quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rei Bom Florar

Rei Bom Florar

Foram infinitos ciclos lunares
Muitos nasceres do sol
Até que o homem do mato começasse entender
Quanta Ciência havia em todas as plantas 
Nas pedras
Nos rios
Nos animais
Na chuva
Ele via 
Ele guardava na memória 
A planta que curava 
A que desinflamava
A que cicatrizava
A que melhorava a barriga 
A que aliviava a cabeça 
A que dava coragem 
Ele foi aprendendo pelo cheiro da folha
Pelo formato da folha 
Pela textura da folha
Se elas estavam viçosas durante o dia
Ou se levantavam quando o tempo esfriava ou a noite chegava
Ele foi entendendo 
Ele foi separando
Ele fazia jus ao nome que os mais velhos lhe deram: Potykatu
O bom florecer, Bom Florá 
Ele, o erveiro 
O curador
O que conhece a ciência das plantas 
O que vem ajudando a nascer na Jurema Sagrada 
São muitos Mestres Bom Florá 
Muitos que trabalham com esse mistério 
O Bom Florá ainda permanece 
Na periferia 
Onde não chega a branca medicina 
Nem os leitos dos brancos hospitais 
Entre cânticos monótonos
Chocalhar de maracas 
Cheiro de cachimbo perfumado
Erva macerando no pilão 
O Terreiro de Jurema continua 
Cumprindo sua missão 

Marcelo Galvão

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