Rei Bom Florar
Foram infinitos ciclos lunares
Muitos nasceres do sol
Até que o homem do mato começasse entender
Quanta Ciência havia em todas as plantas
Nas pedras
Nos rios
Nos animais
Na chuva
Ele via
Ele guardava na memória
A planta que curava
A que desinflamava
A que cicatrizava
A que melhorava a barriga
A que aliviava a cabeça
A que dava coragem
Ele foi aprendendo pelo cheiro da folha
Pelo formato da folha
Pela textura da folha
Se elas estavam viçosas durante o dia
Ou se levantavam quando o tempo esfriava ou a noite chegava
Ele foi entendendo
Ele foi separando
Ele fazia jus ao nome que os mais velhos lhe deram: Potykatu
O bom florecer, Bom Florá
Ele, o erveiro
O curador
O que conhece a ciência das plantas
O que vem ajudando a nascer na Jurema Sagrada
São muitos Mestres Bom Florá
Muitos que trabalham com esse mistério
O Bom Florá ainda permanece
Na periferia
Onde não chega a branca medicina
Nem os leitos dos brancos hospitais
Entre cânticos monótonos
Chocalhar de maracas
Cheiro de cachimbo perfumado
Erva macerando no pilão
O Terreiro de Jurema continua
Cumprindo sua missão
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