Janaina
A caravela abandonava a terra de Vera Cruz
Ia em direção às praias de Luanda
De onde estava ainda via os versos que escrevi na areia
No meu peito apertado
Eu levava a sua imagem
Minha doce Iraê
Ela toda enfeitada
Tiara de penas novas de arara
Fios tecidos em volta dos braços e das pernas
Corpo pintado de urucum e genipapo
Ela enfeitando um cesto de folhas verdes de palmeira
Ela forrando tudo com folhas grandes de taioba
Ela dizia
Essa folha não deixa o espírito da morte chegar
Ela colocava frutas doces cuidadosamente arrumadas
Muitas flores brancas ornavam o cesto
Pulseiras de contas
Pente de osso
Brincos de dentes de onça
Um belo cocar branco e azul dava um ar de realeza ao presente
Assim ela entrava no mar
Assim ela entregava o presente a Mãe Sereia
Assim eu jurei perante o mar da sereia
Um dia voltar para Iraê
Eu já não via a praia
Mas as minhas palavras não seriam em vão
Tupã terynhyrõ, Janaina
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