwà é o que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita de ràgbá, é Ìwà que estamos buscando.

Comentário: O processo de reconexão com o bom caráter começa com o compromisso de utilizar as invocações e ferramentas sagradas de Ifa/òrìsá para invocar o bom caráter.

Ká fi tagbá, Ìwà là n wá o, Ìwà. Ká mú ràgbá, Ká fi tàkuta, e golpeá-la contra a cabaça, é a Ìwà que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Se tomarmos um objeto de madeira feita a partir de ràgbá e golpeá-la contra a pedra.

Comentário: Golpeando um pedaço de pau contra uma pedra é uma referência ao òrìsá, pedindo para nos ajudar no processo de manter a disciplina espiritual que se refere ao desenvolvimento de um bom caráter.

Ìwà là n wá o, Ìwà.

Alárá o rìwà fún mi?

Ìwà là n wá o, Ìwà.

Ìwà é o que estamos buscando. Vamos saudar Ìwà. Alara, se você vir Ìwà me avise. Ìwà é o que estamos buscando, Ìwà.

Comentário: O Odù está pedindo Alara ou consciência divina para lançar luz sobre o problema da recuperação de um bom caráter.

Alàrà lóun ò rìwà, Baba tún d´lè Oràngún ile Ilá, Omo eye ab’ìyé hèruhèru.

Ó ní, njé ó rìwà fóun?

Ó lóun ò rìwà.

Alara disse que não viu Ìwà. O pai então foi para a casa de Oràngún (Òfún méjì), rei da cidade de Ilá, descendentes de um pássaro com muitas penas. Ele perguntou se Oràngún tinha visto Ìwà. Oràngún disse que não tinha visto.

Comentário: A consciência de Alára ou a consciência divina está sendo solicitada para encontrar Oràngún que é a elisão de: O ran oogun, que significa: O Espírito que aplica o medicamento, que é outra maneira de dizer e mostrar o ebo para corrigir este problema. Alára está olhando para a medicina em Ilá que é uma elisão de: I ala que significa: Eu sou a luz ou A luz de minha consciência. O versículo está dizendo que a medicina para nossa perda de bom caráter está dentro de nós, dentro de nosso Eu superior.

Kò síbi tí bò dé.

Nígbà tó pé títí, Ó tún bi òkè ipòríi rè léèrè.

Pé òún wà Ìwà títí délé Alárá,

Não havia um lugar que ele não tenha ido, depois de muito tempo, ele voltou e perguntou de seu Ifá (oráculo). Ele disse que olhou para Ìwà na casa de Alára.

Comentário: A busca pessoal para a salvação foi ineficaz para Òrúnmìlá, ele se voltou para a divinação ou a sabedoria ancestral em busca de uma solução.

Òún wá a délé Ajerò, Òún wá a délé Òràngún.

Òún wá dódò Ògbérè, awo Olówu.

Òún wá a dódò Àseegbá, awo Ègbá.

Òún wá a dódò Àtàkúmòsà, awo òde Ìjèsà.

Ele olhou para ela na casa de Ajero, ele olhou para ela na casa de Oràngún, ele olhou para ela na casa de Ogbere, sacerdote Ifa do Criador.

Comentário: Através de divinação Òrúnmìlá buscou orientação de Ajero uma elisão de: ajè ro, que significa: o espírito do poder das mães desce.

Ele procurou a orientação de Oràngún que significa o espírito da medicina. Ele procurou Ogbère da elisão de: Ogbè rere, que significa a boa sorte que se manifesta no Odù Èjì Ogbè.

Òún wá a dódò Òsépurútù, awo òde Rémo.

Wón ní Ìwà ti lo òde Orun.

Ó ní òún féé loo mú un níbè.

Wón ní kò burú, tó bá le se bo.

Ele olhou para ela na casa de Òsépurútù, sacerdote de Ifá em Remo. Disseram-lhe que Ìwà tinha ido para o òrun. Ele disse que gostaria de ir até lá e levá-la de volta. Eles disseram que estava tudo bem, desde que realizasse um sacrifício.

Comentário: Òrúnmìlá está buscando a orientação do Odù Òsétúrá que é o Odù que dá origem à fertilidade e é o Odù que faz a expansão do Orí, Òrúnmìlá é o Elerin ipin, que significa: A testemunha a Criação. Aqui Òrúnmìlá está pedindo para ser reiniciado, para que ele possa expandir sua consciência e resolver seu problema.

Wón ni kó rú àwòn, kó foyin fún Èsú.

Ló bá foyin rúbo fún lá, Èsú.

Nígbà tí Èsú to oyin lá, Èsú ni ‘nín ló dùn tó báyìí?

Pediram-lhe para oferecer uma rede e disseram também para dar mel ao Espírito do Mensageiro Divino, Ele ofereceu o mel e quando o Mensageiro Divino provou o mel, ele disse:

'O que é isso que é tão doce'

Comentário: Damos mel a Èsú quando estamos pedindo a Èsú para adoçar o nosso sentido de vida e remover a dor causada pela perda de nossa conexão com bom caráter.

Ni Òrúnmìlà bá di Ègún, ló bá dòde Orun.

Ló bá tún bèrè síí korin.

Inú èkù l’Òrúnmìlà wà.

Látojú àwòon rè ló ti rí Ìwà.

Ló bá so mó on. . .

Àwon pa’bi bà sobi dire bá sí aso lójú.

O Espírito do Destino colocou o traje dos antepassados (Égúngún) e foi para o òrun, ele começou a cantar. O Mensageiro Divino pregou uma peça nele e foi procurar Ìwà.

Comentário: Aqui Òrúnmìlá passa pela possessão dos ancestrais, em um esforço para resolver o problema.

‘Ìwà, o ha sese báun, O si fi’un sílè lóde ayé, olo’.

Ìwà ní béè ni, ló jé kóun ósá lo,

O Mensageiro Divino avisou a todos que um homem havia chegado ao òrun e que estava olhando para Ìwà. Ìwà deixou seu esconderijo,

Comentário: Isto significa que podemos encontrar o nosso bom caráter na sabedoria dos antepassados.

Kóun ó ní ìfokànbalè’ Òrúnmìlà ní kó dákun, kó se Sùúrù, kó kálo.

Ìwà ò gbà,

Ela foi ao seu encontro, foi onde onde ele estava cantando. O Espírito do Destino estava vestido como um ancestral, ele abraçou-a.. .

Aqueles que mudam “a má sorte em boa sorte” abriu seu traje.

Comentário: O medicamento fundamental de Ifá é mudar a má sorte em boa sorte, está mostrando o sentido de restabelecer nossa conexão com bom caráter.

Sùgbón ó ní kò burú.

Ohun tóun óse sì tún kú.

Ó ní, ‘Ìwò Òrúnmìlà, Kó o maa wáá pada lo sóde ayé o.

Tó o bá padà dé’bè.

O Espírito do Destino perguntou, 'Ìwà por que você se comportou daquela forma, por que você fez isso?

Você me deixou no ayé e foi embora. Ela disse que tudo era verdade. Ela disse que foi embora por causa da maneira que ela foi tratada, foi por isso que ela fugiu.

Comentário: Quando ignoramos os tabus (Èèwò) que fazem do bom caráter um hábito, perdemos a capacidade de ascender facilmente a um bom caráter.

Gbogbo nnkan tóun ti kà ní èèwò fún o télètélè, kó o ma se é o.

Kó o máa se dáadáa.

Kó ohùwà pèlépèlé.

Kó o tójú aya,

Ela a deixou ir para que ela pudesse ter paz de espírito. O Espírito do Destino pediu-lhe para ter paciência com ele e para segui-lo de volta ao ayé. Ela se recusou. Ela lhe disse para ele voltar para o ayé e honrar os tabus que ela havia lhe dado.

Comentário: Isto significa que nunca seremos perfeitos e que constantemente devemos nos esforçar para fazer melhor.

Kó o tójú omo.

Látòní lo, o ò níí fojú rí Ìwà báyìí.

Sùgbón òun ó maa báa yín gbé.

Sùgbón bó o bá ti se òun sí, béé ni ayé re ó se máa tò sí.

Àse.

Ela lhe disse para se comportar com bom caráter, para cuidar de sua futura esposa, para cuidar de seus filhos e você não me verá mais. Porém, vou cumprir com você o que você fez por mim, vou determinar a quão ordenada será sua vida.

Comentário: Esta é uma referência à ideia fundamental de que o do bom caráter traz boa fortuna.

Àse
oloje iku ike obarainan

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Como alguem pode entrar em contato com orunmila?

COMO ALGUÉM PODE ENTRAR EM CONTATO COM ỌRÚNMÌLÁ.

A filosofia de Ifá (Ifismo) não tenciona ser uma religião universal em termos de arrastar partidários e convertidos. O fundamental do Ifismo é unir os reencarnados e descendentes dos seguidores Oríginais de Ọrúnm.lá e de seus Olodus e Ọdus, todos a caminho do céu.
Não são todos que podem tornar-se um seguidor de Ọrúnm.lá, a menos que seja especificamente escolhido. Ọrúnm.lá não procura convencer ninguém a ser parte de seu rebanho.
De fato, muitas pessoas vêem a ele quando estão tendo problemas difíceis, e ele freqüentemente demonstra desta forma que não existem problemas insuperáveis. Se uma pessoa é afortunada, ela terá recursos iniciais de conhecimento se ele está realmente destinado a ser um seguidor de Ọrúnm.lá. Uma vez que uma pessoa é escolhida como discípulo, ele deverá empenhar-se em seguílo fervorosamente, por que indiferente ao partidarismo usado para atribuir muitos dos problemas a Ọrúnm.lá, mas porque seu serviço indiferente não os colocam em posição de Ọrúnm.lá poder manejar os problemas de seus seguidores efetivamente. Há uma variedade de caminhos nos quais alguém pode vir a se associar com Ọrúnm.lá.
No passado a relevância da cerimônia de nomeação para uma criança recém-nascida era para permitir aos pais saber qual o caminho a criança seguiria na vida. Oito dias após o nascimento da criança, o sacerdote de Ifá e outros videntes, que se especializaram em astrologia do recém-nascido são convidados a ler a vida da criança. Em algumas partes da África, o Ọdu que surge para a criança na cerimônia do nome será posteriormente preparado para ele como seu próprio Ifá. É a cerimônia em que Ọrúnm.lá conta aos pais o tipo de criança que eles tem, se é um Imere em Yorùbá ou Elegbe em Bini, que está fazendo uma curta passagem pela terra, apenas para deixar os pais tão logo ele se torne bem quisto por eles.
Ọrúnm.lá dirá aos pais o que fazer para prevenir o retorno da criança prematuramente ao céu. Quase invariável, Ifá é preparado para aquela espécie de criança muito cedo na vida, como um contrapeso contra a morte precoce.
Por outro lado, algumas pessoas passam por sérios problemas no curso de suas vidas. Se uma pessoa é em potencial um sacerdote de Ifá, Ọrúnm.lá pode surgir para ele em sonho ou pedir ao seu anjo guardião para revelar lhe em sonho que ele está passando dificuldade por ainda não ter descoberto a divindade que o acompanha na terra.
Se tal pessoa for alguém experiente o suficiente nos caminhos da vida, ele então vai ao oráculo onde será confirmado a ele que então irá se organizar para ter seu próprio Ifá. Há muitas pessoas que chegam a este ponto de realização apenas quando já estão entre a vida e a morte.
Tirando a ignorância, alguns neófitos que obtém alívio de seus problemas logo depois de sua iniciação no Ifismo, são tentados a concluir que Ọrúnm.lá recruta os seguidores criando problemas para eles. O que certamente deve ser um ato de ingratidão, porque Ọrúnm.lá não cria problemas para seus seguidores. É apenas quando um anjo guardião descobre no céu que seu protegido está indo experimentar certos problemas na vida, que ele apela pelo suporte de Ọrúnm.lá, a fim de ser a mão que assiste seu protegido quando os problemas acontecerem.
oloje iku ike obarainan

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

As penas sagradas

AS PENAS SAGRADAS.
ÌYÉ ORÒ – AS PENAS SAGRADAS.
Ìkódíde, Agbè, àlùkò e Lékeléke são as quatros penas sagradas de nossa religião, somente sendo utilizadas dentro da ritualística e nunca como um simples adorno. Elementos primordiais e indispensáveis dentro dos Ìgbèrè – Ritos Iniciáticos e de Passagens de qualquer divindade do Panteão Iorubá. Não existem penas semelhantes, são únicas em sua essências simbologia e significado, ou seja, são insubstituíveis. Dentro do Corpo Literário de Ifá são mencionadas nos mais diversos Oba Odú e seus Omo Odú.

KÓDÍDE ou ÌKÓÓDE trata-se de uma pena vermelha, extraída da cauda de um tipo de papagaio africano da espécie Psittacus erithacus conhecido popularmente por papagaio-cinzento, papagaio-do-Gabão ou papagaio-do-congo entre o povo iorubá é denominado de Odíde ou Odíderé Tornou-se Rei entre todas as aves, simbolo da fecundação, da menstruação, da gestação, representa o nascimento e o simbolo do poder feminino. Representação da realeza, honra e status, esta acima da simbologia do Adé – Coroa. Fixado a frente da cabeça, representa o processo iniciático e confirma os ritos de iniciação e/ou de passagem.

AGBÈ pena azul extraída da cauda da ave africana Turaco da família dos sophagidae Touraco porphyreolophus. Descritos nos mitos, como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para OlokunDivindade dos Oceanos.Para que possa agir tem que ser utilizada em comtrapartida com o Àlùkò.

ÀLÙKÒ pena de cor púrpura(entre escarlate e violeta) extraída das asas da ave africanaTuraco da família dosMusophagidae Touraco ruspolii. Descritos nos mitos, como o pássaroque carregava a boa sorte e a riqueza para Olosa – A Divindade das Águas Doces. Da mesma forma que sua contrapartida, somente age em companhia do Agbè.

LÉKELÉKE pena de cor branca, extraída da ave Bubulcus ibis conhecida popularmente por garça-vaqueira ou garça-boieira, nativa da África e do Sul da Europa, que invadiu a América do Norte no início do Século XX e atingiu o Brasil na década de1960. Descritos nos mitos como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para Òrìsà Nla e toda a sua corte.
Simbolo por excelência de todos os Òrìsà Funfun
Um fragmento do Texto Sagrado de Ifá:
Agbè ni i gbe're k'Olòkun,
Àlùkò ni i gbe're k'Olòsa,
Odíderé-Moba-Odo Omo Agbegbaaje-ka ni naa ni i gbe're k'Oluwoo.
O pássaro Agbè carrega a benção de Olòkun
O pássaro Àlùkò carrega a benção de Olòsa
O papagaio do Rio Mogba, descendência de um poderoso exército carrega uma cabaça com a fortuna para o Rei de Iwó
Os pássaros Agbè e Àkùkò são agentes intermediários entre o poder da imensidão das águas.
Oluwoo é um título do Rei de Iwó a Legendária Cidade, reduto da ave Odíderé.
Ojúure l'Agbè fi í w'aró
Agbè won jí t'aró t'aró
Ojúure l'Àlùkò fi í w'osùn
Àlùkò won jí t'osùn t'osùn
Ojúure l'Lékeléke fi í w'efun
Lékeléke won jí re pel'efun
O pássaro Agbè desperta com aró
O pássaro Agbè olha com bondade para aró
O pássaro Àlùkò desperta com osùn
O pássaro Àlùkò olha com bondade para osùn
O pássaro Lékeléke desperta com efun
O pássaro Lékeléke olha com bondade para efun
Agbe ló l’aró, kìí rá’hùn aró
Àlùkò ló l’osùn, kìí rá’hùn osùn
Lékèélékèé ló l’efun, kìí rá’hùn efun
O pássaro Agbè não se lamenta por muito tempo ao aró
O pássaro Àlùkò não se lamenta por muito tempo ao osùn
O pássaro Lékèélékèé não se lamenta por muito tempo ao efun
Neste fragmento dos Textos Sagrados de Ifá relata a ligação das aves
Agbè, Àlùkò e Lékeléke com a pinturas sagradas aró, osùn e efun. Essa expressão “despertar” tem a conotação de “ao amanhecer de cada dia” as aves sagradas carregam em si o poder e a essência de três dos quatros Oba Odú primordiais da existência universal; Ogbè Méjì relacionado com o efun, Òyèkú Méjì e sua relação com o osùn e ligação de Ìwòri Méjì com o aró. O fato de não se “lamentar por muito tempo” está baseado em uma oferenda cujo o qual os principais ingredientes são as penas e as pinturas citadas.

Ojúure lògbólógbòó Odíderé fi í w'Iwó
Ìkódíde àse kun be aràiyé
O grande e velho papagaio olha com bondade para Iwó.
O poder da pena Ìkódíde enche de suplicas os seres deste mundo.
Como mencionado anteriormente
Iwó é a Cidade Legendária reduto da ave Odíderé onde essa desempenhava a função de favorecer seu povo com as principais bençãos e suplicas dos seres humanos:
Ire Ajé – riqueza, Ire Owó – dinheiro, Ire omo – filhos, Ire Ìpéláyé – vida longa, Ire Obìnrin – mulher p/ser esposa, Ire Okonrin – homem p/ser marido, Ire Ìbùjókó – um lugar para morar, Ire Àláfíà – paz e contentamento, Ire Oríre – boa sorte, Ire Ìmúarale– boa saúde
oloje iku ike obarainan