quarta-feira, 9 de junho de 2021

três castiçais

Pelejei... tô pelejando
Como um gavião no ar 

Pelejamos na Jurema porque somos fortes como um gavião
Somos fortes porque temos sementes plantadas em nosso corpo 

Três velas acesas
Três castiçais 
Três moças de branco são três generais 

As três guardiãs
As três Marias
As que desceram ao sepulcro de Jesus
Acompanhando Maria 

Elas levam os três castiçais
Elas queimam mirar
Elas purificam a casa 

Maria de Cleófas, tia de Jesus, irmã de Maria. Abrigou Maria após a morte de José. É a Maria do acolhimento. Seu dia é 9 de abril. 

Maria de Magdala, a que acompanhou Jesus e depois a Maria. É a Maria que acolhe os arrependidos e os cura com uma pomada de mirra. Segura o segundo castiçal. Seu dia é 22 de julho. 

Maria Salomé, a que alimentava os Discípulos que seguiam Jesus. Na Jurema, reza para que a semente plantada em nosso corpo frutifique. É a que carrega o terceiro castiçal. Seu dia é 22 de outubro. 

A beleza da Jurema é resignificar as coisas do Catolicismo popular sem precisar ser católico para isso. A própria Igreja Católica não vê com bons olhos o catolicismo popular, porque acreditam estar cheios de heresias, de superstição e influências pagãs e que foge das tradições dogmáticas. 

O Juremeiro celebra essas três datas limpando a casa benzendo todos os cantos, em seguida soprando a "mistura" de cheiro em todos os quatro cantos de cada vão,  terminando na porta da rua. Lava todos os instrumentos da Jurema e acende um turibulo com a mirra e deixa na porta de entrada. 
À noite, se canta a mesa  no final se distribui pão, frutas, chás, café, bolos etc.

OBSERVAÇÃO 

Isso é Ciência de alguns Juremeiros. Não praticar essa Ciência não quer dizer que a  pessoa está errada pois cada um tem sua Ciência e sua herança recebida dos seus mais velhos. 
O motivo de eu escrever esse texto é para mostrar quanta diversidade há na Jurema e que podemos ser todos unidos dentro dessas diferenças. 

Eu vos saúdo com Paz e Alegria. 

Marcelo Galvão
09 de Junho de 2021

segunda-feira, 17 de maio de 2021

os cinco caminho da árvore Jurema.

Como prometido: o texto da Jurema com todos os direitos reservados. Podem compartilhar citando a fonte.

O símbolo do catimbó é a árvore Jurema. Símbolo de força, energia e poder Divino. Da árvore Jurema se retira sementes para consagrar os seus Discípulos, troncos para levantar no mundo material representações dos Mestres do além. Da folha, sumo para atrair coragem. A casca da árvore serve para banhos de descarrego. A raiz serve para preparar a bebida que possibilita o transe sagrado. 

OS "CINCO" CAMINHOS QUE A JUREMA  TEM 

A Jurema Preta (Mimosa hostilis) é uma árvore da família das Acácias. De grande importância para o Juremeiro. Essa espécie traz toda a fundamentação para este culto de origem xamânica nordestina que cada vez mais tem tomado forma de religião.  Dentro da pajelança sua importância estava no vinho retirado de suas raízes que contém um princípio psico ativo que uma vez ritualizado e bebido abriam-se portais para o mundo dos Encantos e da Ciência espiritual soprada pelos seres dos invisíveis. Essa ritualização elevou essa espécie de acácia ao estatus de sagrada, onde cada parte dela representa um caminho. Essa noção chegou as mesas de Senhores Mestres onde a Jurema é empregada em muitas funções terapêuticas. 

Cada compartimento da árvore Jurema, são caminhos e moradias de espiritos que representam toda a prática  do culto. Esses compartimentos ou partes tem seus elementos místicos e espirituais usados pelo Juremeiro em trabalhos. A árvore se divide em cinco caminhos, que vão da raiz às sementes. 

1) A raiz
2) O tronco
3) As folhas
4) As flores
5) As sementes 

"Subi por um suspiro, desci por um fio de ouro, abrindo nossos trabalhos, guardando em um tesouro" 

É preciso passar pela provação para voltar fortalecido, coroado de êxito e se responsabilizar pelos trabalhos da Jurema que são aguardados como um tesouro. 

O trabalho da Jurema ninguém pode saber (os leigos e curiosos),  é como trabalho da abelha, trabalha e ninguém vê. 

Se diz que para entrar na Ciência Sagrada do Juremá, a pessoa primeiro desce aos porões onde se depara com a escuridão. Mestres de esquerda, hábeis em saberem quais as intenções de quem quer adentrar nos mistérios, lá estão a espera. É na raiz aonde vamos encontrar a purificação e os espiritos mais pesados, os "capangueiros" os "Mestres Quimbandeiros e/ou Esquerdeiros", ... Por um suspiro a pessoa emerge para os invisíveis. ESTE É O PRIMEIRO CAMINHO. 

Através do suspiro ela chega ao tronco da Jurema. Aí é onde ela se fortalece. Os Mestres que aí estão ligados são aqueles que vêm para trabalhar na mesa do Juremá. São fortes,  verdadeiros, as vezes brincalhão, noutras vezes, rígidos. Eles sabem exatamente a missão que carregam perante aqueles que vêm buscar socorro dos Encantos. Eles também sabem e reverenciam o que sustenta a Jurema, a raiz. É lá que está a Senhora Rainha. 

Lenda da Jurema 

Conta-se que um bravo guerreiro Tabajara, chamado Abaturuna se apaixonou perdidamente por uma jovem e bela índia chamada Yurema. A chamavam assim porque ela era arredia e sempre amarga e não fazia amizades com ninguém. Ela foi encontrada na mata, bebê, por um grande Pajé Tabajara. Era de uma beleza ímpar, branca como a lua, olhos e cabelos negros como a noite. Cedo ela revelou muitos dons; conseguia viajar no pensamento, visitava as aldeias do mundo invisível, falava com os Espíritos Encantados nas matas e com os antigos Deuses. A seu pedido, seu pai adotivo fez uma oca para ela morar sozinha, assim ela poderia se dedicar a sua arte mágica, curando doenças, picadas de animais peçonhentos, ferimentos, doenças de espíritos, etc.
O jovem guerreiro a amava em silêncio. Não ousava se aproximar porque ela era sempre reservada e isolada. Ela sabia do amor que ele nutria, ela também o amava, mas sabia que esse amor nunca poderia ser cumprido. Yurema era filha de Jaci a lua com um índio e para fugir da ira de Coaraci, seu marido, ela a deixou na mata para que fosse criada pelos índios. Por isso que Yurema tinha tantos poderes, por ser filha de uma Deusa. Um dia Abaturuna sentindo que nunca iria realizar seu amor, resolveu partir desse mundo. Rumou para a mata sem suas armas disposto a morrer. Yurema sentiu o que ia acontecer e foi atrás dele. Encontrou-o triste esperando a morte chegar. Ela se encheu de coragem e revelou que também sentia um grande amor por ele. Nesse momento se entregaram um ao outro vencidos pelo amor que sentiam. Do céu Coaraci então descobriu o fruto da traição de Jaci e partiu para mata-la. Desesperada Jaci implorou a Tupã que a ajudasse. Tupã compadecido a transformou numa raiz que fez surgir uma bela árvore, a Jurema. Seu jovem e valente amor virou os galhos espinhentos para que Coaraci não pudesse atingi-la e assim Yurema ficou protegida e guardada e continua revelando os mistérios dos invisíveis a quem bebe de seu licor, a dona da Ciência do Juremá. 

Lenda ouvida do meu Padrinho Reinaldo Ribeiro dos Santo. 

O Jurema Encantada, que nasceu de frio chão. Dai-me força e Ciência, como deste a Salomão. ESTE É O SEGUNDO CAMINHO. 

Do tronco da Jurema, saem os galhos, que abrigam as folhas em meio aos espinho. Eis o lugar de domínio das Mestras. Elas não trabalham com a força.  Trabalham com a persistência ecom a paciência em meio às adversidades;  são hábeis em usar o poder feminino para atingirem seus objetivos. Elas mantém a árvore em pé porque sabem se dobrar ao vento, a chuva e a seca. Elas murcham as folhas em tempo de muito calor e seca para que a Ciência volte para o tronco e raiz. Por essa capacidade são conhecidas como as Donas do Trono. Os banhos e mirongas feitos das folhas e das cascas são um atributo delas. Elas que devem ser evocadas nesta hora. Existem Mestras especialistas em várias problemáticas dos seres humanos, como parto, cura de doenças crônicas, perturbações espirituais e mentais, casamentos fracassados, desempregos, desmanche de magia contrária,  etc. São as Mestras com a sua capacidade de conquista que adoram o Cruzeiro Mestre Divino. ESTE É O TERCEIRO CAMINHO. 

A Jurema brota da terra seca com muita força e poder e essa força e esse poder quando mal utilizado leva a uma série de perturbações. Diziam os antigos que a medida do querer nunca se enche. O poder corrompe. Desvirtua o caráter e leva a uma ambição desmedida e em alguns casos até criminosa. A Ciência da Jurema é tão maravilhosa que nos deu o equilíbrio. O equilíbrio da Jurema são as Princesas. Elas são comandadas pela flor da Jurema. São representadas por taças translúcidas com água cristalina. São os Espíritos mais puros da jurema. 
Bom fazer um lembrete de que existem Mestras que são elevadas a categoria de Princesas, mas por outros motivos. 

Ao lado delas, mas soltos da flor estão os príncipes que transportam a Ciência para outros Discípulos ou para novas árvores que vão ser semeadas. Um não existe sem o outro, porque senão a Ciência não se multiplicaria. São representados por copos também translúcidos e de água cristalina. Os Príncipes são os que abrem a vidência para as Princesas predizerem a situação dos consulentes, em quem trabalha com esse tipo de oráculo. 

Eles e elas são inúmeros e cada Juremeiro os representam de acordo com suas Ciências recebidas. ESTE É O QUARTO CAMINHO. 

Da floração da Jurema vem a vagem carregada de sementes. Aí se encontram os Espíritos mais antigos da Jurema, conhecidos como Reis e Rainhas. Este título que os Juremeiros dão é pelo poder e autoridade que a semente da Jurema tem de ensimentar, consagrar e coroar um Discípulo, unindo-o com a Mestria. Sabemos que uma pessoa para trabalhar com um Mestre não precisa ser consagrada, mas quando ela é consagrada, fica protegida de espíritos embusteiros, mistificadores, que não são da família espiritual dele, fechando uma corrente para que ele não receba uma infinidade de Mestres e Caboclos e outras Entidades. O Consagrado, passa a fazer parte de uma corrente ancestral que o liberta de espíritos de mortos. O Consagrado não morre, se encanta, na Ciência. ESTE É O QUINTO CAMINHO. 

Por setenta anos pelejamos na Jurema para que nos dominemos sem ninguém nos dominar. 

Acima no céu é Deus 
Em cima da terra o Mestre 
No meio as águas que tudo cortam
Na força do pensamento
Vai pra Jurema Jandaia
Todo mal que se corta é com a fumaça 

Discípulo Mestre Jaguar - Marcelo Galvão 

"Seu Marcelo, na Jurema tudo se aproveita, da rais até as sementes. 

Sr. Geraldo Guedes". 

(*) a base para formação deste texto foi uma abençoada conversa com um dos Grandes Mestre da Jurema, Senhor Geraldo Guedes. 

Em 17 de maio de 2009

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

ritos fúnebres da irmandade do vajucá

RITOS FÚNEBRES NA IRMANDADE DO VAJUCÁ 

Nós da Irmandade dizemos que passamos por três mortes 

A morte de quando nascemos para o mundo e morremos para os invisíveis
A morte de quando morremos para o mundo e nascemos para a Ciência através da consagração 
A morte de quando morremos para a Ciência e nascermos para o Encanto, quando deixamos esse mundo. 

Nas matrizes formadoras das várias vertentes ou famílias de Juremeiros, sem dúvida o catolicismo popular é bastante expressivo, mas o lastre tupi permeia e atravessa todas essas influências e chega ao mundo contemporâneo, mesmo rezada por ladainhas cristãs. 

De Origem indígena, a rede, em tupi, ini, é presente no nascimento, vida e morte do indígena, do sertanejo e das populações pobres do norte e nordeste do Brasil. 

Era na rede que nossos Antepassados se enterravam. Os tupis davam ao morto seu último alimento na rede para que os espíritos viessem compartilhar e levar a alma para os Encantos. 

Depois, já nas vilas e cidades, se colocava a rede sobre uma mesa com o morto em cima e ali as carpideiras entoavam bentos e incelenças, enquanto se comia, se bebia e se contava os feitos do finado. 

Tudo isso feito à noite com velas e lamparinas acesas,  daí o nome "velório" -  à luz de velas. 

Jamais se enterrava um defunto à noite. Era preciso velá-lo o maior tempo possível a fim de não enterrá-lo vivo e a noite era mais fresco, impedindo o aceleramento da decomposição pelo calor. 

No amanhecer a rede era suspensa em um mourão e conduzida por dois homens; a depender da fama de boa gente tinha muito acompanhante no cortejo. 

Na atualidade, por lei, não se permite enterros em redes. 

Velhos Juremeiros seguiam essa tradição. Na Irmandade seguimos.
Ao entrar para a consagração o novo Discípulo passará pelas inselenças onde morrerá para o mundo e nascerá para a Ciência. É um rito fúnebre que deixa para trás velhos hábitos a fim de que possa seguir o caminho de Juremeiro de forma a adquirir Ciência e sabedoria. Simbolicamente será enterrado coisas ruins que atrapalharam a vida do novo consagrado. Só então ele irá despachar a mata no caminho da Irmandade. Em nossa Casa há um segundo despacho de mata, desta vez já no caminho dele, dando autonomia para se cuidar sozinho ou cuidar de seus próprios afilhados. Estará independente do seu Padrinho de consagração, embora possa sempre solicitar orientação e ajuda, tanto do Padrinho quanto dos demais irmãos quando achar necessário. 

Quando um Discípulo se passa (o Consagrado não morre, se passa), e ele ainda não tem a segunda mata despachada, são cantada as inselenças e uma rede é preparada para levar o que tem que ir para a mata, num pé de Jurema Preta ou outra árvore da Ciência daquele Discípulo incluindo as afirmações das Entidades. É um rito fechado de despedida do irmão e sete dias depois se faz o encaminhamento.
Caso o Discípulo já tenha a segunda mata despachada, o procedimento é diferente. Porque terá a vigília, os bentos e inselenças e se come e se bebe o Discípulo. 

(*) beber e comer o Discípulo é uma expressão para o ato de se ter muitos bolos, pães, biscoitos, café e vinho de jurubeba. Se conta muitas histórias dos feitos do Discípulo que virará lenda. 

Com sete dias é feito uma cerimônia fechada na Irmandade para a despedida do novo irmão dos invisíveis. 

Aos doze dias da passagem se faz então o encaminhamento e suas afirmações de Caboclos e Mestres são repassados para que alguém os cuide pelo resto da vida. 

Deus nos dê vida nesse mundo
Para que o mundo eu possa benzê
Trago a marca mestra em punho
A pena do recado
E o galho santo pra vencê
Em nome dos três saberes
Três Reis 
Três Principe
E a Glória do Pai
Do filho 
Do Espírito Santo 
Amém 

(*) Os três saberes, os três Reis e os três príncipes, vão da herança de cada família.

Marcelo Galvão, em 08 de fevereiro de 2021.

Pintura de Cândido Portinari, enterro na rede

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Conta de jurema

A CONTA DA JUREMA

Um antigo costume indígena de usar colar feito de peças naturais, servindo como medicina da psique, da alma e do corpo, persevera na jurema até nossos dias atuais sem nos darmos conta de seu significado mágico, moral e espiritual.
Nada, absolutamente nada em magia é utilizado como enfeite ou adorno sem significado. Tudo que o Juremeiro usa seja ele um simples copo, pena, anel, semente, casca... Possui significado profundo místico, magico, medicinal e espiritual.

Ao ser Consagrado na Jurema, o iniciado recebe um colar de sementes de lágrima de Nossa Senhora intercalado com 05 sementes de Olho de Boi  e  com uma cabaça pendurada, formatando assim uma tradicional  “conta de Jurema”. 
Esta “Conta de Jurema” é cheia de significados desde a escolha dos materiais utilizados em sua composição, até a forma como ela será montada para o Discípulo de Jurema.   Vou me ater somente nas 05 Sementes de Olho de Boi para demonstrar o caminho do Juremeiro na descoberta de sua ciência.

Não evocarei os nomes Sagrados dos Reinos encantados, mas, revelarei  que as 05 primeiras sementes no fio de conta do Discípulo fala de 05 Reinos da Jurema que possuem relação direta para a formação inicial do  nosso Discípulo de Jurema.

A primeira semente fala do  “Iniciar” de coisas, caminhos e saberes.  Remete também a humildade de sempre SER  aberto ao aprendizado constante; portanto, olhe sempre para seus objetivos iniciais e avalie se o caminho que você esta hoje possui concordância com o que você queria quando iniciou a jornada.
A primeira semente nos imprime uma condição estelar de Ser, nos ensinando ao iniciarmos  neste caminho,  que temos que nos estabelecer no firmamento de nossa vida e produzirmos Luz própria através de nossa individualidade, auto suficiência, independência...   Isso não que dizer que o Juremeiro deva se isolar e se tornar um pessoa anti social, muito pelo contrario, mas o Juremeiro não pode ser  “escravo” de nenhuma condição financeira, psicológica, sentimental ou espiritual que o impeça de se resplandecer como astro de luz própria.

A segunda semente nos lembra de que tudo começa com trabalho, atividades e ações.  Participar das atividades de grupo, ou individuais, diárias, ou mensais, fazem parte do compromisso e do desenvolvimento daquele que se Consagrou na Jurema.  Esta semente nos lembra de que o que aprendemos deve ser praticado no templo, no lar, no trabalho, com os irmãos, com os vizinhos... Abrace o novo amanhecer e viva na Luz deste novo dia de forma transparente para você e por você. São nossas ações e atividades que nos tornam grandes, não o nosso acumulo de “conhecimentos”.

A terceira semente nos ensina que EU  somos NÓS.  Entender que não estamos sozinhos, isolados e desligados do restante dos seres deste mundo é a chave deste conhecimento; pois, quando entendemos o conjunto de seres e criaturas que compactadas formam o indivíduo que somos, e que este indivíduo está conectado a uma trama interdependente com outros indivíduos iguais a nós, e que estes outros indivíduos juntamente conosco fazem parte de um ecossistema interligado com os reinos animal, vegetal, mineral, ancestral e espiritual deste Planeta... Neste momento nosso conceito de Auto Preservação e Auto Defesa se expande e se torna menos egocêntrico.  Quando proporcionamos o germinar desta semente, ela nos possibilita o contato e a cura do nosso Sagrado Anjo Guardião e abre espaço para recebermos o nosso verdadeiro Espírito Santo.

A quarta semente nos prepara para recebermos a sabedoria.  Vivemos em uma sociedade adoecida pelo Extremismo:  “Ou você é bom, ou você é mau”;  “Ou você é de direita ou é de esquerda”; “Ou você torce por time A ou você torce por time B”;  “Se você não é meu amigo, então você é meu inimigo”.    Não existe meio termo, não existe caminho do meio e sendo assim, não existe equilíbrio entre os seres. Os portões deste Reino são abertos para o discípulo que desenvolver a capacidade de se manter fora dos extremos da vida; pois, a Sabedoria só pode ser acessada quando estivermos dispostos a rendermos nossos desejos e nosso “direito”, em prol de um bem maior.  Do contrário, sempre estaremos frente a Salomão pronto para partir nosso filho em dois pedaços  com uma espada.  Cure-se!  Desinfeccione sua Mente!  E aprenda que Ser feliz é melhor que Está Certo.

A quinta semente fala da iluminação espiritual daquele que ganhou as sementes anteriores e com esforço, dedicação, espírito fraterno e equilíbrio, conseguiu fazer sua Plantação, conseguiu assentar as energias e saberes, agregando qualidades, virtudes e valores para sua alma. No entanto, o que parece ter chegado ao fim perde seu conceito ao percebermos que as sementes estão agregadas ao ciclo da conta de Jurema, nos fazendo retornar assim a primeira semente e subsequentemente as demais, dando-nos a oportunidade de refazermos, quantas fezes julgarmos necessário,  a viagem através destas 05 sementes de Bons Saberes.
Como dizia a celebre frase psicografada por nosso querido Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Dalrivan Jorge
31/03/2019

domingo, 2 de setembro de 2018

AFONJA... o deus do seu povo

AFONJÁ.....O DEUS DO SEU POVO!!!

O Orixá[orisá] são para os africanos sua maior significação totêmica. Oyó-capital da nação yorubá-nome da primeira tribo de Oduduwá-fundada por Oraniyan, filho de Okambi, neto de Odudwá,foi a primeira cidade fundada após ILÊ IFÉ,  que foi fundada pelo próprio Odudwá, passando a ser a capital política da nação.Dahomé, ex nome do país que hoje é chamado de Benin, antiga terra dos fulanis, origem da cultura gege na África ocidental.  Literalmente Dahomé significa :Coroação das cobras. As culturas chamadas ewe,fon, mahi,dagomé,mina fanti e etc são originárias de Dahomé,dono de um dos mais poderosos exército africano e o maior conhecimento de magia.O termo ORIKI determina a fundação ou origem de um africano[yorubano], sendo de grande importância para se traçar a árvore genealógica. ORIKI não é um nome e sim a própria origem familiar ou totem. O real significado do termo ORIKI esta perdido no tempo,mas pode-se atribuí-lo ao principio da implantação da cultura yorubana ou nok, em 600 A.C . A maioria de um ORIKI esta ligado a algum mito,divindade ou objeto, que significa ou significou em algum tempo algo ligado a esta divindade,que por sua vez estava ligada a esta ou aquela família.Dentro dos ancestrais de família das mais altas hierarquia da cultura gege nagô, que foram por obra do destino trazidas para o Brasil,devida as corrupções de certas tribos e reinos,provocada pelo desmantelamento das culturas por meios de escabroso comércio de cativos,oriundos de guerras intertribais elaboradas pelos portugueses, sob a promessa de mútua divisão de impérios[europeus-africanos] entre as duas raças, com o objetivo de reestabelecer vários títulos,cargos,nomes,sobrenome e totens. Familiares de membros de diversas castas de grupo étnico , africanos trazidos para o Brasil, os estudiosos e pesquisadores da cultura africana resgataram aos descendentes de africanos, os nomes e palavras para auxilia-los nas pesquisas da suas raízes familiares, os nomes[LARIS]pertencem as famílias dos sacerdotes e ministros do vários Reis do grupo gege,yorubá,nagô  etc..... Yorubano destacamos  AFONJÁ LAIYA LOKÔ  DE  ILORIN, que expandiu seu méritos e atos heroícos para o Brasil e que é cultuado numa das mais respeitadas casa de candomblé da Bahia:ILÊ AXÊ OPÔ AFONJÁ!!!   Afonjá morreu na batalha de ILORIN,atacado pelos fulanis,que após dez anos conseguiran sua vitória.Pelo fato de Afonjá ter morrido a permanecido de pé após levar 400 flechadas,criou-se o mito da sua imortalidade.Tal fato repetiu-se 200 anos depois, na morte da GANGAZUMA, no quilombo do Macaco,no Brasil. Os habitantes de ILORIN,prisioneiro dos fulanis,foram levados em cativeiros para a capital invasora, no entanto uma velha profecia previa que: Quando os escravos tornassem mestres, uma revolta eclodiria.Assim os yorubás, uniram-se em torno do fato e pedindo a Afonjá proteção, atacaram os fulanis,expulsando-os do território ocupado, na batalha de Pamó, mas a imagem de Afonjá crivado de flechas ficou na memória de seu povo. E isto fez surgir um culto que o tornou o orixá da justiça.simbolo de Xangô e seus descendentes foram trazidos para o Brasil, trazendo com eles seu culto e sua história.... A HISTÓRIA DE AFONJÁ , O DEUS DO SEU POVO!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

o poder de osoosi

Ooni comemora osoosi divindade da congregação de adoração, diz que a religião yoruba pode resolver os desafios da paz na África

Os portões da antiga cidade de Ile-Ife acreditavam ser a fonte da humanidade foram ontem à noite jogados abertos como pessoas marcharam em todo o mundo para se juntar à multidão de pessoas da cidade sagrada em celebrar osoosi acreditava ser o pai da filantropia E congregação religiosa para a pureza e a sanidade.

A OONI DE IFE, sua majestade imperial, ooni adeyeye ogunwusi ii durante o festival nos a religião tradicional yoruba como uma ferramenta na resolução dos desafios da paz e do amor na Nigéria e na África.

O Festival foi atendido por dignitários de diferentes países e continentes do mundo em especial a América e os países do Caribe. Lamentou que o descaso da tradição no continente africano tenha contribuído para os desafios da Nigéria.

Para que o desafio seja resolvido, ele disse que as pessoas devem desenvolver atitudes positivas em relação às tradições yoruba e África.

Ele disse: " este é um festival de marco para nós. A humanidade começou da África tropical e é a mais populosa. Este é um dos Marcos históricos para provar que tudo começou do continente da África e da Nigéria, que é a nação mais populosa que pertence à raça negra.

" estamos aqui nos templos osoosi e iasia para comemorar. O Templo de osoosi é onde começou a reunião (religiosa). A religião deve ser usada para pregar a paz e a unidade. Temos que fazer o que pregamos e a fundação deve ser sólida. Toda a raça negra deveria ver isso como a sua cultura e tradição. Temos que impulsioná-lo bem.

" não estamos escondendo nada. Estamos a pregar a paz, a unidade e a coexistência pacífica que é o problema de muitas sociedades em África. Acreditar na positividade da nossa religião ancestral vai ajudar a resolver todos esses problemas."

Ele narrou que a maioria das religiões do mundo tem ligações ancestrais, dizendo que a religião deve ser uma ferramenta para defender os oprimidos.

A Majestade Imperial explicou que uma daquelas coisas que fez o templo de osoosi único foi o socorro que as pessoas recebem quando o visitam.

Ele disse: " o guardião que osoosi usou foi chamado 'Ka a ka ki ki ki, ka fi enu re so le' em que o católico e o catholism vieram. É a congregação que levou ao cristianismo, ao judaísmo, ao hinduísmo e ao islão; muitas outras religiões começaram a partir daqui. É a casa de Deus. O que eles fazem aqui é cuidar das pessoas menos privilegiadas, dos oprimidos, dos oprimidos, e das pessoas que são baixas em espírito e que tem acontecido até a data.

" mas quando o ocidentalização veio, todas as culturas e tradições foram corrompido. As pessoas foram feitas para acreditar que não são coisas boas. O que fazemos basicamente é a natureza conduzida e queremos mostrar para o mundo que de fato tudo começou daqui.

" Osoosi veio a este mundo milhares de anos antes de Jesus Cristo e o profeta Muhammad (viu) veio. É uma das primeiras criações de Deus. Precisamos mostrar a nossa cultura, ninguém pode fazer isso por nós. Precisamos deixar o mundo inteiro saber."

Ele também comparou a característica de osoosi de não levar as crianças para a restrição do papa católico de casar.

" assim como osoosi destinado a não dar à luz as crianças, assim também são os papas no católico romano. Há muitas coisas boas da religião africana e as que em Roma não podem contestar," ele acrescentou.

Da parte dele, o obalesun iasia ajaguna, oba O.O. Dada, pediu aos nigerianos para valorizar o seu património tradicional e cultural, descrevendo a religião tradicional como o mais genuíno e não enganador.

" a nossa cultura é genuína, não-enganosa e é a origem de toda religião do mundo.
As multidões da terra
Alcança-se sempre a Deus (Olodumare) por congregação e suplicar, seja cristãos, judeus, hindus, muçulmanos
Adoradores ancestrais africanos etc.
Osoosi, um caçador habilidoso e guardião de iasia (a divindade da pureza e da sanidade), ele
Foi um irmão Júnior de Ogum (o Deus do ferro).
Osoosi tinha um escravo chamado
" Kato-Ka-ki-ki-ki-Ka-Fenu-e-Sole que pintou a casa de osoosi branca (Senndo) para retratar a pureza de Deus e entretido todos e diversos com canto e louvores ao todo-Poderoso Olodumare.

Sob Kato-Ka-ki-ki-ki-Ka-Fenu-e-Sole, a casa de osoosi tornou-se ponto de encontro de socorro para os oprimidos e os necessitados onde os frutos diários e o item alimentar foram livremente distribuídos. Essa foi a origem da filantropia e adoração congregacional de Deus na terra." oba O.O. Dada narrado.

Ele narrou mais ainda que antes de osoosi se transformar em uma pedra viva, ele tinha decretado isso
Kato-Ka-ki-ki-ki-Ka-Ka-e-Sole nunca se casará nem ter filhos, ele orou a sua casa sempre deve as multidões como uma eterna morada de ajuda e de descanso e que o nome osoosi será para sempre Conhecido em todo o mundo.

Rainha diambi kabatusuila do Kasai Reino da República Democrática do Congo também no festival lamentou que as pessoas de origem africana não estavam apreciando a sua cultura.

Ela disse: " estou aqui para me alegrar com os meus irmãos e irmãs para mostrar que todos os africanos são os mesmos. É importante apoiar a nossa cultura ancestral, para reanimá-la e mostrar que temos de ensinar os nossos filhos a acreditar na sua cultura, pois é no ancestral que podemos encontrar a solução para os problemas que a África está a ter hoje."

Ex-MD dos tempos diários e o jaagun oodua de Ile-Ife, o chefe tola adeniyi disse que esta celebração da religião africana é louvável, notável e capaz de preservar o nosso património como a fonte da humanidade.

Um arqueólogo, Dr. Adisa ogunfolakan, avisou que a ocidentalização não deve ser autorizada a corroer a rica cultura africana dizendo que existem evidências históricas que atestado que a cultura da África se praticado iria ajudar o desenvolvimento.

Agbaye yeyefini ebunbolade dos Estados Unidos disse que ela estava orgulhosa de se associar com a cultura africana, dizendo que suas marcas tribais eram sinal suficiente para indicar a sua origem apesar de ser americana.

Ela acrescentou: " estou aqui para mostrar a herança e a cultura dos afica. A origem do homem está aqui. É uma honra da natureza. Iasia é o grande que eu salve de e eu também trouxe um grupo de príncipes ".

Um turista americano Dr. Mike Lafason-Tim enquanto atende perguntas do jornalista disse que as pesquisas começaram a provar que o mundo realmente começou da África tropical, dizendo que ele e outros africanos negros estão tão orgulhosos do Turismo cultural de ooni ogunwusi.

" esta é a origem do culto trans-Congregacional e a doutrina humanitária das religiões mundiais, especialmente o cristianismo.

A Palavra Católica foi rastreada para o grego " Katholikos " que é provavelmente derivado da palavra yoruba " Kato-Ka-ki-ki-ki " como o ooni nos disse com razão e eu acredito nele enquanto a palavra " Igreja " foi cunhado de A palavra grega "Oikos" que pode também ter originado de
A PALAVRA YORUBA "Osoosi". Dr. Lafason-Tim acrescentou.

Um nigeriano nascido americano e vice-Prefeito da cidade de Newark Sr. Ugo Nwaokoro corroborou o Dr. Lafason-Tim dizendo que os americanos estão tanto em amor com ooni ogunwusi por unir os africanos a nível global através da sua revolução cultural de turismo que ele tem implacavelmente executado em sua só Um ano no trono.

Osoosi sendo uma divindade de filantropia e bondade, a edição deste ano foi clímax com distribuição de presentes como dinheiro e itens de comida pelo ooni que é o líder espiritual da raça yoruba a cerca de 1000 pessoas menos privilegiadas que eram principalmente viúvas e a Os mais velhos.

Assinado;
Camarada Moisés olafare,
Diretor, mídia e assuntos públicos,
O Palácio de ooni.

domingo, 21 de janeiro de 2018

AYAGBA ASABÓ

AYABÁ ASABÓ (Axabó)

Arà I' òkó Iáàyà Tobi fori òrisà.
"O Grande Orixá do orum "terra dos ancestrais vigia."

Itan.....

O culto de Sango é rodeado de Deidades femininas (Deidade não é Orixá, é um ancestral cultuado em assentamento apenas). Temos exemplos como a Avó de Sango "Iya Lakanjê", a mãe de Sango "Iya Masemalê", a tia de Sango "Iya Asabó", a mãe de Ayra "Iya Oloja", entre outras.
Aqui a história de Iya Asabó:

Sango não era um bom rei, era impiedoso e perverso.
Sango declarava guerra a torto e a direita, não havia paz nos arredores de Oyó, e por isso nenhum dos reinos vizinhos tinha simpatia por Sango.

Durante um longo período não houve chuvas em Oyó, e o calor das terras africanas fez as águas do reino secarem.
Sango então ordenou a seu general Ayrá que fosse em todos os reinos pedir ajuda, pedir que enviassem água ao povo de Oyó.
Ayra então foi de reino em reino reportando o pedido de Sango, e absolutamente todos os Reis negaram ajuda. Ayra não teve como argumentar, ja que ele mesmo havia atacado esses reinos por ordem de Sango.
A mãe de Sango era Iya Masemale, que era das terras Tapá, e nesse período a sua irmã veio visita-la, era a princesa Asabó.

Quando Ayra retorna com más notícias, o reino se desespera.
Asabó então toma as dores de seu sobrinho, ela empunha o Ose (machado) de Sango e vai até os reinos que Ayra havia visitado, e então convence um a um dos Reis a ajudar Oyó, pois era uma mulher muito firme em suas palavras.
Quando ela retorna, vem vitóriosa trazendo Água para todo o povo.

Asabó então é chamada de "O lado feminino de Sango", pois muitos a confundiam com o próprio Sango quando a viam vestida de vermelho e com o Ose nas mãos, ainda mais quando falava em seu tom de voz forte e severo.

Asabó era envolta no culto das mães ancestrais, e com o segredo das Iyami Osorongá ela confere a Ayra o poder de fazer chover. Desde então Ayra passa a traser a chuva para Oyó, acabando definitivamente com a seca.
Foi Asabó que trouxe água para Sango, e por isso os iniciados a Sango tomam banhos no recolhimento em honra a ela, a princesa Iya Asabo tia de Sango.

Asabo é um exemplo da força da mulher, ela sabia a responsabilidade de ser uma princesa Africana.

Sango faz questão absoluta de ter com ele todas essas mulheres, por isso quando se assenta Sango tambem se assenta asabo, ela representa as mulheres guerreiras de Oyó.

Kabiecile!!
"Saudamos a honrada família de Oyó!
Texto d'Tatà Citalânde"
        
                               · E káàró a todos Asé"