terça-feira, 15 de agosto de 2017

Osun iyanla

Ofo’sé - ( evocação para se livrar de bruxaria)

A gún oke sórè, béè ni enyin ti nsóró, ti e n f’ehìnkùnlè s’ójù ònàn.
Ajè aiyé, ajè òrún, e o gbogbo jè’gi érún.
Obó igi òwò.
Erán ki ijéwè osé.
Ajè ki ibà lè’gi Ajèogbalé.
Njé mo l’èiyé obá.
K’èiyé keiyé ma bá lè mi o, mo d’èiyé obá.
Àsé
Tradução
É o valente que provoca os problemas,você quem procura as dificuldades indo ao rio, você que é o causador de seus problemas
Os elementos da terra e do céu mandam você comer a madeira de érún.
Obó é a madeira venerada ,ninguém se banha do sangue ou se alimenta das folhas de Osé.
Nada é mais importante que a àrvore de Ajèogbalé.
Não permita que nenhum pássaro suba em mim ,Um rei não deixa nenhum pássaro pousar sobre ele.
oloje iku ike obarainan

Oya onira

ONIRÁ

A "Iansã Onira" é uma Iansã (Oiá Orixá) com algumas características diferentes do padrão do Orixá Yansã, como por exemplo o fato de ela se dar muito bem com Oxum, e até mesmo as cores Próprias - como são suas mais clarinhas e suaves, com tons de azul e rosa, coral e amarelo muitas vezes, diferente das cores fortes de Iansã como o vermelho. Nem por isso ela deixa de ser uma guerreira, e de ser agressiva e violenta.

Na verdade Onira orixá é um "independente". Acho que foi no Brasil que se ligou uma Iansã Onira, exatamente por ela ser guerreira também, e por ela ter os Eguns ligação com. Mas é uma mãe da água doce, como Oxum, daí a sua identificação com ela. Segundo a lenda, foi quem ensinou Oxum Onira um lutar.
Em Cuba, chega-se a associar um Onira Ogum.

ONIRA é uma ninfa das águas doces e seu culto aqui no Brasil é confundido com o culto de OYA (IANSÃ), por ser uma grande guerreira, também é saudada como a IANSA, pois existe uma afinidade entre as duas divindades, mas seus cultos não chegaram um fundirem-se. Seu culto na África era totalmente diferente.

Tem ligação com o culto um Egun, por sua ligação e laços de amizade com OYA. Também tem laços de amizade com OSUN, pois foi ONIRA quem ensinou OXUN OPARA (oxum que caminha com Oyá) um guerrear. É uma Òrìsà muito perigosa por sua ligação e caminhos com OSO Oya Onira.

Yansã Onira" - é uma qualidade de Iansã (Oyá)
Yansã Onira" -, é uma qualidade de Yansã (Oyá), guerreira, mas que é uma ninfa das águas doces, com ligação direta com o culto dos Eguns (almas). É a dona do "atori", uma pequena vara usada no culto de Oxalá para chamar os mortos na intenção de fazê-los participar da cerimônia. A função do "atori" é a de, assim que ao ser tocada batida no chão, que se faça o poder de fazer reinar a paz no local ou na vida de alguém e trazer-lhe abundância.

O "atori" também tem a força de mandar chover regularmente para trazer a prosperidade."Yansã Onira" deu a Oxaguiã o "atori" e seu poder de exercê-lo, além de ter lhe ensinado o fundamento e como usá-lo.
Em anos regidos por Oxaguiã, é preciso agradar muito a essa qualidade de Yansã para que ela permita que, através dela, Oxaguiã traga a paz e a abundância."Yansã Onira" é a mãe de criação de "Logun-Edé Apanan". Por isso, toda oferenda para essa orixá, deverá também ser oferecido um agrado a essa qualidade do orixá Logun-Edé."Yansã Onira" reina no mundo dos mortos e tem ligação direta com Obaluaiê e Ogum, sendo que sua ligação maior é com "Oxum Opará", que recebeu dessa qualidade de Yansã os ensinamentos para lutar e ser guerreira.

Foi "Yansã Onira" que ensinou "Oxum Opará" a lutar."Oxum Opará" ser tornou então, companheira inseparável de "Yansã Onira", comendo juntas no bambuzal ou nos rios e tendo aprendido os fundamentos dos Eguns.

Sendo assim, essa qualidade de Oxum, também tem relação direta com os Eguns (almas). Quando "Yansã Onira" e "Oxum Opará" se juntam, se tornam muito perigosas pois têm em dobro a força e a sabedoria dos guerreiros GUIÁN, Ogun e OBALÚWÀIYÉ. Veste o coral e amarelo, contas iguais.
oloje iku ike obarainan

Oya gbale de

Oyá Gbalè Dè

Oyá Logunerè /
:
O Nome do orixá Logunerè, significa em yorubá: “Da Guerra de Ere”, e Ere é uma cidade da Nigéria. Patrona dessa cidade, foi associada ao culto de Gbale e reconhecida como Oyá Igbalé De, aqui no Brasil, e também aos orixás: Ogun, Omolu, Logunédé e Ibeji. Além da arte da guerra, Logunerè conhece a caça e trás consigo um forte extinto materno, como podemos ver na lenda adiante.
É uma Divindade da Nacão Efon,conhecida também como:
" Oyá N'ifá Orô - A Senhora dos segredos da caça!"
Qualidade de Oyá/Yansã caçadora. Considerada qualidade de aspecto jovem, tem temperamento doce e alegre porém agitada, vingativa e guerreira.
Foi esta Oyá quem acolheu Logunedé quando este foi abandonado ainda
recém nascido por Oxum sobre folhas de Oxibatá na beira do rio. Foi ela quem o criou e ensinou a caçar.
Esta qualidade de Oyá/Yansã veste tons claros, principalmente rosa e azul
claro, traz espada (alfange), eruexim de pelos claro, chifres á tiracolo, e ofá.
Usa também peles e couro de animais na sua vestimenta.
Come acarajés feitos no azeite doce e no dendê, bichos claros ou avermelhados, alem de frutas e doces que também lhe podem ser oferecidos.
Gosta muito de flores.
Logunerè e o filho de Oxum:
Logunerè era uma moça simples que vivia em um vilarejo próximo a Ire, e a cidade de Ypondá, era uma excelente caçadora e também conhecia a mata e o poder das ervas medicinais. Ogum havia instalado naquela região uma guerra que seguia de Irè até Daomé, por onde passava conquistava, contudo deixava para trás um rastro de destruição. Então Logunerè e Omolu, iam de tribo em tribo ajudando os feridos. Em uma dessas missões, os dois andavam pela mata fechada próximo a Ypondá, cortando caminho entre uma aldeia e outra, e de longe ela viu um menino correndo, era Logunedé, que decidiu brincar com casa de abelha, literalmente, então ela em um estalo rápido pediu que Omolu, com suas palhas afastasse as abelhas do menino, e assim ele fez. Logunerè acalmou Logun e levou a até Oxum, que agradeceu a Omolu e também deu a ela uma abebé banhada no mais puro cobre e pediu que ela ensinasse ao menino como lutar, para que ele se defendesse, assim Logunerè cuidou da educação de Logun, e deu a ele a ofangi, que mais tarde ele usaria para lutar na guerra de Edé.
Roupas e Aparamentas:
Esse orixá usa as cores, coral, rosa, verde folha, carrega espada, ofá e uma abebé em forma de leque. Em suas aparamentas podemos coloca prata, búzios ou até mesmo mariwò desfiado.
Seus filhos:
São pessoas fortes e trabalhadoras, quando mulher, o extinto materno é muito forte. Em suas vidas eles aprendem sempre a lidar e cuidar de doentes. São sérios, introvertidos, e sempre procuram a razão para tudo, pois o amor sempre lhe causam feridas profundas. São pessoas que amadurecem muito rápido. São comprometidas com orixá e não tem medo de função. Tem poucos amigos, pois não conseguem demonstrar seus sentimentos com facilidade. São ótimos educadores.
oloje iku ike obarainan

Osun ijimum

[12/8 13:19] Bonyfacio: Oriki “Reza” de Oxum

Oxum Òpàrà
Yèyé Òpàrà !
Yèyé Opàrà !

Obìnrin Bí Okùnrin Ní Òsun
Oxum é uma mulher com força masculina.

A Jí Sèrí Bí Ègà.
Sua voz é afinada como o canto do ega.

Yèyé Olomi Tútú.
Graciosa mãe, senhora das águas frescas.

Opàrà Òjò Bíri Kalee.
Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.

Agbà Obìnrin Tí Gbogbo Ayé N'pe Sìn.
Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.

Ó Bá Sònpònná Jé Pétékí.
Que como pétékí com Xapanã.

O Bá Alágbára Ranyanga Dìde.
Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

Oxum Ieponda

Oliri Pa Koko Eni Pon
Poderosa, não empurre o povo de Iponda.

O Ri Onise Oba Ayi Kase
Ela recebe o mensageiro do rei sem respeitá-lo

O Je Dandan Oloran
Ela aceita as palavras do queixoso

O Fi Aja Wà Inu Eke Wò
Com sua sineta ela fura o ventre mentiroso.

Omo Olu Igbo Soki Redà Omo Ni
Não se pode carregar debaixo do braço o filho da mata de Iponda.

Oxum Ijumu

Osum Ijumu Olodó Ide
Oxun Ijumu, dona de um pilão de cobre.

OIya Ijumu Alaiye Ma Gun Odó Poro
Osun Ijumum não monta com vivacidade no pilão

Efon Tere Mò Gun Àiyé
POsun pode surgir subitamente no mundo.

Eyín Fe Ki Efon Ki O Na Mi
Vocês querem que Osun me castigues.

Eyín Fe O Fi Owo Ye Ko Mi Mò Ara
Deixem a criança rodear meu corpo com sua mãos

Owo Omo Ye Ki Dun Eni
A mão da criança é suave

Efon A Ke Ki Dun Enia
Osun é suave.

Efon Li O Ni Igbo Obi
Oxum é a dona da floresta de Obi.

Iwo Li O Ni Igbo Atare
A floresta de pimenta pertence a você

Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki
O pai vem ao pátio para que cresçamos e tenhamos vida
oloje iku ike obarainan
[12/8 14:15] Bonyfacio: Oxum Ijimu
Ijimú mora nas profundezas dos rios junto com Yá Ominibú. Na África o orixá Oxum é originalmente da cidade de Ìjimu, sendo este mais um de seus epítetos que tornou-se no Brasil uma qualidade do orixá. Hoje temos uma riqueza de atos iniciatórios muito grande a respeito desse caminho, onde a cultuamos como um aspecto mais velho, a própria personalização do mistério e da sabedoria do fundo dos rios. Ijimú, ou Ijumú, carrega os segredos da cabaça de Yámin Osorongá, por isso muitos egbomis dizem que não é iniciada na cabeça de homem, não que seja errado, mas esse filho não irá poder exercer uma das funções principais do axé do seu santo, que é defender o poder ancestral feminino.
Ijimú e a Mãe do Povo Jejê
Ijúmu é ligada ao povo carijébe, ou como chamamos o povo de jejê, diz uma lenda Oxum Ijimú teve vários filhos, assim era mestra no cuidados as crianças, e acabou por se tornar responsável pelos nascimentos de seu povoado, ia de casa em casa, com o tempo sua fama cresceu, em um período que o reino de Nanã foi atacado por Ogum e seu povo teve que ir para a guerra, Nanã pediu a Ijimú que cuidasse das crianças de sua tribo, então ela os colocou em uma grande cabaça e os levou para o fundo do rio, até que a grande guerra acabasse, por seus favores e pelo amor com que cuidou dos filhos do jejê, Nanã lhe ofereceu dois brajás de búzios e uma abebé de madeira, em forma de boneca, com a parte superior em forma de cabaça, como a ilustração abaixo, para que essa passagem nunca fosse esquecida.
Seus filhos
Seus filhos carregam a simpatia, educação e a sabedoria, são ótimos educadores. Magros e joviais carregam no olhar a sinceridade. A memória boa é marca registrada, sempre estão prontas a escutar e adoram um bom papo. Na sua maioria, são modesto, pra elas sem admiração não há amor. Tradicionais, tem tendência aguçada ao misticismo e as artes ocultas

Aganju isola

Ally Nebarack
18 de dezembro de 2014 ·
OBA AGANJÚ SÓOLÁ – O GRANDE

Este sempre tem sido um tema que gera controvérsias, alguns afirmam que Aganjú seria uma divindade totalmente distinta e outros acreditam que seja um “caminho” de Sàngó ou na polêmica classificação de “qualidade de santo”.
Em particular opino pela primeira opção, já que a iniciação e a consagração do noviço diferencia por demais das cerimônias de Sàngó, não somente nos ritos iniciáticos, assim como nos ritos de sacrifícios. Uma das mais expressivas diferenças estão no oferecimento de animais quadrúpedes, ou seja, à Aganjú se oferece o Òbúko Òdá – bode castrado; ao contrário de Sàngó que aprecia por demais o Àgbò – carneiro. Ambos pertencem a mesma “Família Real”, alimentam-se de Amalá - quiabos refogados, dançam ao som do ritmo Àlujá e ambos estão intimamente ligados ao elemento fogo.
Algumas cerimônias profundas à Aganjú se perderam no tempo, sobretudo na diáspora, ficando o que sobreviveu de seus ritos, em poder de um grupo bem reduzido de “antigas linhagens”. Muitas linhagens das quais não tem o devido conhecimento de seus ritos, quando o noviço pertencer à Aganjú, inicia e o consagra para Sàngó, a divindade mais próxima, porém este deverá ter “assentado” estas duas divindades.
sobre Aganjú:
...Aganjú – Divindade dos Vulcões... os mitos o descrevem como “O Gigante entre os Òrìsà... seria filho de Oro Iná divindade que em algumas regiões esta considerado como uma divindade masculina e em outras femininas, cujo o qual habita as câmera de magmas, situadas no interior da crosta terrestre... Os antigos o descrevem como “O Temível entre todos”... Divindade de caráter forte, tempestuoso, colérico e belicoso... As forças da natureza que lhe pertencem são representações de sua tremenda energia, como a potência dos rios que dividem territórios, a lava vulcânica que percorre a crosta terrestre, os terremotos e o impulso que faz a Terra girar em torno de seu eixo... Recebe o título de Òkèrè ao tornar-se esposo de Yemoja... Aganjú representando os raios solares, Olókun as águas salgadas e Olósa as águas doces, celebram um pacto entre eles, em manter o equilíbrio da atmosfera do planeta, afim de que seja possível o ciclo vital de todos os seres... Aganjú foi o quarto Aláàfin Óyó, embora existam mitos que o descrevem que ele reinou em Sakí, cidade vizinha de Ìséyìn a noroeste de Òyó... O reinado de Aganjú foi longo e próspero... Ele tinha o dom de domar animais selvagens e as serpentes venenosas... Dentro de seu palácio mantinha um Ekún – Leopardo, seu animal de estimação, sobretudo o simbolo da coragem, que costumara encostar seus pés como se fosse uma esteira, daí recebendo o epíteto de Ekùn Olóju Iná – Leopardo dos olhos de fogo e Ekún f'eninjú tànná – Leopardo de olhos fulgurantes... Foi o primeiro a agregar o patio na parte da frente de detrás do palácio para a celebração de ritos... Embelezou todo o palácio, ornamentou postes esculpidos em bronze, assim originando o costume de colocar colgantes como adornos de acordo com a ocasião festiva, contudo sendo um soberano de gostos muitos refinados...
Ibá re ooooo

LENDA DE AGANJÚ

AGANJÚ
Este Orixá representa tudo aquilo que sai. É a larva incandescente do vulcão, derramando-se de forma descontrolada sobre a terra, queimando e destruindo tudo o que encontra em seu caminho. É filho de Oroinã (a Voz do Vulcão) e de Arainã (O magma no interior da terra).
Está incluído na família de Xangô, embora não seja, na realidade, uma "qualidade" deste Orixá.
Encontramos num itan do Odu Iwori Meji, uma narrativa, segundo a qual, Aganjú, por não conseguir controlar sua incandescência, não podia aproximar-se de seus súditos para impor-lhes ordens e disciplina e, desta forma, seu reino vivia no mais absoluto caos, cada um fazia o que bem entendia e a desordem levava tudo à destruição inevitável.
Sabedor da existência de um poderoso monarca que não podia governar seu próprio reino, Xangô resolveu procurá-lo para colocar-se à sua disposição. Foi assim, que depois de dias incontáveis de viagem solitária, Xangô chegou ao reino de Aganjú.
Quando estava bem próximo, ainda no interior da floresta, Xangô ouviu vozes e, por medida de segurança tratou de esconder-se entre as árvores, para poder observar, sem ser notado, o que estava acontecendo.
Esgueirando-se, Xangô aproximou-se o mais que pode do local de onde provinham as vozes e viu, com grande espanto, um homem enorme, cujo corpo era constituído de larva incandescente.
Este estranho ser, deitado no colo de Oxun, vociferava, esbravejava e debatia-se furiosamente, enquanto a Iyagbá, jogando água sobre seu corpo em brasa, tentava acalmá-lo carinhosamente.
"Acalme-se – dizia Oxun – quanto mais zangado mais destrutivo você fica".
"Mas como posso ficar calmo se meu reino está numa desordem total?" Reverberava o gigante que, pelas características, Xangô já identificara como sendo Aganjú.

Foi então que, pressentindo a presença de um estranho. Aganjú bradou irritado:
"Quem está aí escondido entre as árvores? Mostre-se ou incendiarei tudo!"
Calmamente, Xangô saiu de seu esconderijo e, mostrando-se, falou: "Sou eu, Xangô, Rei de Oió!
"E quem te deu permissão para aproximar-se de meus domínios?" Perguntou Aganjú indignado.
"Permissão?" - Zombou Xangô – "e quem disse que eu preciso de permissão de alguém para ir onde me der vontade? Sou Xangô, rei de Oió e vou aonde quero e quando quero!"
Cada vez mais furioso, Aganjú respondeu: ‘Você não sabe a que perigo está se expondo com tanta ousadia! Sabe que posso transforma-lo em cinzas agora mesmo?"
"Transformar a mim, em cinzas? Mas como se posso, sempre que quero transformar-me em fogo? Logo se vê o quanto você é estúpido!"
E imediatamente, para espanto de Aganjú, Xangô transformou-se numa grande labareda.
"Está vendo? Também sou fogo, mas só quando quero." Mostrou o Orixá.
Sem nada entender, Aganjú, humilhado, limitou-se a perguntar:
"Afinal, o que você quer de mim? O que veio fazer no meu reino?"
"Vim oferecer-lhe ajuda"... – disse Xangô - ..."somente eu posso resolver os seus problemas".
"Mas como, resolver meus problemas?" Perguntou Aganjú novamente irritado.
Oxun, que a tudo assistia, limitava-se a jogar água sobre o gigante enfurecido, na tentativa de acalmá-lo. Divertia-se com a ousadia de Xangô e de alguma forma podia prever aonde o rei de Oió queria chegar.
"Não é verdade que o seu reino está em decadência devido a desordem que lá impera?" – perguntou o intruso – "Não é verdade ainda que sempre que você tenta se aproximar de alguém, para transmitir a sua vontade acaba incinerando o infeliz? "

"Sim, sim"... – balbuciou o outro, substituindo a ira pela curiosidade- ..."mas, de que maneira você pode em ajudar?"
"É muito simples" – afirmou Xangô, sentando-se sobre o que restava de um tronco de árvore calcinado por seu interlocutor. – "Basta que façamos um acordo que, diga-se de passagem, é muito mais interessante para você do que para mim".
Desconfiado, Aganjú perguntou: "Que tipo de acordo?"
"É simples..." - continuou Xangô - ...como você mesmo viu, posso, como você, transformar-me em fogo vivo. A diferença está no fato de que tenho absoluto poder de controle sobre este fenômeno, ao contrário do que acontece com você, que não consegue controlar o seu próprio poder. Desta forma, se me for dada autorização, poderei transmitir sua ordens aos seus súditos, sem causar-lhes nenhum dano."
O Filho do Vulcão pensou um pouco e, novamente acometido pela desconfiança, pediu uma explicação:
"Mas o problema é só meu e do meu povo... qual é o seu interesse em colocar meu reino em ordem?"
Brincando com seu machado de lâmina dupla, Xangô continuou em sua explanação.
"Sou rei de um país vizinho e temo que a desordem existente em seu reino alastre-se por toda a vizinhança e chegue aos meus domínios como uma doença contagiosa. É por isto que resolvi oferecer-lhe ajuda. Nenhum outro interesse, a não ser o de manter a segurança de meu próprio reino me traria diante de você".
Oxun, que já entendera as verdadeiras intenções do rei de Oió, limitava-se a esboçar um sorriso misterioso e mal disfarçado. Conhecia a fama de Xangô, sabia o quanto era astuto e que, por traz de tudo o que afirmava o visitante, alguma outra intenção estava escondida.

"Pois bem.. - disse Aganjú - ... e de que forma pagarei pelos seus serviços. Quanto me custará a intermediação que você me propõe fazer entre meu povo e seu rei?"
"Nada! Não lhe custará absolutamente nada!" - Afirmou Xangô desviando o olhar dos olhos abrasadores de Aganjú – Apenas exigirei que você passe a usar as mesmas insígnias que eu uso. Deves, a partir do momento em que nosso trato for oficialmente formalizado, adotar os mesmos símbolos que me representam e que, a partir de então, passarão também a representá-lo. O Oxe, machado de lâmina dupla, o xeré, chocalho que imita o ruído do trovão, fenômeno que também domino serão, a partir de então, símbolos comuns a nós dois.
Desta forma, seu povo, ao ver em minhas mãos as mesmas insígnias usadas por você, não contestará a minha autoridade e, reconhecendo os atributos, acatarão as ordens que a eles eu irei transmitir."
"Qual é a sua opinião Oxun?" Perguntou Aganjú à Iyagbá que já o deixara sozinho indo sentar-se ao lado de Xangô.
"Acho que é uma boa proposta e que você não pode perder esta chance de salvar seu país da destruição."

Enquanto expressava sua opinião, Oxun acariciava, maliciosamente, as tranças que adornavam a cabeça do Obá de Oió.
De um salto, Aganjú pôs-se de pé, no que foi imitado por Xangô. Aproximando-se pacificamente de seu novo aliado, abraçou-o com força enquanto dizia solenemente:
"Aceito a sua ajuda e comprometo-me, a partir de hoje, a usar os símbolos do seu poder."
Depois de retribuir o abraço do novo aliado, Xangô entregou-lhe um xeré e um oxe, partindo em seguida em direção ao reino de Aganjú onde, através do pacto formalizado, passaria a reinar, impondo suas leis e ordens, independente da vontade de seu legítimo rei.
É por isto que Aganjú usa as mesmas insígnias de Xangô que, usando de astúcia, assumiu, com o seu consentimento, o domínio sobre o seu povo.
oloje iku ike obarainan

Ogan

OS OGÁNS

OGÁN, nome genérico para diversas funções masculinas dentro de uma casa de Candomblé.

Ogan Apontado, pessoa apontada como possível candidato a Ogán. Equivalente ao Ogán suspenso.

Ogan Suspenso, pessoa escolhida por um Orixá para ser um Ogán, é chamado suspenso, por ter passado pela cerimônia onde é colocado em uma cadeira e suspenso pelos Ogáns da casa, significando que futuramente será confirmado e passará por todas obrigação para ser um Ogán.Nessa primeira coluna falaremos sobre a importância dos ogáns nos rituais religiosos de candomblé. Começaremos deixando bem claro que os ogáns nao são concorrentes dos babalorixás e sim aliados fieis.

São pessoas que não têm a capacidade de incorporarem o Òrìxà, ainda assim, são filhos de muita fé, sem em nenhum momento duvidar da existência dos orixás pelo fato de não sentirem o êxtase do transe mediunico. Foram escolhidos pelos orixás para seus filhos e, como tal, eles devem apresentar-se numa casa de Òrìsà.

Uma vez aceitos e devidamente entronizados na casa com seus devidos cargos (oyes), eles devem enquadrar-se antes de tudo como um filho do Òrìxà, atendendo também aos critérios e normas que cada casa de axé impõe aos seus filhos no regimento interno, depois é que vêm as prerrogativas e "status " do Ogán .São suspensos e depois confirmados, receberão todas as obrigações necessárias, para o exercício de suas atribuições dentro de seus respectivos ile´s.

Ocupam vários cargos da casa de Òrìxà. Os mais conhecidos são.

ONÍÌLU, tocadores de atabaques.

ALAGBÈ, o chefe dos tocadores de atabaques, é o Ogan responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados Atabaques. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar no terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens..AXÒGÚN, é um sacerdote, um dos cargos mais importantes e de muita responsabilidade, ele é um especilista no que faz, é o Ogan encarregado do sacrifício dos animais votivos nas cerimônias do Candomblé Ketu.Deve ser pessoa de absoluta confiança do lider religioso, precisa ter boa memória, saber as técnicas complexas para a execução de suas tarefas, não pode cometer nenhum erro.
Dependendo do prestígio do Axogun, poderá ser convidado por outros sacerdotes de outras casas para exercer suas funções em caso de grandes obrigações.

AFICODE, que deve referencia ao quarto de oxossi chefe do Aramefa
(quadro de ogans do quarto de oxossi composto por seis ogans)

PEJIGÁN, O responsavel pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia, zela e guarda o PEJI.

LEHIN, responsável pela manutenção dos quartos de oxossi e ogun.

BABA MOROTONAN, responsável por tudo que envolver o quarto de omolu etc.

Oportunamente falaremos de cada um deles e de outros que não foram citados, para que nós, nos familiarizemos com nossos queridos irmãos ogáns.

Obs. Na falta de um ogán, ou se desejo for do babalorixá, ele esta autorizado a dar continuidade e fazer ele mesmo os sacrifícios dos rituais, outrem feitos pelos ogans.

Não podemos esquecer dos ATABAQUES, principais instrumentos da música do Candomblé, cuja execução é também de responsabilidade dos Ogáns.

São de origem africana, usados em quase todos rituais afro-brasileiro, típicos do Candomblé e da Umbanda e de outros estilos relacionados e influenciados pela tradição africana. De uso tradicional na música ritual e religiosa, são empregados para convocar os Orixás.
O atabaque maior tem o nome de RUM o segundo tem o nome de RUMPI e o menor tem o nome de LE.
Os atabaques no candomblé são objetos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos Afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.
As membranas dos atabaques são feitas com os couros dos animais que são oferecidos aos Orixás, independente da cerimônia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados, o couro que veio da loja geralmente é descartado, só depois de passar pelos rituais é que poderá ser usado no terreiro.
O som é o condutor do Axé do Orixá, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Orixás, são sinfonias africanas sem partitura.
Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo RUM (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no RUM que o Orixá vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o RUMPI e o LE.
Essa é a diferença entre o atabaque do candomblé e do atabaque instrumento musical comprado nas lojas com a finalidade de apresentações artísticas, que normalmente são industrializados para essa finalidade.
oloje iku ike obarainan

Aje saluga

Culto Antigo - O . D . Ú
Desde 18/02/2015

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Capa
riqueza, ajé, salunga, ouro,felicidade, orixá, asé,
Ajè Saluga simboliza para o Povo Yorubá o poder de Ganhar e Obter dinheiro para uma
vida sem dificuldades e com prosperidade extensiva a toda a familia.

Orisá / Orisa



Por: Paulo Ganga
09/04/2015


Ajè Saluga

A Dêusa da Riquêza

Ajè Saluga simboliza para o Povo Yorubá o poder de Ganhar e Obter dinheiro para uma
vida sem dificuldades e com prosperidade extensiva a toda a familia.
É um orixá cultuado em todo o Panteão africano e nas Américas por Babalorixás e
Babalawos, esses líderes espirituais, quando se defrontam em jogo com uma situação
precária de vida do filho ou cliente que os procura, aconselham apropriadamente a estes
que façam o ASSENTAMENTO DE AJÈ SALUGA.
É um fundamento que poucas casas de santo conhecem ou cultuam, para Assentar Ajè
Saluga faz-se necessário ter os seus 4 fundamentos também assentados, para que se
consiga atingir os intentos, mudar o destino, consagrar todo o ritual e atingir o objetivo
que é o de prosperar quem o cultua.
Os 4 Fundamentos necessários para se ter Ajè Saluga são:

Esú Odará
Orunmilá
Osanyín
Igbá Ori

O iniciado que não tiver esses 4 assentamentos amarrados aos orôs de Ajè, com certeza
não terá canalizado para si os poderes de Ajè Saluga.
Faz-se necessário ainda que esses Orixás estejam dispostos da seguinte forma na
arrumação do Ojubó :
Orunmilá ao centro, Esú Odará a esquerda, Osanyín a direita, Igbá Ori a frente e o
assentamento de Ajè esteja a frente do Igba Ori e abaixo, significando o caminho daquela
pessoa e o que está no por vir dela.
Ajè é um Orixá do sexo feminino e tem seu poder em mejí ao centro de tudo, vive
cercado de uma outra quantidade de peças importantes e primordias para o seu devido
encantamento.
Após longo Ritual de Consagração desse Igbá Ajè Saluga, com Rezas, Cânticos e
Sacrifícios é entregue então ao seu novo Cultuador o Igbá Ajè, só quem manuseia e trata
de Ajè é a pessoa que o recebeu, corre-se o risco de se perder tudo quando este Orixá é
cuidado por outra pessoa que não a recebeu.
Devido a esse Tabú, não se deixa ninguém que não seja de nossa inteira confiança entrar
no local onde Ajè está assentada.
Ajè Saluga vive numa Sopeira ou pote grande de louça subdividida de características
especiais, é um orixá de coisas frescas e preciosas.
Poucas pessoas o tem justamente devido ao gasto para assenta-lo.
Geralmente Babalorisas, Iyalorisas, Babalawos, Iyanifás, Apetebis, Comerciantes,
pessoas de grande poder aquisitivo que conseguem assenta-lo devido ao custo em
adquirir o material para assenta-lo.


Culto Antigo - O . D . Ú

Responsável: Paulo Ganga
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Jornal online



Oòsà Ojà & Aje Sàlugá

A palavra Ajè pode ser traduzida como Progresso para você, Sucesso para você e Que aquilo que você espera de seu trabalho se concretize.

Ajè Ògúgúlùsò significa:

Ajè Senhora da morada da sorte e das realizações do homem, Senhora do paraíso da riqueza.

Ajè é um òrìsà paciente, próspero, fértil, longevo, sábio, harmonioso, generoso, tolerante, justo e protetor da riqueza do homem (em todos os sentidos), atraindo dinheiro a quem a cultua.

Protetora do progresso defende as pessoas da inveja e de forças invisíveis que impeçam seu desenvolvimento econômico. Favorece o uso sábio do dinheiro e protege as pessoas de receberem “mau dinheiro”, advindo de pagamentos realizados de má vontade ou com raiva.

No Odù Ifá (Odi méjì) ele está nos dizendo sobre Odi fazer amor com a Chefe das mulheres do mercado que é um Òrìsá chamado Oòsà Ojà, que está ligada a divindade Ajè Sàlugá (omo Olókun Sèníadé), esta divindade é um Òrìsá funfun, fala sobre dinheiro e riqueza, o ìgbà deste Òrìsá – Oòsà Ojà – geralmente está localizado no centro do mercado coberto com pano branco, o chefe ou líder de cada mercado é uma mulher cujo titulo é Ìyá lojá ou Ìyá lajé, todos os mercados são geralmente governados por Aje Sàlugá como a divindade que rege o mercado.

Òrìsá Oya detém uma posição importante no grande mercado é muito popular em Òyó até os dias de hoje com base na posição que ocupou no antigo e histórico mercado de Òyó em Koso.

Temos vários versos de Ifá, que dão referência a Oòsà Ojà e Aje Sàlugá como indicado abaixo:

Odi Méjì diz:

Depois de desfrutar e fazer amor com Oòsà ojà,

Outros também queriam fazer amor com ela,

Quando todos ficaram contentes,

Eles começaram a cantar,

Dizendo Oòsà ojà não nos deixar ir,

Doce mel não nos permita deixar o mercado,

Doce mel, (insinuando para a tentação de permanecer no mercado ou se sentindo obrigado a ficar e possivelmente gastar mais dinheiro do que o esperado).

Em algumas cidades onde o culto desta divindade é maior, todas as jovens vão ao mercado, como parte dos ritos de passagem para mulheres jovens, esta é a divindade primordial que tem os rituais realizados, ela simboliza a riqueza, a prosperidade e a fertilidade da mulher.

Ajè se sente (defecar) em minha cabeça (me abençoe com dinheiro, quando se anda na rua e um pombo defeca em você dizemos que é uma bênção de dinheiro),

Quem toca Ajè se torna ‘humano’ (fértil).

Aje dormiu na minha cabeça, quem toca Ajè (recebe bênçãos) age como uma criança (alegria de “ganhar na loteria”).

Ajè eleve-me como um rei (me dê dinheiro / filhos, me faça uma pessoa importante na vida).

J.K. Olupona

Aqui está outro exemplo de como Oòsà Ojà é mencionada em Ifá, quando se fala sobre uma pessoa que está tentando receber uma bênção e foi a tantas divindades pedir apoio e fez muitas ofertas sem resultado e as oferta não foram aceitas.

Ele disse que não sabia que o pai deles é o Egungun da própria casa.

Ele disse que conhecia a mãe que é a deusa do mercado (Oòsà Ojà).

Orí disse que não sabia que ela era a cabeça (Chefe) deles.

E que Ilé é a terra (outra divindade).

Ele não sabia que ele era chamado Olúbòbò-tiribò.

Bàbá ebo (outra divindade mencionada mais a frente).

Mais uma vez, isso nos dá o exemplo de que Ajè Sàlugá governa sobre a maior parte das coisas que gostamos na vida, a saber, as coisas que ela representa (o dinheiro, os filhos e a fertilidade na mulher).

O rei que reside no interior do profundo e majestoso esplendor é o nome de Olókun Sèníadé (portador da coroa mais antiga).

O rei de todo o prazer é o nome de Ajè Sàlugá.

Òsé Gobi, Gobi Ìwòrì adivinhava para Ajè Sàlugá.

O primeiro nasceu de Elépo (pai).

Este último exemplo de Ajè Sàlugá mostra a sua conexão com o mercado ao ar livre, conhecido como um local de encontro e com muito movimento e fluidez, até hoje o mercado é um indicador chave para a economia local.

Esse versículo mostra como essa troca de bens por dinheiro (que às vezes nem sempre é rentável) no final acaba colhendo benefícios.

Odù Ifá Eji Ogbè diz:

A Terra é negra e sempre será negra.

O solo é escuro e sempre escuro.

Torrentes são sempre muito tempestuosas.

Estes foram os nomes do Áwo que adivinhavam para Ajè Sàlugá (a riqueza)

Que é incerto como o oceano.

Os mesmos adivinhos lançaram Ifá para Obìnrín (natureza feminina)

Que é inconstante como o mar.

O mesmo foi declarado para omo (descendência).

Firmes no apoio como pedras no leito do rio.

Eles disseram:

Riqueza pode ir e vir

O mesmo acontecerá com as mulheres.

Mas filhos continuam a linhagem para a continuidade da terra (Olóye Agbolá)

Por Áwo Faloju

Uma de suas lendas a tem como filha de Aládi, uma das esposas de Olókun (em território nigeriano Olókun tem dupla sexualidade, uma vez, reconhecido como energia masculina e outra energia feminina, isto depende da região).

Ajè Sàlugá ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos nigerianos (que consultam Ifá e fazem ebo de prosperidade no inicio do ano novo yorùbá), é uma divindade muito cultuada entre o povo yorùbá, pois se trata de um òrìsá que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Ajè é um òrìsá feminino, considerada irmã mais nova de Yemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itan de Ifá foi revelado.

Neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam.

Havia uma menina muito feia que diziam ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes Ifá como sempre muito generoso, a aceita dentro de sua casa e deu a ela o pouco do que tinha para comer e um lugar para descansar.

Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar. Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina, mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá: Em minha casa estou acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, branca, de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou:

“Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje eles estão revelados!”

Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Ajè Sàlugá. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajè havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.

Ajè tem seu igbá arrumado de forma individual, não podendo ter finalidade de Ojugbó, é pessoal e intransferível.

Conchas, caracóis e outros apetrechos são os instrumentos sacralizados que fazem parte de seu igbá.

Oríkì Ajè.

Aki beru loruko ti a npe Ifá

Akiberu loruko ti a npe Odù

Olómo sawe loruko ti a npe Ajè

Ajè ko yawa je ni ile mi o.

Não tenha medo, é o nome de Ifá.

Não tenha medo, é o nome de Odù.

A mãe de Sawe é chamada Ajè (riqueza)

Ajé venha e coma na minha casa.

Ajè venha e esteja comigo em minha vida.

Àse
[11/8 09:06] Bonyfacio: Ajè ò venha e faça a riqueza multiplicar em nossa vida. Adupé Boni, há muito procuro o conhecimento que me levará a ter esse asé.  Ajè Salugá lhe prospere.
[11/8 09:06] Bonyfacio: Uma das divindades mais importantes na compreensão do Culto Yorubá é o Orí. Uma pessoa sem uma cabeça é uma pessoa sem direção. A cabeça é o primeiro a entrar no mundo na maioria dos casos, e é o domicílio de todas as escolhas. Em muitas sociedades africanas, a cabeça é tão importante que ela é adorada como a sede da personalidade e destino do ser humano. A cabeça é considerada o receptáculo de idéias, opiniões, emoções e está ligada ao destino e sorte de cada pessoa. “A origem ou a fonte de todo orí seria o Deus Supremo – Olódùmarè - ou o Grande Orí, do qual todo Orí deriva, visto que ele é, na verdade, o doador de todo Orí “. O conceito de Ifá sobre Orí é a integração do pensamento e da emoção que gera um Orí positivo ou de sabedoria.
O Orí está dividido em Orí Inú que é a Cabeça Interna ou Destino e Orí Òdé que é a Cabeça Física.
ORÍ ÒDÉ – a cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro, sistema nervoso central, olhos, ouvidos, etc.) e também pela personalidade e intelecto que resultará da interação daquele corpo com Orí Inú (cabeça interna).
ORÍ INÚ - a cabeça interna é a nossa personalidade divina, ou nosso “eu verdadeiro”, ou nosso “eu supremo ou superior”. Em resumo, nossa alma.
Todos os òrişá têm que respeitar a vontade e o livre arbítrio de Orí. Sempre, quando se inicia um culto, os devotos têm que tocar a terra com a testa como um ato de respeito ao primeiro Orí, a ancestralidade e a onilé de onde o orí foi formado e moldado por Ajalá, Obàtálá. Orí é o Deus portador da individualidade de cada ser humano. Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa. Orí é cultuado como uma Divindade e é única e individualizada, devendo ser cultuado e tratado. A habilidade do Orí de receber o Aşé (poder) do òrişá é uma função da ressonância interior do Orí em si. O Aşé de um òrişá que existe no Orí de um individuo pode atrair a força desse òrişá através de uma experiência chamada incorporação (transe) ou intuição forte, que se dá a partir de um processo iniciático.
Tão importante é a cabeça em muitas sociedades africanas que ela é adorada como a sede da personalidade e destino do homem
ALIMENTO A CABEÇA - BORÍ
À cerimônia de equilíbrio do Orí dá-se o nome de Borí (bó = alimentar, Orí = cabeça => alimentar a cabeça, alimentar a alma, fortalecê-la). Borí – alimentar o Orí é um ritual que tem por finalidade a restauração do equilíbrio entre Orí Òdé (cabeça física) e Orí Inú (alma, o eu superior). Tendo Orí status de òrişá, responde no oráculo. Todas as oferendas que alimentam o Orí são ditadas pelo oráculo - mas sempre com o consentimento do próprio Orí - na qualidade e quantidade adequadas ao momento e situação. A energia de um òrişá só é fixada se o Orí permitir. Como todas as possibilidades de sucesso ou fracasso dependem do Orí, o Borí é o rito especial que propicia a sua positividade. A sua finalidade é, através de manipulação do aşé, proporcionar ao Orí, o ponto de equilíbrio ideal para a sua auto-realização. Na religião yorubá o Orí é preparado para atuar com discernimento nos constantes conflitos com que se deparam o espírito – Ori Inú – e a matéria – Ori Òdé, no decorrer da sua existência terrena.