sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rei Tanaruê

Rei Tanaruê 

Na passagem do rio tinto
Ô ninguém vai lá 
Ô ninguém vai lá 
Lá tem Reis Tanaruê 
Que só luta pra vencer 
É Poti é Potiguara 
Rei que quebrou a cabaça 
Uma é fogo
Outra é água 
Outra terra 
Outra o vento que arrasta
Quando Tupã veio a terra
Foi feito um corpo pra ele
O corpo tinha o dia e a noite
O bem e o mal 
Os antigos chamavam Tanaruê 
Ele se banhava num rio de sangue 
Chamado Ipiranga
É conhecido hoje com Rio Tinto

Marcelo Galvão

Reis Canindé

Rei Canindé

O desbravador 
O que encontra caminhos onde só existe dificuldades 
O que guia seu povo com segurança 
Aquele que edifica uma aldeia, num lugar encantado 
Onde Canindé está a segurança também está 
Onde Canindé dorme
O alimento está garantido 
Canindé é um grande guerreiro 
Que guerreia pela paz
Companheiro inseparável da Rainha Aurora 
Ela voa ao amanhecer 
Ela traz respostas 
Ela traz recados
Ela aponta para onde a flecha tem que seguir
A noite ela descansa nos braços de seu rei
A aldeia não está desguarnecida 
Os príncipes 
As Tapuias Canindé 
O Mutum real estão de espreita 

Oferenda:

Caça, pesca e frutas regionais
Cor: azul e amarelo
Bebida: licor de genipapo 
Ciência: Buriti, pequi, cumbaru, bacuri, jatobá, mandovi e babaçu.
Se adornam com cocar de pena

Marcelo Galvão

Rainha Aurora

Rainha Aurora 

Quando Monã (Deus) criou as coisas ele viu que faltava alguém para embelezar o dia, então de sua vontade ele criou uma Deusa por nome Aracy (Aurora); Deusa do amanhecer, das cores e dos sons. Muitos animais tentavam imitar esses sons, mas somente as Araras conseguiam. Num dia que nascia, um valente Índio Kanindé, que havia passado a noite a caçar, viu e ouviu Aracy em seu maravilhoso trabalho de amanhecer e, imediatamente, se apaixonou. Então,  quando o dia estava prestes a amanhecer, ele corria para a mata só para ver sua amada surgir. Aracy se encantou com a beleza e a bravarura do Índio e por isso, a cada amanhecer, caprichava mais e mais em seu trabalho. Um dia ela chegou tão perto dele, mas tão perto, que foi impossível não se entregar àquele grande amor. Assim, em segredo eles se amavam todos os dias ao amanhecer. Acontece que tempos depois o ventre de Aracy começou a crescer. Ela se apavorou porque era proibido aos Deuses se enamorarem dos humanos, quanto mais procriarem. Soube que Anaconte, Deus guerreiro, desejava se unir a ela e por isso pretendia matar seu amado. Aracy, em desespero, foi procurar por Rudá, Deus do Amor, que, apiedado prometeu ajudá-la.
No dia do parto, ela pretendia entregar o filho para Kanindé a fim de que ele levasse a criança para sua tribo e o criasse em segurança, mas percebeu que eram duas e se angustiou porque sabia que seu povo enterravam gêmeos. Rudá então interviu e, na beira de uma pequena lagoa, as duas crianças nasceram encantadas em dois pés de Taioba, um roxo e um verde, imediatamente de suas raízes brotou água formando dois rios: um rio escuro, que foi o primeiro a nascer antes da aurora e que herdou do pai o lado guerreiro e da mãe um canto fino de assobio que afugenta os maus intencionados, recebeu o nome de Muraxá-Mirim Itaúna, Príncipe Rio Negro, e o segundo, que nasceu quando a aurora despontava, um rio claro, tranquilo e que tinha o som suave do cantar das águas, acalmando a cabeça das pessoas perturbadas, e foi chamado de Muraxá-Mirim Itamobi, Príncipe Rio Verde. Rio Negro seguiu seu curso para o oriente e Rio Verde para o ocidente. Rudá, para terminar sua grande ajuda, transformou Aracy numa linda Arara que repetia todos os sons do nascer da Aurora e voou para o ombro de seu guerreiro amado ficando conhecida como Arara Canindé. Ariconte nunca mais a encontrou. 

Fim por fim, escrito por mim
Lenda ouvida de Pai Velho (Severino Estevão, um memorian) 

Galvão, em 12 de julho de 1980

Rainha Iracema

Rainha Iracema 

Iracema 
Esta mata está escura 
Estou te chamando 
Para a mata alumiá
Bela Cabocla
Teu reinado é um Encanto 
Deixa-me ouvir teu canto 
No tronco do Juremá 
Iracema 
Virgem dos lábios de mel
Acabando todo fel
Que amarga meu viver
Eu vou na gira
Na curimba firmar ponto
Para fazer da vida meu canto
E alegrar o meu ser
Iracema teu amor foi desafio
Amaste a Martim, o inimigo
Gerastes um filho Moacir
Essa Odisséia chegou aos Encantados
Entre guerras e prantos
Com a defesa de Poti
De Moacir
Com a força do sol e do mar
Do mel para adoçar 
Nasceu todo o povo do Ceará 

Marcelo Galvão

rainha janaina

Janaina 

A caravela abandonava a terra de Vera Cruz
Ia em direção às praias de Luanda
De onde estava ainda via os versos que escrevi na areia
No meu peito apertado 
Eu levava a sua imagem
Minha doce Iraê
Ela toda enfeitada
Tiara de penas novas de arara 
Fios tecidos em volta dos braços e das pernas
Corpo pintado de urucum e genipapo 
Ela enfeitando um cesto de folhas verdes de palmeira 
Ela forrando tudo com folhas grandes de taioba 
Ela dizia
Essa folha não deixa o espírito da morte chegar
Ela colocava frutas doces cuidadosamente arrumadas 
Muitas flores brancas ornavam o cesto 
Pulseiras de contas 
Pente de osso
Brincos de dentes de onça 
Um belo cocar branco e azul dava um ar de realeza ao presente
Assim ela entrava no mar
Assim ela entregava o presente a Mãe Sereia
Assim eu jurei perante o mar da sereia 
Um dia voltar para Iraê
Eu já não via a praia 
Mas as minhas palavras não seriam em vão 
Tupã terynhyrõ, Janaina

Marcelo Galvão

Rei tupinamba

Rei Tupinambá 

Tupã é Reis na minha aldeia
Tupã é Reis no meu Juremá
Na Nesa Santa estou chamando 
Os Caboclinhos
Para vir me ajudar 
Vou chamar Tupinambá 
Reis Caboclo Riá 
Vou chamar Tupinambá 
Na Mesa do Vajucá 
O Irapuru cantou nas matas
Que as matas balanceou 
Foi quando Tupinambá 
Na Aldeia ele chegou
Caboclo tá guerreando 
Guerreando sem pará 
Protegendo os seus filhos
É o Reis Tupinambá 
Protegendo os seus filhos
É o Reis Tupinambá 

Okê Caboclo

Marcelo Galvão

Rei Nanagiê

Reis Nanãgiê 

Quando as jias sobem a ribanceira 
E cantam sem parar
É Reis Nanã anunciando 
Que muita água vai chegar
Caboclo que tá no mato 
Já conhece esses sinais 
Sobem pro alto das árvores 
Para as águas não levar
Tem uma reza antiga 
Dita pelos mais velhos
Que quando se vai perto das águas, nunca esqueça o farelo
É mandioca seca guardada em seu bisaco 
Para fazer a reza
Reis Nanã ouvi seu recado 
Espalha-se farinha n'água
Que acalma a Tupã 
Up, up, up, up, up
O canto da jias diminuido 
Up, up, up, up, up
Reis Nanã está ouvido 
Up, up, up, up, up
Meu caminho vou seguindo 
O Caboclo já em casa
Sobre uma folha de imbé
Coloca 12 catolé amassado 
Com o coco retirado 
Com a farinha de mandioca faz a pasta 
Bota na beira do rio pra Reis Nanã 
Com muito mel de arapuá
É assim que se agradece a Reis Nanã 
Cada pedido que alcançar

Marcelo Galvão 

Se a água vem do céu 
Reis Tupã é que guerreia
Se água bate em terra Reis que não bambeia 
Não bambeia 
Não bambeia 
Não bambeia 
Reis Nanã que vem na cheia

mourão do mar

Rei Mourão do Mar

Mouro, Mouro, Mourão 
Mouro, Mourão 
Mourão do mar
Onde está meu Rei 
O meu Rei Mourão 
Está nas ondas sagradas do mar 
Louvando a Rei Salomão
Sou Mourão da pedra marmi 
Da pedra marmi mourão 
Hoje aqui chegou um Mestre 
Que adivinha 
Adivinhão
Minha mãe era malvada
Me jogou pra me afogar
Entre as pedras e as turquias 
Acabei de me criar
Viva Deus que é nosso pai
Viva o Rei Mourão do Mar
Seu Reinado são turquias
Perdidas pelo imenso mar
Que salva as almas dos afogados
Pras elas se encantar
Vem chegando na Jurema 
O grande Rei Mourão do Mar

Marcelo Galvão

Rei Salomão

Rei Salomão 

O que trouxe Salomão a Jurema Sagrada
Foi a barquinha do errante
Do que, sob as vestes,
Ocultava a Ciência do rio Jordão 
Ele veio nas eras
Quebrando as ondas do mar
Ajudado por Rei Mourão 
Temendo a Inquisição 
Encontrou abrigo na Mesa do Juremá 
Aqui Salomão se rendeu
Ao encanto da mata
Abdicou dos carneiros que ofertava 
Aceitou o cordeiro divino que tirava o pecado do mundo
Como o último sacrifício 
Se tornou Rei no Juremá 
Com a chave das Clavículas 
Rezas, feitiços e bruxarias
Salomão ganhou coroa
Consagrada pelo Pajé 
E daí se tornou direção. 
Quando estamos perdidos
Busquemos a Salomão 
Se sofremos injustiça 
Busquemos a Salomão 
É um pacto
Selado entre o Pajé, o Rabino e o Padre
Respeitado pelo Padrinho 
Que o discípulo vai consagrar
Qual fou o primeiro corpo sepultado sem caixão?
Foi do monarca dos Mestres 
O grande rei Salomão 

Texto de meu pai Marcelo Galvão . RN

Rei Malunguinho.

Rei Malunguinho

A palavra malunguinho vem do Bantu kimbundo, Malungo, que significa companheiro, amigo, irmão, camarada
Malungo é todo aquele que se irmana numa causa comum

Origem:

Na primeira metade do século XIX, Malunguinho foi o nome ou título do principal líder do Quilombo do Catucá, localizado na Mata Norte de Pernambuco.

Resistência:

O quilombo desafiou o Império e os senhores de engenho, abrigando escravizados fugidos. Um dos líderes mais conhecidos da linhagem foi João Batista.

Perseguição:

Em 1827 e 1828, com o crescimento e a força do movimento, o governo provincial de Pernambuco colocou a cabeça de Malunguinho a prêmio e enviou tropas para destruir o reduto na Cova da Onça, gerando conflitos prolongado

Os Malunguinhos de maior destaque

João Bamba

Foi um dos principais e mais temidos chefes militares do Quilombo do Catucá na década de 1830. Assim como João Batista, ele carregou a alcunha e a responsabilidade de ser um dos "Malunguinhos" da resistência pernambucana.

Papel na Resistência e Morte

Liderança de Frente:

João Bamba assumiu o comando do quilombo em um dos períodos mais violentos da história de Pernambuco, marcado pela repressão policial e pelas disputas territoriais intensificadas após o código judicial de 1830.

O Alvo Imperial:

A atuação de Bamba em táticas de guerrilha nas matas entre Recife e Goiana fez dele um dos principais alvos das expedições punitivas financiadas pelo governo provincial e executadas pelos Juízes de Paz.

Queda em Combate:

João Bamba foi morto em batalha pelas forças imperiais durante os violentos cercos da década de 1830. Sua morte desestabilizou severamente a estrutura militar do Catucá, pavimentando o caminho para o enfraquecimento que levaria à posterior queda de João Batista em 1835.

A trajetória de líderes como João Bamba reforça o entendimento historiográfico de que "Malunguinho" não era um indivíduo isolado, mas sim um símbolo de liderança coletiva e continuada.

João Batista

foi o último grande líder do Quilombo do Catucá a ser registrado com o título de Malunguinho. Sua morte, em 18 de setembro de 1835, marcou o fim oficial da resistência armada do Catucá perante as autoridades imperiais

A Luta de João Batista

O Auge da Perseguição:

Ele assumiu o comando em um momento de extrema fragilidade, logo após a província de Pernambuco esmagar a Cabanada (uma violenta guerra civil regional). Com o fim desse conflito, o governo pôde redirecionar centenas de soldados experientes e forças indígenas aliadas exclusivamente para caçar os quilombolas do Catucá.

A Emboscada Final:

João Batista foi morto em uma emboscada nas terras da antiga Maricota (atual município de Abreu e Lima, PE). Na mesma operação, seu filho e herdeiro tático, Vicente Ferreira, foi capturado pelas forças do chefe de polícia Nunes Machado. Apenas dez quilombolas conseguiram escapar do cerco.

O Legado e o "Mito da Chave"

A eficiência de João Batista em libertar pessoas escravizadas e incendiar os canaviais dos senhores de engenho desafiou o Império por anos. Seus feitos alimentaram a lenda urbana de que ele carregava uma "chave mágica" capaz de abrir qualquer senzala ou tranca para proteger quem fugia.

Após a sua queda física em 1835, João Batista passou por um processo de "encantamento" na tradição oral, tornando-se o pilar central do culto a Malunguinho na Jurema Sagrada.

João Pataca

Foi uma das lideranças históricas mais fascinantes e estratégicas do Quilombo do Catucá, atuando de forma muito marcante no final da década de 1820. Documentos oficiais de 1829 apontam que as autoridades imperiais tinham especial preocupação com as suas atividades na região.

Ele se diferenciava por liderar o que os relatórios da época chamavam de uma "quadrilha mais mansa" se comparada à de outro comandante, João Bamba, embora ambos agissem em estreito acordo tático.
As principais características registradas sobre a atuação de João Pataca incluem:

Liderança e diplomacia local:

Ele e seus homens circulavam com frequência pelos vilarejos próximos às matas. Eles estabeleciam relações comerciais, vendendo peixes e fazendo compras regulares.

Imponência e respeito:

Relatos históricos apontam que João Pataca andava acompanhado por "negras e guarda de honra", demonstrando uma estrutura hierárquica e de prestígio muito forte dentro da comunidade quilombola.

Articulação comunitária e festas:

Ele promovia batuques tanto no interior das matas quanto em alguns engenhos da área. Chegava a realizar celebrações inclusive dentro de residências no vilarejo de Tejucupapo, mostrando forte inserção e trânsito entre a população local.

Justiça própria:

Pataca ficou conhecido por punir assaltantes que haviam atacado o engenho Macaco, agindo como uma autoridade e força de ordem paralela nas zonas rurais que o Estado imperial não conseguia controlar efetivamente.

Vicente Ferreira

Ocupa um papel dramático e crucial na história do Quilombo do Catucá, pois ele foi o sucessor direto e filho de João Batista, o último grande líder a portar oficialmente o título de Malunguinho.

A trajetória de Vicente ilustra os momentos finais da resistência organizada nas matas pernambucanas:

A Sucessão no Caos:

Em setembro de 1835, o governo imperial lançou uma violenta e massiva operação militar contra o Catucá. As forças oficiais deslocaram soldados veteranos e indígenas (que haviam acabado de lutar na Guerra da Cabanada) especificamente para extinguir o quilombo. João Batista foi morto em combate nessa investida.

Assunção do Comando:

Com a morte do pai, Vicente Ferreira assumiu a liderança do que restava da comunidade. Historiadores como Marcus Carvalho apontam que o fato de Vicente herdar o posto é uma prova contundente de que o Catucá não era um bando desorganizado, mas sim uma sociedade quilombola altamente estruturada, hierarquizada e com uma linha de sucessão dinástica definida.

A Captura:

A resistência sob o comando de Vicente durou pouco. Cercado pelas forças do chefe de polícia da província, Nunes Machado, o herdeiro de Batista acabou sendo capturado. Relatos da época apontam que apenas cerca de dez pessoas conseguiram escapar do cerco que desarticulou o núcleo principal do quilombo

Esses homens reis, são Deuses Encantados. Traziam o poder da natureza de África e de Pindorama. 

Eles aparecem como uma lança certeira que atinge o alvo da liberdade 

Africanos e indígenas do mesmo lado, por isso louvados, cultuados, tomados de Ciência que até os dias de hoje ajudam, advogam, abr caminhos, fortalecem e curam o povo de Terreiro 

Se oferece a eles o que a mata produz: frutos, caça, mel

Cor: verde e vermelha 

Bebida: cana brava 

Se vale dos dois cachimbos, o de Jurema e o de Angico, contudo tem ciência com a árvore do jatobá e se faz trabalhos com a fava usando a massa que tem dentro.

Como rei, seu cocar é feito de penas de capote, sobre chapéu de palha

Marcelo Galvão 

As informações histórias foram obtidas por I.A.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rei Bom Florar

Rei Bom Florar

Foram infinitos ciclos lunares
Muitos nasceres do sol
Até que o homem do mato começasse entender
Quanta Ciência havia em todas as plantas 
Nas pedras
Nos rios
Nos animais
Na chuva
Ele via 
Ele guardava na memória 
A planta que curava 
A que desinflamava
A que cicatrizava
A que melhorava a barriga 
A que aliviava a cabeça 
A que dava coragem 
Ele foi aprendendo pelo cheiro da folha
Pelo formato da folha 
Pela textura da folha
Se elas estavam viçosas durante o dia
Ou se levantavam quando o tempo esfriava ou a noite chegava
Ele foi entendendo 
Ele foi separando
Ele fazia jus ao nome que os mais velhos lhe deram: Potykatu
O bom florecer, Bom Florá 
Ele, o erveiro 
O curador
O que conhece a ciência das plantas 
O que vem ajudando a nascer na Jurema Sagrada 
São muitos Mestres Bom Florá 
Muitos que trabalham com esse mistério 
O Bom Florá ainda permanece 
Na periferia 
Onde não chega a branca medicina 
Nem os leitos dos brancos hospitais 
Entre cânticos monótonos
Chocalhar de maracas 
Cheiro de cachimbo perfumado
Erva macerando no pilão 
O Terreiro de Jurema continua 
Cumprindo sua missão 

Marcelo Galvão

Rei de andorinhas

Rei de Andorinha

Errei por toda uma vida
Sem sossego para dar
Foi assim que acabei jogado
Nos pés de um Juremá 
Lembrei-me dos meus pecados 
Então me pus a chorar
Chorei por 12 dias que nem me vi do mundo passá 
Acordei com 12 andorinhas querendo me coroá 
Trazendo uma mensagem do grande Rei Tupã 
Que era pra me salvar 
Esta coroa de espinhos é a tua salvação 
Vai pro mundo fazer o bem que os espinhos vão ao chão 
Foram 12 andorinhas que cumpriram uma missão 
De cortar todos os espinhos de Jesus na crucificação 
Andorinha é um Rei
Um Rei de libertação 
Então ganhei manto de pena 
Na mão um grande bastão 
Eu vou embora pra terra para curar aflição 

Marcelo Galvão

monan

Monã

Monã ou Monan é conhecido na crença tupi-guarani como o deus criador do mundo, do céu, da terra e dos seres vivos. A representação de Monã é como algo infinito.

Monã também é entendido como  "terra sem males" na cultura tupi-guarani

• Monan é também o nome de um modelo matemático desenvolvido pela ciência brasileira para melhorar a precisão das previsões climáticas e meteorológicas na América do Sul e no Brasil. O nome foi inspirado na ancestralidade e significa "terra sem males" na cultura tupi-guarani. 

 
A imensidão é um oceano sem fim
Ela é uma cuia
A imensidão é um mar nessa cuia
Por vontade de Monã, Deus todo poderoso, o oceano transbordou, se derramando no vazio 
Foi nesse tempo que o vazio deixou de existir
E desse oceano derramado foram surgindo as estrelas, a terra e os seres

Monã quis saborear seu feito 
Então ele fez um filho e pos ele na Terra nova, Maíra, tembém conhecido como Maíra-Monã. Apesar de viver rodeado por toda a humanidade e todas as formas de vida, estava sempre solitário. 

Um dia se ouviu um barulho ensurdecedor, acompanhado por um calor gigante. Era "tatá-gûasú, o grande fogo, que havia incendiado o mundo.

Foi nesse tempo que Maíra Monã resolveu ir morar com seu pai. Porém, antes de fazê-lo, deixou uma grande cabaça, com um segredo dentro. Havia 12 furos pequenos arrodeando a cabaça. E nela, 36 penas de Uru'wu Antã, Urubu Rei. Maíra prometeu que aquele que de soubesse dessa Ciência, se purificaria e iria morar também no infinito com ele e seu pai.

Na Jurema mais próxima da matriz indígena, não existe a Cuia Mestra, principalmente no Rio Grande do Norte, nunca vi, nesses 64 anos de vida. Em nossa cultura religiosa na Irmandade Reino do Vajucá, nós temos a representação de Monã. Essa representação também aparece na direita e na esquerda do Caboclo, na Jurema mais difundida do estado, que é a Jurema de Babá Karol.

Texto de meu pai Marcelo Galvão
Extremoz RN

Rei Heron

Rei Heron 

No reinado da Jurema
Eu avistei uma Cidade
É a Cidade Vajucá 
Que Deus ordena e tem Mestre pra trabalhar 
Na Cidade Vajucá 
Vi um velhinho caminhando 
Esse velhinho é Reis Heron 
Que Deus ordena
Pra no mundo, vir curando

Heron, meu Reis Heron 
Na Mesa Barros Troá
Vem rezando e vem curando
Te todas as doenças 
Que neste mundo há 

Marcelo Galvão