quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Oiye, cargo, posto das religiões de matriz africanas

Hierarquia das religiões afro-brasileiras

Hierarquia no Culto de Ifá
1. Babálawó ou Iyánifá Sacerdote do Orixá Orúnmilá-Ifá do Culto de Ifá.
Após duas iniciações ("Mãos"), e sob a obediência a rígidos códigos morais, o Babálawó recebe o direito de utilizar o Opele-Ifá (ou Rosário de Ifá) e os ikins (sementes de dendezeiro - igui ope, em yorubá). O Merindilogun (Jogo de búzios) é franqueado também às Iyápetebis (Mulheres iniciadas a Ifá) e aos Awófakans (Aqueles que receberam a "primeira mão"). Alguns Babálawós recebem o título de Oluwó. Ver: Ifá

Hierarquia no Culto aos Egungun
Masculinos:
1. Alapini (Sacerdote Supremo, Chefe dos alagbás),
2. Alagbá Sacerdote (Chefe de um terreiro),
3. Ojê (iniciado com ritos completos),
4. Ojê agbá (ojê ancião),
5. Atokun (ojê que guia de Egum),
6. Amuixan (iniciado com ritos incompletos),
7. Alagbê (tocador de atabaque).
Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun, Ojê ladê, Exorun, Faboun, Ojé labi, Alaran, Ojenira, Akere, Ogogo, Olopondá.
Femininos:
1. Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens),
2. Iyá egbé (lider de todas as mulheres),
3. Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá),
4. Iyá erelu (cabeça das cantadoras), erelu (cantadora),
5. Iyá agan (recruta e ensina as ató), ató (adoradora de Egun).
Outros oiê: Iyale alabá, Iyá kekere, Iyá monyoyó, Iyá elemaxó, Iyá moro.
1. Assogba Supremo sacerdote do culto de Obaluaiyê
2. Babalosanyin: Responsável pela colheita das folhas.

Hierarquia no candomblé Ketu:
1. Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.
2. Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira.
3. Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia.
4. Iyalaxé (mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual.
5. Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados.
6. Babakekerê (homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados.
7. Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação.
8. Iyamorô: Responsável pelo Ipadê de Exú.
9. Iyaefun / Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iyawos.
10. Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô.
11. Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-de-santo.
12. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando.
13. Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas.
14. Aiybá: Bate o ejé nas obrigações.
15. Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê.
16. Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
17. Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar recolhido.
18. Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
19. Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia.
20. Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Trabalha em conjunto com Iyalorixá / Babalorixá, iniciados e Ogans. Não pode errar. (não entram em transe).
21. Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.
22. Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe).
23. Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho).
24. Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição)
25. Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado entra em transe com o Orixás).
26. Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.

Hierarquia do candomblé Jeje:
No Jeje-Mahi
1. Doté é o sacerdote, cargo ilustre do filho de Sogbô
2. Doné é a sacerdotisa, cargo feminino, esse título é usado no Terreiro do Bogum onde também são usados os títulos Gaiaku e Mejitó. similar à Iyalorixá
Os vodunsis da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviungo, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné
No Jeje-Mina Casa das Minas
1. Toivoduno
2. Noche
No Kwé Ceja Houndé
• Gaiaku, cargo exclusivamente feminino
• Ekede
Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = "altar sagrado" e Gan = "senhor". O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e Lé são Jeje.

Hierarquia do candomblé Bantu:
Títulos Hierárquicos Bantu, Angola, Congo
• 1 - Tata Nkisi - Zelador.
• 2 - Mametu Nkisi - Zeladora.
• 3 - Tata Ndenge - pai pequeno.
• 4 - Mametu Ndenge - Mãe pequena(há quem chame de Kota Tororó, mas não há nenhuma comprovação em dicionário, origem desconhecida).
• 5 - Tata NGanga Lumbido - Ogã, guardião das chaves da casa.
• 6 - Kambondos - Ogãs.
• 7 - Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.
• 8 - Tata Kivanda - Ogã responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).
• 9 - Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças.
• 10 - Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida dacasa de exú (de preferência homem, pois mulher não deve cuidar porque mulher mestrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não mestruar mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança).
• 11 - Mametu Mukamba - Cozinheira da casa, que por sua vez, deve de prefer~encia ser uma senhora de idade e que não mestrue mais.
• 12 - Mametu Ndemburo - Mãe criadeira da casa(ndemburo = runko).
• 13 - Kota ou Maganga - Em outras nações EKEJI (todos os mais velhos que já passaram de 7 anos, mesmo sem dar obrigação, ou que estão presentes na casa, também são chamados de Kota).
• 14 - Tata Nganga Muzambù - babalawo - pessoa preparada para jogar búzios.
• 15 - Kutala - Herdeiro da casa.
• 16 - Mona Nkisi - Filho de santo.
• 17 - Mona Muhatu Wá Nkisi - Filha de santo (mulher).
• 18 - Mona Diala Wá Nkisi - Filho de santo(homem).
• 19 - Tata Numbi - Não rodante que trata de babá Egun(Ojé).
Sacerdotes na África
BANTU (ANGOLA-KONGO).
• Kubama..................adivinhador de 1a categoria.
• Tabi....................adivinhador de 2a categoria.
• Nganga-a-ngombo.........adivinhador de 3a categoria.
• Kimbanda................feiticeiro ou curandeiro.
• Nganga-a-mukixi.........sacerdote do culto de possessão (Angola).
• Niganga-a-nikisi........sacerdote do culto de possessão (Kongo).
• Mukúa-umbanda...........sacerdote do culto de possessão (Angola-Kongo).
Divisão Sacerdotais no Brasil
Angola - língua quimbundo - Kongo - língua quicongo
• Mam’etu ria mukixi......sacerdotisa no Angola.
• Tat’etu ria mukixi......sacerdote no Angola.
• Nengua-a-nkisi..........sacerdotisa no Kongo.
• Nganga-a-nikisi.........sacerdote no Kongo.
• Mam’etu ndenge..........mãe pequena no Angola.
• Tat’etu ndenge..........Pai pequeno no Angola.
• Nengua ndumba...........mãe pequena no Kongo.
• Nganga ndumba...........pai pequeno no Kongo.
• Kambundo ou Kambondo....todos os homens confirmados.
• Kimbanda................Feiticeiro, curandeiro.
• Kisasba.................pai das sagradas folhas.
• Tata utala..............pai do altar.
• Kivonda.................Sacrificador de animais (Kongo).
• Kambondo poko...........sacrificador de animais (Angola).
• Kuxika ia ngombe........Tocador (kongo).
• Muxiki..................tocador( Angola).
• Njimbidi................cantador.
• Kambondo mabaia.........responsável pelo barracão.
• Kota....................todas as mulheres confirmadas.
• Kota mbakisi............responsável pelas divindades.
• Hongolo matona..........especialista nas pinturas corporais.
• Kota ambelai............toma conta e atende aos iniciados.
• Kota kididii............toma conta de tudo mantém a paz.
• Kota rifula.............responsável em preparar as comidas sagradas.
• Mosoioio................as (os) mais antigas.
• Kota maganza............título alcançado após a obrigação de 21 anos.
• Maganza.................título dado aos iniciados.
• Uandumba................designa a pessoa durante a fase iniciatória.
• Ndumbe..................designa a pessoa não iniciada.

Pureza Nagô
Mundicarmo Ferretti em "Pureza nagô e nações africanas no Tambor de Mina do Maranhão" escreve: "Os terreiros de religião de origem africana mais identificados com a África geralmente constroem sua identidade tomando como referência o conceito de “nação”, que os vincula ao continente africano, à África negra, através de uma casa de culto aberta no Brasil por africanos antes da abolição da escravidão (“de raiz africana”). No campo religioso afro-brasileiro, os terreiros Nagô mais antigos e tradicionais da Bahia foram considerados, tanto por pais-de-santo como por pesquisadores da área acadêmica, como mais puros ou autênticos e sua “nação” como mais preservada e/ou organizada. A partir do que foi convencionado na Bahia como “nagô puro”, têm sido avaliados terreiros nagô de outros estados das mais diversas denominações: Candomblé, Xangô, Mina, Batuque e outras. Analisando a questão da “pureza nagô”, Beatriz Góis Dantas (Dantas, 1988), apoiada em pesquisa realizada em Sergipe, mostra que, apesar da hegemonia do Candomblé nagô da Bahia na religião afro-brasileira, os indicadores de autenticidade africana ou “pureza nagô” adotados na Bahia nem sempre são os mesmos de outros estados e que traços muito valorizados no Candomblé da Bahia podem ser desvalorizados ou até rejeitados em terreiros de outras localidades."
A quase extinção
Fernandes, Gonçalves - autor do livro Xangôs no Nordeste, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1937, também é autor do livro O Sincretismo Religioso no Brasil, São Paulo, Guairá, 1941, que fala sobre a noite de 1 de fevereiro de 1912 nas ruas da cidade de Maceió onde houve cenas de muita violência, com a invasão e destruição dos mais importantes terreiros de Xangô de Alagoas.
O Sítio de Pai Adão foi tombamento pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE[1], e todo o conhecimento foi transmitido sucessivamente a Obalonein, Fatemi e Oluandê, para que finalmente fossem passados em Belford Roxo a Osunaloji (Pai Milton), que zela pela conservação e manutenção dessa tradição recebida, no Ilê Axé Agawere Xapanan. Em seu ilê (casa), cujo orixá patrono é Iemanjá, as novas gerações de filhos de santo recebem dele todo esse rico arsenal de cultura afro-brasileira, com fundamento na nação Nagô-Egbá. Liderado hoje por Manuel Papai e Maria das Dores ja falecida, juntamente Pai Raminho de Oxossi que incentiva os desfiles de Maracatu no Carnaval do Recife[2].
No Maranhão, a Casa Fanti Ashanti, em São Luís, nação Jeje-Nagô, babalorixá Euclides Menezes Ferreira (Talabian), (de Oxaguian c/Oxum) e Mãe Isabel de Xangô com Oxum. A raiz é do Sitio de Pai Adão, Nagô do Recife.
Em São Paulo, a iyalorixá Maria das Dores Talabideiyn deixou a seu filho Pai José Alabiy (José Gomes Barbosa), babalorixá do Ilê Axé Ajagunã Obá Olá Fadaká, a tradição Egbá, passada à sua filha Oya Dolu (Lorena de Santiago) iyalorixá do Ilê Axé Oya Tundê, juntamente com Baba Alajemi (Nilso Jorge Júnior), onde também se preservam os mais antigos fundamentos do Nago-Egba. Entre outros, destaca-se a iyalorixá Valdecir de Obaluaye que, sendo filha-de-santo de Osunalogi, traz consigo a tradição e cultura dessa grande raíz.

Ajala o modelador de ori

19 de março de 2015 ·
Àjàlá Mopin – O modelador de Orí

Afùwàpé, aquele que soube escolher o melhor Orí

Orí é a cabeça que norteia todos os seres-humanos e “Apéré” é seu suporte, por essa razão, sempre que louvamos Orí, evocamos também o seu suporte “Orí Apéré-oooooo!”, bem como o Orí Inú (encéfalo) “Orí Inú-oooo!” .

Acreditamos que “Àjàlá Mopin” é a Divindade à qual Olodúnmarè atribuiu a responsabilidade de “modelar” o Orí das pessoas. Muito embora Àjàlá seja habilidoso na “arte de moldar cabeças”, por vezes ele comete erros e então surgem os “Orí Buruku”, que são as “cabeças defeituosas”. Cremos que mesmo antes do nascimento, escolhemos nosso Orí, pedindo-lhe junto à Àjàlá Mopin. Essa “solicitação” é denominada “Àkúnlèyàn”, nesse momento o indivíduo “acorda” a sua permanência no Àyé, dentre outros aspectos de sua vontade. Isto posto, Àjàlá Mopin dá a pessoa aquilo que os yorùbás chamam de “Akúnlègbà”, que é na verdade uma espécie de “mola propulsora” para que os “desejos acordados” sejam realizados. Por fim, Àjàlá Mopin, concede “Àyànmò” que é a parte do destino que mesmo através da mediação dos Òrìsàs não será jamais alterada. Ou seja, “Àkúnlèyàn” e “Akúnlègbà” podem sofrer alterações ao longo da vida. Essas alterações são possibilitadas por meios de oferendas, as quais são vislumbradas através do oráculo ou pela “fala” dos Òrìsàs, entretanto, aquilo que fora determinado em “Àyànmò” jamais sofrerá mudanças.

A afirmação de que nós mesmos escolhemos nosso Orí é fundamentada através de um Itán, publicado por Abimbola, o qual diz que Ifá foi consultado para “Orísèékú”, “Orílèémèrè” e “Afùwàpé”. Quando eles foram escolher seus respectivos Orí junto à Àjàlá Mopin, o grande moldador de cabeças, Ifá determinou que eles fizessem sacrifícios de modo que escolhessem um bom Orí para o seus destinos. Orísèékú e Orílèémèrè ignoraram a recomendação de Ifá e, somente Afùwàpé fez o que lhe fora designado. Como consequência, Afùwàpé teve muita sorte e prosperidade em sua vida, haja vista que, graças aos sacrifícios realizados, ele escolheu o “Orí certo” (Orí Réré). No entanto, Orísèékú e Orílèémèrè, que não seguiram a determinação de Ifá não tiveram a mesma sorte.

Abaixo, transcrevemos uma variante do Itán de Ifá, respeitante a saga de Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé rumo à Terra.

“Ifá foi consultado para Orísèékú, o filho de Ògún, para Orílèémèrè, o filho de Ìjá e para Afùwàpé, o filho de Òrúnmìlà, no dia que eles iam para a casa de Olódúnmarè escolher suas cabeças. Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé eram amigos, um dia eles se reuniram e decidiram que iriam para a Terra e lá, eles se estabeleceriam e seriam prósperos, sendo que, para eles, a Terra seria um lugar melhor do que o céu.

Eles pediram conselho aos Àgbàlágbà (anciões), que disseram que antes deles viajar, eles deveriam ir até Àjàlá escolher suas cabeças. Eles foram advertidos assim: “quando vocês forem, vocês não devem virar à direita, e nem ir diretamente para a casa de Àjàlá, até mesmo se um de vocês ouvir a voz do pai, vocês não devem ir diretamente para a casa de Àjàlá”. Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé, prometeram aos Àgbàlágbà que atenderiam as advertências. Depois de caminhar por muito tempo, eles encontraram Afabéré-Gúnyán (“aquele que bate inhames com uma agulha pequena”). Eles disseram: “Pai, nós o saudamos”! O pai respondeu: “obrigado”! Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé questionaram como chegar até a casa de Àjàlá. Afabéré-Gúnyán disse que eles tinham que terminar de bater o inhame dele primeiro, depois ele mostraria como chegar até lá. Afùwàpé levou a agulha dele e começou a bater os inhames com isto, durante três dias. Quando ele terminou de bater, Afabéré-Gúnyán disse que eles podiam ir, que depois de caminhar mais um pouco, eles deveriam virar à direita, onde encontrariam o Oníbodè (guardião). Eles deveriam perguntar ao Oníbodè como chegar até a casa de Àjàlá.

Depois de caminharem por algum tempo, eles chegaram, Orísèékú, o filho de Ògún, ficou imóvel, ele ouviu a voz do pai dele, solicitando-o para guerra. Então, Orísèékú pegou suas armas para ajudar seu pai. Orílèémèrè e Afùwàpé o advertiram, dizendo que eles não deveriam ouvir nem mesmo aos seus pais, conforme orientação dos Àgbàlágbà. Eles então, continuaram sua viajem até a casa de Àjàlá. Após terem caminhado por um longo período, eles ouviram Òrúnmìlà, que golpeava o Opon Ifá com seu Iroke, fazendo um grande barulho. Afùwàpé, seu filho, ficou imóvel. Então, os outros dois companheiros exigiram que ele não parasse. Afùwàpé disse que ele não iria até ver o pai dele. Eles o fizeram lembrar da advertência, mas Afùwàpé, recusou abruptamente, insistindo que ele tinha que ver seu pai. Afùwàpé foi até Òrúnmìlà, enquanto Orísèékú e Orílèémèrè prosseguiram a viajem. Quando Òrúnmìlà viu Afùwàpé, ele lhe perguntou aonde ia. Afùwàpé disse que ele ia para a Terra. Òrúnmìlà, então, foi consultar o oráculo para o filho. O destino que se apresentou foi Ogbèyónú. O Oráculo disse: “Òrúnmìlà, seu filho vai fazer uma viagem para a Terra, para ele escolher uma cabeça boa, ele deverá fazer sacrifícios”. O que ele deve sacrificar, questionou Òrúnmìlà. “Ele deve oferecer duas bolsas de sal e doze mil búzios”. Òrúnmìlà ofereceu todos os materiais e o sacrifício foi realizado. As duas bolsas de sal e os doze mil búzios foram dados a Afùwàpé. Eles falaram que Afùwàpé procedesse na viagem. Quando Afùwàpé saiu da casa de Òrúnmìlà, ele nem não viu Orísèékú nem Orílèémèrè, eles já tinham ido embora.

Quando Orísèékú e Orílèémèrè alcançaram o Oníbodè, perguntaram-lhe como chegar à casa de Àjàlá. O Oníbodè disse que a casa de Àjàlá era muito longe, senão fosse por isso, ele os levaria até lá. Eles ficaram com muita raiva e perguntaram para outras pessoas, até conseguirem chegar à casa de Àjàlá. Quando lá chegaram, eles não o encontraram e esperaram por dois dias, como Àjàlá não retornou, eles resolveram falar com as pessoas que moravam lá. Disseram que eles haviam vindo escolher suas cabeças, sendo que estavam indo para a Terra. As pessoas da casa mostram-lhes muitas cabeças disponíveis na “loja de Àjàlá”. Quando Orísèékú entrou, ele escolheu uma cabeça feita recentemente que ainda não havia sido “levada ao forno”. Quando Orílèémèrè entrou, ele escolheu, sem perceber, uma cabeça defeituosa. Orísèékú e Orílèémèrè vestiram suas cabeças de barro e foram rumo à Terra. Restando poucos dias para chegarem, uma forte chuva caiu sobre Orísèékú e Orílèémèrè, essa chuva perdurou por muito tempo e as cabeças deles, começaram a se desfazer, ficando apenas um pequeno plano e assim eles chegaram. Na Terra, eles trabalharam muito, no entanto, eles perdiam tudo o que ganhavam e esse cenário se manteve por uns dez anos, sem qualquer sinal de melhora. Eles resolveram, então, consultar Ifá que através do oráculo disse que tudo que estava acontecendo, era em função das cabeças ruins que eles haviam escolhido e perguntou: “Quando vocês estavam vindo para Terra, vocês foram atingidos pela chuva?” Eles responderam: Sim, nós fomos! Ifá disse: “Quando vocês estavam vindo para Terra, vocês escolheram cabeças ruins! Vocês escolheram cabeças que ainda não haviam sido levadas ao forno. Vocês foram atingidos pela chuva e as cabeças ruins que vocês escolheram, ficaram danificadas, em pedaços, por isso, tudo o que vocês ganham, vocês perdem, sendo que tudo o que vocês conseguirem, será para restabelecer a forma de suas cabeças”…

Afùwàpé também continuou sua viagem à Terra, depois de ter caminhado por algum tempo, ele chegou até o Oníbodè e lhe perguntou como fazer para chegar à casa de Àjàlá. O Oníbodè disse que lhe mostraria depois, primeiro, ele iria preparar sua comida. Assim, Afùwàpé se sentou e pacientemente ajudou o Oníbodè. Quando Afùwàpé estava ajudando acender o fogo, ele notou que o Oníbodè estava colocando cinzas na sopa. Ele disse: “você está colocando cinzas na sopa”. O Oníbodè disse que isso era o que ele sempre comeu. Afùwàpé colocou na sopa, um pouco do sal, que havia trazido consigo e pediu que o Oníbodè provasse aquilo. O Oníbodè ficou impressionado com o gosto e, implorou mais daquela iguaria à Afùwàpé, que concordou, dando-lhe as duas bolsas de sal. Quando eles terminaram de preparar a sopa, Oníbodè se levantou, conduzindo Afùwàpé até a casa de Àjàlá. Quando estavam chegando, eles ouviram alguém gritar. Oníbodè disse que aquele barulho vinha da casa de Àjàlá e que ele não estava em casa, sendo que aquele barulho era provocado por um credor à sua procura e, sempre que o credor aparecia, Àjàlá se escondia.

O Oníbodè disse à Afùwàpé que se ele tivesse dinheiro, ele deveria ajudar Àjàlá a pagar suas dívidas. Quando Afùwàpé chegou à casa de Àjàlá, ele achou o credor gritando, relinchando como um cavalo. Afùwàpé indagou quanto Àjàlá lhe devia. O credor disse que eram doze mil búzios (nesse aspecto, cabe lembrar que àquela época, os búzios eram moedas correntes). Afùwàpé pegou os doze mil búzios, que havia trazido consigo, e pagou o credor de Àjàlá, quitando toda a sua dívida. Quando o credor foi embora, Àjàlá saltou do teto, onde havia se escondido e, cumprimentou Afùwàpé. Ele perguntou se Afùwàpé achou alguém na casa. Afùwàpé disse: “Sim, achei! Essa pessoa disse que você lhe devia doze mil búzios, então, eu paguei toda a sua dívida”. Àjàlá, muito contente, agradeceu Afùwàpé e lhe perguntou o que ele vinha fazer em sua casa. Afùwàpé disse que ele tinha vindo escolher uma cabeça, pois estava à caminho da Terra. Àjàlá pediu-lhe que viesse depois de certo tempo. Passado o tempo pedido por Àjàlá, Afùwàpé retornou e foi escolher sua cabeça. Àjàlá lançou uma vara férrea em muitas cabeças e todas ficavam em pedaços. “Está vendo Afùwàpé, essas cabeças não são boas”! Após muitas cabeças em pedaços, Afùwàpé escolheu uma. Quando Àjàlá lançou a vara de ferro, a cabeça deu um salto, caiu no chão e ficou rodando sem se desfazer. Àjàlá disse que aquela sim era uma boa cabeça e deu à Afùwàpé, que a fixou, dirigindo-se rumo à Terra.

Quando Afùwàpé estava chegando na Terra, uma forte chuva caiu sobre sua cabeça, a chuva era tão forte e intensa que Afùwàpé quase ficou surto, no entanto, sua cabeça permanecia firme, igual quando havia sido retirada da casa de Àjàlá. Ao chegar na Terra, Afùwàpé começou a comerciar, ele fez bastante lucro, ele construiu uma casa e enfeitou sua porta. Ele teve muitas esposas, ele teve muitos filhos. Depois de algum tempo, ele recebeu o honroso título de Orísanmí. Orísèékú, o filho de Ògún e Orílèémèrè, o filho de Ìjá, lamentaram-se à Afùwàpé. “Onde você escolheu sua cabeça? Porque não nos falou onde escolheria sua cabeça?”. Afùwàpé, por sua vez, disse que eles haviam escolhido suas cabeças, todos em um mesmo lugar, o que os diferenciavam era, o destino”.

“Ajalá modela a cabeça do homem

Odudua criou o mundo,
Obatalá criou o ser humano.
Obatalá fez o homem de lama,
com o corpo, peito, barriga, pernas, pés.
Modelou as costas e os ombros, os braços e as mãos.
Deu-lhe ossos, pele e musculatura.
Fez os machos com pênis
e as fêmeas com vagina,
para que um penetrasse o outro
e assim pudessem se juntar e se reproduzir.
Pôs na criatura o coração, fígado e tudo o mais que está dentro dela,
inclusive o sangue.
Olodumare pôs no homem a respiração
e ele viveu.
Mas Obatalá se esqueceu de fazer a cabeça
e Olodumare ordenou a Ajalá que completasse
a obra de Oxalá.
Assim, é Ajalá quem faz as cabeças dos homens e das mulheres.”

O povo Yorùbá acredita que Obatala (a maior divindade cultuada entre os yorùbá, o primeiro ser divino criado, conhecido por Òòsàálá) modela o homem do barro do òrun (mundo espiritual), ou seja, ele cria o homem, com elementos do próprio òrun, porem em momento algum diz que ele cria mulas sem cabeça, este conceito turvo, surgiu em determinado momento em que os africanos vieram para o Brasil discursar sobre a criação do mundo e os seres humanos.

Assim que os africanos comentaram que o homem recebe um ara (corpo) e segue para buscar sua “Orí” (cabeça), logo os brasileiros entenderam e registraram o maior erro da história da cultura afro-brasileira, ou seja, nasceram as mulas sem cabeça.

Porem o erro foi que não esperaram para que fosse devidamente explicado, é que Orí é abstrato, tal quais os Odù (são considerados os pensamentos de Olorun, o senhor do òrun, odù seria caminhos ou conhecidos por destinos) que são energias mutáveis e cultuáveis, sem que tenham manifestações diretas e possuam um corpo.
Entre muitos erros de conceitos este acima é o pior, que faz com que o homem seja criado como a mula sem cabeça, para mais tarde buscar orí na casa de Ajalá, mas como ele iria buscar a sua cabeça na casa de Ajalá sem que ele tivesse cérebro, ou, uma mente para pensar e desejar...

Todos sabem que Ajalá realmente é o oleiro do òrun, que possui poder de modelar orí, estas que estão ligados aos Odù e variados destinos, por isso, que o culto a orí é individual e em momento algum veremos igual à outra e ou a manifestação de nem uma delas, mesmo sendo uma divindade de suma importância para cada ser humano, tanto que é cultuado antes mesmo da feitura do òrìsà, e ao contrario do que se acredita aqui no Brasil, o indivíduo não pertence a um òrìsà, na verdade quem determina e ou deve ser responsável por aquele individuo sempre será “orí”, nem uma divindade terá poder sem que orí sancione.

“Quando alguém está para nascer,
vai à casa do oleiro Ajalá, o modelador de cabeças.
Ajalá faz as cabeças de barro e as cozinha no forno.
Se Ajalá está bem. faz cabeças boas.
Se está bêbado, faz cabeças mal cozidas,
passadas do ponto, malformadas.
Cada um escolhe sua cabeça para nascer.”

Realmente há possibilidade do indivíduo pegar orí deformada, por isso, que é feito o ritual do Ebori, para que possa tratar orí e ao mesmo tempo rever seus votos, desejando novos caminhos, para isso, o indivíduo deve passar por determinados rituais e preceitos.
Outro ponto a discutir é o fato de se ter ou não um igba-orí (recipiente de louça, contendo alguns fetiches representando orí), nem todos os indivíduos precisam ter um igba-ori, o sacerdote pode muito bem dar um Ebori, sem que seja preciso manufaturar um igba-ori.

Então porque se ter um Igba-ori, se não há necessidade de ter um igba-ori, para cultuar esta divindade abstrata tão importante?

Muitas vezes um indivíduo, quer apenas dar um Eborí sem criar vínculos com a casa, nada impede que uma pessoa possa fazer isso, porem para aqueles que desejam seguir o culto a òrìsà, ou, os rituais yorùbá, pode manufaturar um igba-orí, para que possa tratar e cultuar o seu òrìsà individual com maior detalhes.

“Cada um escolhe o ori que vai ter na terra.
Lá escolhe uma cabeça para si.
Cada um escolhe seu ori.
Deve ser esperto, para escolher cabeça boa.
Cabeça ruim é destino ruim,
cabeça boa é riqueza, vitória, prosperidade, tudo que é bom. ”

Outro equivoco, pois o individuo não tem como saber o que contém um orí até que chegue no aiye (plano físico), desta forma, não há como ele escolher uma boa cabeça, nem ser esperto com algo que ele não possui este direito, pois segundo a cultura yorùbá, a indisciplina de Ajalá é clara, pois ele não consegue criar todas as cabeças perfeitas, porem pode escolher uma boa, se o indivíduo fizer uma paga para ele, mas como um indivíduo poderia fazer um ebo (oferenda) se ele não possui elementos para isso no òrun, caso fossem assim não haveria pessoas com orí problemáticos.

Por isso, acredita-se que a família do indivíduo que irá nascer pode auxiliar, consultando o oráculo para descobrir um ebo para oferenda para aquele indivíduo que está para nascer. Porem de qualquer forma há possibilidade de através do culto ao orí de melhorar a condição do orí daquele indivíduo através do Eborí.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Orisa Ozun

Orixá Ozun

Ozun é um Orixá que atua como mensageiro de Obatalá, Olofim e Orunmilá, guardião protetor das cabeças e daqueles que creem. É um espirito que nunca cai, sustentando tudo de pé, o pilar, vida, saúde e mente; se, por infortúnio, cai, é precisa imediatamente fazer-lhe uma oferenda e convocar o seu padrinho de Ifá, para realizar a cerimônia correspondente. O cálice não poderá ser destampado nunca para ver o seu interior – somente o Oluwo possui tal autoridade, pois é ele quem sabe o que ele contém e de onde se origina o suporte nos odús de Ifá destinados para tal fim. Da mesma forma, o osefá para o fechamento do cálice deve ser feito utilizando sinais específicos. Ninguém, em nenhum tipo de cerimônia, poderá abri-lo, nem menos Oriatés, Babalorixás, Iyalorixas. A única coisa que podem lhe dar é Obi.

Há pelo menos duas maneiras de se escrever o nome deste Orixá: Ozun e Ossu. Segundo o Awô Eduardo Miguel Perea, em Cuba a maneira mais usada de se escrever é Ozun.

Ozun ou Ossun, representa a união entre o aiyé e o orun, ou seja, o mundo material e o céu metafísico habitado por diferentes entidades espirituais.

Ele é representado por um Galo sobre uma coluna e que nunca dorme e nunca cai, sempre se mantém firme e de pé. Este Orixá tem a forma deformada e imperfeita e está ligado diretamente com Orunmilá e se alimenta das mesmas oferendas de Orunmilá.

O segredo de OZUN- A lenda.

OZUN vivia junto com OLOFIN e este lhe deu a virtude de guardar a saúde de todos os filhos de OLOFIN na Terra. OZUN se pôs no caminho da casa de ORUNMILÁ, vivendo ali como um guardião de ORUNMILÁ e seus filhos.

ORUNMILÁ era caçador e todos os dias pela manhã, quando saía para caçar, se ajoelhava diante OZUN e o rogava e rezava:

OZUN LAYERE NIFA, OSIN TIKI TIKI KASORO SHANGÓ AWÓ OMÓ OSÁ META IRE ARIKÚ.

Então fazia sacrifícios a OZUN e levava ao pé de IGUI MORURO e pegava elese ewé (várias ervas) para ebó misin (banho de ervas).

Em uma dessas vezes que ele foi caçar, seus três filhos aproveitaram a ida de ORUNMILÁ e foram ver, por curiosidade, que coisa OZUN tinha em seu segredo. Ao abrir OZUN, os três morreram.

Quando ORUNMILÁ se deu conta do que tinha acontecido, ORUNMILÁ se ajoelhou e começou a implorar a OZUN para que salvasse seus três filhos. Então ele fez outra oferenda a OZUN cantando:

BABA ILASHÉ BABALASHÉ IBA OZUN

AGAGA LAWN OZUN LAYENIFÁ

Então OZUN devolveu a vida aos três filhos de ORUNMILÁ, mas com a condição de que para abri-lo, teriam que fazer sacrifícios a ele.

No Brasil este Orixá é pouco conhecido. Seu culto está relacionado com o de Orunmilá, mas cada Orixá pode ter o seu Ozun especifico. Cada um é montado de maneira diferente e com ingredientes específicos, como o de Mãe Iansã que feito de cobre e que leva nove facões como adorno e o do Pai Omolu que tem como Guardião um cachorro. O Ozun de Obatalá leva ao invés do Galo um Pombo de asas abertas, que lembra a história de Eiye kan, o primeiro pombo que veio reproduzir graças a Ifá. Este pombo passou a chamar-se Eiyele ( no Brasil é chamado de Ilé), simboliza a honra e a autoridade, por este motivo é ali colocado.

O SEGREDO DE OZUN- A lenda.

OZUN vivia junto com OLOFIN e este lhe deu a virtude de guardar a saúde de todos os filhos de OLOFIN na Terra. OZUN se pôs no caminho da casa de ORUNMILÁ, vivendo ali como um guardião de ORUNMILÁ e seus filhos.

ORUNMILÁ era caçador e todos os dias pela manhã, quando saía para caçar, se ajoelhava diante OZUN e o rogava e rezava:

OZUN LAYERE NIFA, OSIN TIKI TIKI KASORO SHANGÓ AWÓ OMÓ OSÁ META IRE ARIKÚ.

Então fazia sacrifícios a OZUN e levava ao pé de IGUI MORURO e pegava elese ewé (várias ervas) para ebó misin (banho de ervas).

Em uma dessas vezes que ele foi caçar, seus três filhos aproveitaram a ida de ORUNMILÁ e foram ver, por curiosidade, que coisa OZUN tinha em seu segredo. Ao abrir OZUN, os três morreram.

Quando ORUNMILÁ se deu conta do que tinha acontecido, ORUNMILÁ se ajoelhou e começou a implorar a OZUN para que salvasse seus três filhos. Então ele fez outra oferenda a OZUN cantando:

BABA ILASHÉ BABALASHÉ IBA OZUN

AGAGA LAWN OZUN LAYENIFÁ

Então OZUN devolveu a vida aos três filhos de ORUNMILÁ, mas com a condição de que para abri-lo, teriam que fazer sacrifícios a ele.

Osun cura com.agbo

Òşún cura com agbo (a bebida medicinal) e o local da cura em Ọșogbo se chama Idi Oru.

Òdí’Ìrètè – Ìdin’Ìrẹtẹ – Idin-Amileke (Nomes deste Odù) diz:

Itọn:

Nos tempos em viagens missionárias de Ọrúnmìlá a terra yorùbá de Ọșogbo, ele se encontrou com Òşún. Ọrúnmìlá encontrou Òşún através de Alárè Ountoto que era o Baàlè (o chefe dos pagamentos) antes de se tornar conhecido em Ọșogbo. Ifá disse que Alárè Ountoto convidou Ọrúnmìlá para adivinhação e trabalhos espirituais.

Neste momento Alárè consultou Ifá através de Ọrúnmìlá para a paz, bem estar e tranquilidade de pagamentos. A divinação de Ọrúnmìlá ia descrever o ebo necessário para Alárè Ountoto. Ele manteve os rituais para o ebo. O ebo foi devidamente feito. Como esperado, as orações de Ọrúnmìlá se inflaram e as coisas mudaram para melhor em Ọșogbo.

Ọrúnmìlá ainda estava na casa de Alárè Ountoto quando Òşún ouviu falar dele e foi visitá-lo. Chegando a casa, Òşún consultou Ifá. Ọrúnmìlá lhe disse que seu problema era a falta de filhos e que a posse de seu marido e amor foi conseguida com inúmeros encantos e feitiços e isto era a causa da falta de filhos. Ọrúnmìlá disse à Òşún que para ter filhos ela deve deixar seu marido, Okokoro. Entretanto Okokoro era muito poderoso e organizava o pagamento de Ifá, Okokoro tem muitos encantos potentes e muitos feitiços para serem usados.

Òşún estava desesperada por filhos, ela estava preparada para assumir qualquer risco, mesmo que isto envolvesse a ira de seu marido. Òşún teve determinação para enganar seu marido. No entanto, enquanto ela estava pensando sobre as mensagens de Ifá, ela estava ao mesmo tempo cheia de admiração por Ọrúnmìlá. Ela decidiu propor amizade a ele. Ela disse à Ọrúnmìlá que havia gostado muito dele e propôs ser sua amante. Ọrúnmìlá concordou. As coisas começaram a acontecer. Alguns meses de aventura amorosa e Òşún engravidou, não de seu marido, mas de Ọrúnmìlá.

A gravidez de Òşún era muito inquietante para seu marido Okokoro. Antes disso, Okokoro recebeu informações e muitas dicas sobre o que se passava entre sua esposa Òşún e Ọrúnmìlá. Como resultado desta gravidez ele decidiu desafiar Ọrúnmìlá para uma luta.

Okokoro estava seguro de seus poderes, encantos e magias. E que a figura de Ọrúnmìlá não seria problema por que tudo que ele precisava fazer seria lançar todos os feitiços e magias fortes em Ọrúnmìlá.

Durante o tempo das ameaças de Okokoro, Ọrúnmìlá havia deixado Ọșogbo para ir a outro lugar de acordo com seu trabalho missionário.

Quando Alárè Ountoto quis fazer nova consulta a Ifá, ele mandou aviso para Ọrúnmìlá, no entanto, antes de partir de Ọșogbo, ele já havia ouvido falar das más intenções de Okokoro contra ele. Típico de Ọrúnmìlá, ele estava tranquilo.

Quando chegou a Ọșogbo, como de costume, ele ficou na casa de Alárè Ountoto. A notícia de sua chegada espalhou-se rapidamente. Como um morador da cidade Okokoro ouviu a notícia e foi ao encontro de Ọrúnmìlá. Ele encontrou Ọrúnmìlá. Ele desafiou Ọrúnmìlá para uma luta, porém, encontrou uma parede de pedra. O fato de Ọrúnmìlá nem demostrar que sua presença era importante o enfureceu e ele não perdeu tempo soltando seus feitiços perigosos em Ọrúnmìlá. As magias e feitiços que foram lançadas por Okokoro tornaram Ọrúnmìlá mais forte, porém, ele seguiu lançando.

Inicialmente Ọrúnmìlá estava calmo e tranquilo, quando Okokoro começou a se enfurecer, porém, quando ficou claro que Okokoro não venceria, Ọrúnmìlá determinou a ele parar com a luta e ao mesmo tempo ele o transformava em um rio. Okokoro imediatamente foi transformado em um rio. Este rio tornou-se conhecido como Odò Okokoro. Odò Okokoro é um rio muito conhecido em Ọșogbo. A transformação misteriosa de Okokoro em rio significava que Òşún estava livre dele. Assim ela propôs casamento a Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá aceitou e eles se casaram. Òşún deu muitos filhos a Ọrúnmìlá em Ọșogbo. O local onde Ọrúnmìlá e Òşún tiveram seu primeiro contato físico, mais tarde, foi designado como um local sagrado.

É conhecido como Idi Òşún, o centro de um igbà de Òşún. Este local, Idi Òşún, ainda mantém este nome em Ọșogbo.

Embora Ọrúnmìlá tivesse família em Ọșogbo, ele não estava ligado a esta terra. Ele continuou seu roteiro de trabalho missionário que o levou para fora de Ọșogbo e muitos outros lugares e povos em sua missão curativa.

Uma coisa era certa, de tempos em tempos ele estava em Ọșogbo, ele sempre enchia Òşún com medicamentos especiais de Ifá para que ela administra-se em seus numerosos clientes enquanto ele estava longe. Ọrúnmìlá sempre se assegurava que as medicinas (remédios) seriam suficientes até seu retorno a Ọșogbo. Estas medicinas especiais de Ifá normalmente eram em forma de agbo (chá medicinal, que também pode ser chamado de uma invenção nativa ou uma bebida). O uso deste agbo: bebida, banho ou guarda bênçãos.

O lugar designado para fazer este agbo se chamou Idi Oru e agora é um local sagrado em Ọșogbo.

O agbo que Ọrúnmìlá preparou para Òşún era particularmente muito poderoso e hábil para vários trabalhos de cura, durante sua ausência deste povoado. Este poder de cura trouxe Òşún para o foco, que sua proeza espiritual era sempre o assunto da cidade.

O reconhecimento do povo por Òşún foi trazido por Ọrúnmìlá que agregou respeito, por que as pessoas sabiam que seu poder e fama vieram pela graça especial de Ọrúnmìlá.

No entanto, enquanto a maioria dos cidadãos adorava Ọrúnmìlá e esperava ansiosamente sua próxima visita ao povoado, os Adahunse (Espiritualistas, clarividentes, os leitores de mão, herbalista e outros nesta linha) o odiavam. Seu ódio por Ọrúnmìlá vinha dele fazer com que todos do povoado viessem até ele para adivinhação e sanar seus problemas físico-espirituais, sempre que ele visitava Ọșogbo.

Em vez de trabalhar para melhorar os seus difíceis serviços espirituais e ganhar o respeito do povo, os Adahunse culpavam Ọrúnmìlá pela lentidão em seus ganhos sempre que Ọrúnmìlá visitava o povoado. Eles viram Ọrúnmìlá como uma grave ameaça a seus negócios. Conscientes de suas limitações espirituais, os Adahunse não poderiam se confrontar com Ọrúnmìlá por que ele superaria seus parcos poderes. Pior ainda, eles perceberam que qualquer confronto seria suicídio. Consequentemente eles marcaram uma reunião para decidir o que fazer com ele. Os Adahunse consideraram muitas opções, para adotar um plano contra Ọrúnmìlá fora de Ọșogbo, na próxima visita que ele fizesse.

Eles não poderiam fazer isto sozinho, eles precisariam da ajuda do Baàlè (o cabeça dos pagamentos). Felizmente para eles, Ọrúnmìlá sempre se alojou na casa do Baàlè e foi a ele que recorreram. Os Adahunse foram a Alárè Ountoto, seu Baàlè e contaram muitas histórias falsas sobre Ọrúnmìlá. Eles disseram que ele era muito imprudente em continuar a convidar Ọrúnmìlá para vir em Ọșogbo. Ao final da longa narrativa, eles persuadiram o Baàlè a dizer a Ọrúnmìlá que da próxima vez que viesse a Ọșogbo sua presença não era mais benvinda. Alárè Ountoto estava de acordo e lhe prometeu sua plena cooperação.

Uma vez mais era hora e tempo de Ọrúnmìlá visitar Ọșogbo. Quando ele chegou à cidade, ele foi direto, como de costume, aos aposentos do Alárè Ountoto. Alárè Ountoto não poderia mandar Ọrúnmìlá voltar imediatamente sendo ele querido por tanta gente. Devido a sua boa amizade ele permitiu que ele passasse a noite em sua casa. De acordo com sua promessa, sem demora, ele foi até Ọrúnmìlá muito cedo na manhã seguinte e lhe disse que seus serviços não eram mais necessários e que ele deveria deixar sua casa e o povoado imediatamente. Ọrúnmìlá lhe pediu uma explicação para sua súbita decisão de mandá-lo embora de seus aposentos e da cidade. Ele disse que não tinha nenhuma explicação para lhe dar ou outra maneira de lhe falar que o queria fora de seus aposentos e da cidade. Sem argumento ou mais alguma informação Ọrúnmìlá arrumou suas coisas que eram basicamente seu adorno de Ifá e os colocou em seu Àmininjekun apo (sacola sagrada de Ifá). Entretanto ele decidiu pagar as pessoas com sua própria moeda antes de ir.

Ele pegou seu Òsòòrò Òpá (osun Ifá / Ifá pessoal) e o apontou para o òrun.

No momento em que fez isto, um eclipse súbito se apoderou do povoado inteiro e cada espirito vivo foi dormir imediatamente. Ọrúnmìlá amaldiçoou a cidade pela plenitude do seu tratamento ingrato e injusto para com ele através de seu Baàlè, Alárè Ountoto. Ele deixou a cidade e foi para outro lugar.

Òşún foi a primeira pessoa a ver os sentidos da esquerda de Ọrúnmìlá. Òşún olhou em volta e ficou assustada com o que viu.

Ela rapidamente supôs que uma calamidade havia se sobrepujado sobre a cidade. Ela também sabia que o que aconteceu estava acima de seus poderes, ela precisava mirar o òrun.

Porém, ela precisava mandar alguém chamar Ọrúnmìlá. Para fazer isso significava que ela teria que recorrer a seus escravos. Ela trabalhou freneticamente com alguns deles, porém, apenas um se prontificou. Ela se alegrou com o êxito por que ela não precisaria usar os escravos de Alárè Ountoto, ela ficou feliz em saber que não era a única pessoa acordada em toda a cidade. Ela enviou seu escravo aos aposentos do Alárè para ver Ọrúnmìlá. Como um vento ele correu até os aposentos do Alárè, porém, voltou para dizer a Òşún que Ọrúnmìlá já havia partido. Òşún supôs imediatamente que o fenômeno antinatural que ocorreu era um tipo de punição para alguma coisa que o povo da cidade tivesse feito. Ela também supôs que somente Ọrúnmìlá poderia controlar a situação. Correndo contra o tempo, Òşún correu em perseguição a Ọrúnmìlá e rastreava seu caminho pelas trilhas. Entre andar rápido e correr, Òşún alcançou Ọrúnmìlá no ponto em que ela estava para cruzar a fronteira de Ọșogbo para outro povoado. Ela se agarrou a Ọrúnmìlá e lhe disse que ela não permitiria que ele partisse sem que dissesse o que havia acontecido de errado. Ọrúnmìlá lhe disse que alguns Adahunse ficaram contra ele e ficou surpreendido com o conluio do Alárè Ountoto com eles. Ele concluiu que se os filhos e as pessoas queriam os Adahunse para eles, eles deveriam cuidar do que havia ocorrido com o povo. Òşún concluiu que Ọrúnmìlá era o único que poderia desfazer a calamidade. Ela começou rogando o perdão em nome de seu povo. Ela rogou e rogou.

Logo depois, Ọrúnmìlá rendeu-se e disse que antes dele reverter à maldição, o povo necessitava proporcionar eku, ejá e eran ao ìgbà que deveria ser: 200 eku, 200 bagres defumados e 200 cabras e muitas outras coisas como ebo para a expiação de sua falta de respeito com Ifá. Rapidamente todos os elementos ritualísticos foram proporcionados.

Ọrúnmìlá perdoou as pessoas de Ọșogbo e reverteu a maldição. Além disso, ele orou para Ọșogbo e seu povo. Com grande remorso as pessoas rogaram e persuadiram Ọrúnmìlá a regressar com eles ao povoado, porém Ọrúnmìlá se negou a ir. Ele lhes disse que tudo estaria em ordem e o povo estaria também salvo, de fato ele fez as pessoas experimentarem um pouco do ódio que os Adahunse sentiram dele como um lembrete. Ele disse que Ọșogbo seria uma ótima cidade, mas teria que lidar com o problema do ódio que nasce na inveja. Com este pedido Ọrúnmìlá partiu para Ilè Ifè e deixou Òşún cuidando de Ọșogbo.

Tão misteriosamente como o súbito eclipse que as pessoas experimentaram, segue crescendo na terra o local onde Ọrúnmìlá e Òşún resistiram inesperadamente. Òşún olha para baixo e pede a nação dela para explicar a água misteriosa de Ọrúnmìlá. Ọrúnmìlá lhe disse que ele acostumou a água a lavar a maldição que ele havia colocado no povo muito tempo atrás e que ele havia quitado esta dívida com o ebo que foi realizado. A água crescente logo se tornou um riacho, O riacho foi nomeado Odò Ikin-tu-okun (Ikin Ifá-Solta a corda).

O significado profundo de Ikin-tun-Okun é:

Ifá lava as negatividades e impurezas das pessoas.

Odò Ikin-tu-okun é muito conhecido como Odò Akintokun em Ọșogbo.

Este riacho é agora um riacho sagrado onde os Áwo de Ọșogbo realizam rituais.

Importante!

Esta história sobre a relação de Ọrúnmìlá e Òşún nunca deverá ser usada fora de contexto.

Ọrúnmìlá é colocado na posição de condição humana, coisa que é feita na maioria dos relatos de suas histórias.

Os Itọn e Esè do Corpus Literário de Ifá pertencem a humanidade (Unesco).

Osala, obatala e odudua nao comem sal

PORQUE Òrísàlàs – Òbátálà/ Oduduwa  NÃO PODE COMER SAL

O grupo dos Òsálàs velhos
Obàtálá, também chamado Òrísàlá, Obàrìsà, Oba Igbo ou Baba Igbo, é o mais velho de todos os Osalá, o gran-de rei branco, raiz de todos os outros Oxalá, o mais poderoso, pai dos deuses e dos homens, pai em particular de Òsàlúfón, que por sua vez é o pai de Òsógyìan. Tão grande e tão poderoso é Obàtálá que ele não se manifesta, suas palavras transformam-se, imediatamente em realidade. Como vimos, ele criou, todos os seres vivos e moldou o homem, como ainda o salvou quando o oceano furioso contra a humanidade, que não lhe rendia o culto que lhe devia, tentou, destruí-la inundando a terra,muitos pereceram afogados, mas Òbàtálá interveio ainda em tempo, conseguindo salvar a maioria, e obrigou Olokun a retirar-se para seu palácio onde o amarrou com sete cadeias de ferro.
Òbàtálá representa a massa de ar e águas frias e imóveis, dos começos, è o deus do mistério da cabaça. Como deus da criação lê controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos que preside as nascimento, á iniciação, e a morte. O branco é a sua cor, simbolizado pelo Atalá, o grande pano branco que representa o ser imóvel e indiferenciado que contém potencialmente o poder da criação por esta razão, é tido como responsável pelos defeitos físicos.
O próprio Òbàtálá é alías é corcunda porque se recusou a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e foi castigado por Exu que lhe pregou a cabaça nas costas, a corcunda evoca ao mesmo tempo a cabaça, matriz cósmica e a velhice.
Pela mesma razão Òbàtálá não pode comer sal. Na realidade o sal da força em particular a palavra,ao sopro, representa apropria essência de Òbàtálá, e comer sal constituiria para ele um ato de auto-canibalismo.
Òbàtálá deu a palavra ao homem, e durante as festas de Oxalá não se deve falar, ‘durante três semanas tudo é silêncio pois a palavra e dele. Explica-se do mesmo modo, a proibição feita a Òbàtalá, e a Òbàtálá, e a todos os Orixás em geral, de tomar cachaça liquido excitante e branco carregado de poder fecundante.
Osàl`fón é o grande Oxalá de muito fundamento, temido e cujas decisões são irrevogáveis, o pai de todos os deuses patrono da procriação e da fecundidade, o senhor da chuva associado, na qualidade de filho de Òlórun, O Nosso Senhor do Bonfim, filho de Deus cristão.Òrìsàlúfon, ou Òrìsà Òsólufòn foi um velho guerreiro que muito viajou e lutou muito, dizem em Ifon que ele era filho de Odùduwa (O herói masculino), e que cansado da vida, resolveu desaparecer da terra, em Ifé transformando-se em Òrìsà. Em Ilesa, passa por antepassado da mãe do rei, teria vindo de Ifon, e teria sido pai de Òsógyìan. Conhecidíssimo é o mito que conta a longa viagem que empreendeu para visitar seu amigo Xangô, e sua volta para o palácio do filho, Òsógyìan que festejou o acontecimento com um banquete.
Impotente, aleijado pela idade avançada e por ter ficado, sete anos na cadeia, Òsàlùfón dança curvado como um estropiado. No Alakétu, na festa de Òsálà do dia primeiro de janeiro, Òsàlúfón, o grande Oxalá, aparece coberto pelo álá; a passagem do ano é associada à ritualização da criação do mundo. Mas no Asé as festas de Oxalá, ditas festas dos inhames, nas quais é repetida a gênese, realizam-se em Setembro, e não no inicio do ano ocidental. Uma das particularidades de Òsàlùfón é seu ódio por cavalos animal por causa qual foi preso e encarcerado durante sete anos.
Do ponto de vista do tipo físico o tipo Oxalá velho è freqüentemente afetado por alguma deficiência mais ou menos grave, ou algum defeito de nascença ou adquirido; aleijados, mancos, corcundas, caolhos são lhe consagrados. Os filhos de Òbàtálá, entretanto, não são obrigatoriamente defeituosos fisicamente, já que a relação com o orixá pode estabelecer-se, igualmente por outras razões. De qualquer forma será um tipo frágil, delicado, friorento, sujeito a constantes resfriados. Esta fragilidade evoca a leveza do ar assim como a antiguidade de Òbàtálá. Presença discreta, ele não procura impor-se, sua simplicidade nota-se nos seus gestos, no seu modo de vestir-se; Obàtálá odeia excentricidades, esnobismo, e qualquer atitude que vise a chamar a atenção.
A característica psicológica mais notável do tipo Obàtálá é a sua inabalável calma, a sua tranqüilidade, a lenti-dão de suas reações emocionais, a coisa, mais difícil é conseguir pertubá-lo e irritá-lo, mas quando ofendido, sua cólera é terrível ele não perdoa nunca. Compense sua debilidade física por uma grande força moral, uma segurança que se funda no auto conhecimento e na consciência de sua força.
Inflexível, austero, não tolera imoralidade, desordem, nem, sobretudo violência, incorruptível, tem sede de perfeição moral e seu alvo é a realizar a condição humana no que tem de mais nobre. Busca a felicidade na reflexão silenciosa, na contemplação e na sociedade e na sabedoria, a felicidade pra ele consiste em racionais sobre o mundo que ele concebe claramente. O tipo Obàtálá é um tipo casto e fiel no amor como na amizade, leva uma vida austera quando não de completa abstinência. Afastado do mundo e das paixões e dos instintos, transparente e sereno, está igualmente desligado dos interesses materiais.
Tem tendência para o ascetismo e, freqüentemente adere a regimes vegetarianos, pacifista convicto, homem integro e sincero, de sensibilidade obtida paternal, tolerante sabe acolher a todos, não nega seu apoio a ninguém e, sabe consolar, avisar, aconselhar, altruísta, generoso, sua porta está sempre aberta e sua casa cheia de amigos.
Mas permanece, no entanto distante, e não se dá inteiramente a ninguém.
Dentro do grupo dos orixás velhos, algumas entidades distinguem-se do tipo geral por um ou outro traço especifico:
Òsafúru é especialmente indolente, indiferente, apático e taciturno.
Osalúfón mostra-se apegado ao passado, á respeitabilidade. È organizado e pontual ao extremo, mas afável.
Olúwifin tem espírito perspicaz e sutil. Conhece o homem e raramente se engana. È um tipo lento, sereno e seguro, de grande vida interior.
Baba Ajale é um tipo concentrado, seguro, perseverante, falta-lhe calor e espontaneidade, mas é profundo, constante, lógico, ponderado.
Òrìsà Lalú possui uma cabaça exageradamente volumosa.
Òrìsà Okin é o senhor do pássaro Òkin.


O tipo Odúdúwa
Odùduwá aparece no candomblé como qualidade de Orixá, e assim como Òbàtálá, não se manifesta Poe ser muito poderosa e temida, è invocada por ocasião das festas de Sòngó, antes de !bátálá e nas festas públicas a última roda é para ela.
Odùduwa é feita entretanto com três gotas de azeite, e o azeite não é proibido a seus filhos.
“Então minha gente, vamos ou não vamos cantar para Òdúduwá dizia no Bogun a quase centenária runho Valentina quando passado da meia-noite, queria encerrar a cerimônia enquanto que o pessoal insistia em fazer dançar ainda um santo vistoso. Odùduwá,divindade feminina, esposa de Òbàtálá, corresponde a metade inferior da cabaça, associada à lama dos começos da terra à lama dos começos da terra
Invocam, sobretudo a idéia de algo quente r seco, e ela deve ser refrescada e molhada para tornar-se fértil tal é o sentido as cerimônias chamadas precisamente “águas de Òsálà” que começam, anualmente, na última, sexta-feira de setembro com a procissão que vai buscar em potes, à fonte, a água que será derramada sobre o assento de Oxalá. Se Òbàtálá, divindade masculina, criou os seres vivos, Òdùduwa, divindade feminina criou a matéira de onde surgiria a vida. Na sua qualidades de divindade da criação e da cabaça, Òdùduwa é como Òbàtálá uma divindade funfun, e suas sacerdotisas vestem-se de branco,porém, como divindade feminina ligada à terra, à água e às funções de reprodução, ela se relaciona igualmente com o azul escuro e com o vermelho. A mitologia, evocando um tempo em que as mulheres governavam, nos revela que Òdùduwa havia recebido de òlódùmarè o poder dos orixás, representado por um pássaro e uma cabaça símbolo do universo. Tornou-se senhora do mundo e governou-se. Abusou, porém, do poder e Òlódùmaré retirou-lhe a autoridade para confia-la a Obàtálá.
Odùduwa comanda as mulheres, controla a fisiologia feminina, a menstruação, a reprodução, a fecundação.
È chamada Iyá Agba, a grande mãe. Dela é o porco animal que da muitas crias. É o orixá que dá longa vida. Ao contrário dos outros Oxalá, Odùduwa não tem èèwo de azeite, inclusive seu assento leva três gota de dendê,”é um santo muito forte”.
Odùduwa está associado à cegueira, a várias versões mítica explicam a razão pela qual ela é cega. Uma delas conta que Òbàtálá lhe arrancou os olhos quando estavam ambos aprisionados na cabaça, porque ela não parava de falar e de reclamar( o que confirma por outro lado que a fala e a vista dependem de Òbàtálá) outras dizem que não se pode fita-la sem ficar cego ou ainda que não se pode abrir a cabaça sem morrer.
Òdùduwa é irritável, astuta, hipócrita, aproveita qualquer pretexto para julgar-se ofendida, institui, èèwó sem revela-los para poder justificar sua agressividade. A prosperidade ostensiva, a fecundidade, a saúde, a beleza ofendem-na e são motivos para provocar sua vingança. A pimenta vermelha, atare ou pimenta da costa pertence-lhe, mas constitui um èèwó tanto para ela como para suas filhas pela mesma razão pela qual o sal é proibido a Òbàt’lá. Pertence-lhe ainda o feijão vermelho, Òduduwa é uma divindade exigente que não perdoa negligências, notadamente quando se trata do cumprimento de pactos, promessas ou de obrigações religiosas.
Do ponto de vista físico, o tipo Odùduwa não é muito melhor aquinhoado que o tipo Obàtálá: os cegos em particular são filhos de Òdùdùwa. Geralmente eles são magros, franzinos, nervosos e secos como a terra. Aparentam geralmente mais do que sua idade real, mas são robustos e têm vida longa.
Mas ao oposto de Òbàtálá Òduduwa é violenta e agressiva desiludida pela vida que não correspondeu a seus anseios, ela tenta reprimir seus desejos, renunciando em aparência à ambição e aos prazeres que afeta desdenhar, è fechada, profundamente insegura e angustiada tornando-se às vezes extremamente suscetível, impaciente, intolerante, desconfiada. Para fugir do sentimento de frustração que lhe causa a existência estreita e medíocre que leva, pode criar um mundo de proibição de manias e obsessões. Outras vezes, invejosa, vingativa, ela persegue aqueles cuja felicidade ou cujo êxito é para ela uma afronta. De certa forma, ela projeta-nos outros o desprezo que tem por si própria e seus sentimentos de inferioridade que a levam a exigir insaciavelmente constantes atenções, repetidos elogios.
È um ser dividido, insatisfeito, mal equilibrado, e por alguns aspectos, um negativo do tipo Òbàtálá.
Odùduwa tem rígidos princípios morais, mas sua conduta sexual os contradiz, sua insegurança a leva a multiplicar as conquistas amorosas e as aventuras, necessita ser amada e admirada por todos.
Ela sabe, através de suas intrigas manipular os outros. Toda sua força reside em sua inteligência, é dotada de espírito curioso e inquieto, de senso critico e de ironia ferina. Representa um tipo dominador, autoritário em seu comportamento social, no trabalho, ela é exigente e perfeccionista disciplinada, minuciosa.

O tipo Ifá
Ifá, o oráculo africano, deus do destino, também aparece no candomblé como qualidade de Oxalá uma das três principais, constituindo com Òbàtàlá `sua esquerda, a trindade do panteão nagô. Ifá também chamado Olù Orogbo.
Ela, Òrùmilá, tria sido encarregado de estabelecer a ordem no mundo, de separar os elementos, e de instituir a pa entre os homens.
È o dono das nozes que revelam a vontade dos deuses, o senhor da adivinhação que exprime a palavra do criador, Ifá, na qualidade de dono das nozes, relaciona-se com a palmeira, árvore de Òsálà, sabe-se que as mulheres e não podem ser sacerdotisas de Ifá, em virtude da relação deste último coma palmeira e com o princípio masculino. Ifá passa de pai para filho, mas ele não se manifesta. A adivinhação pelo òpèlè praticamente desapareceu de Salvador, e só restam hoje alguns exemplares piedosamente conservados. Na África, uma das mulheres do Bàbáláwò, (ou algumas vezes um garoto, o apetebi) tinha a autorização de praticar a adivinhação com os búzios, mas obrigada a submeter-se a rigorosa abstinência sexual. Ainda hoje, Mãe Menininha diz que a mulher não pode tocar as nozes de Ifá, pois, do contrário, não teria homem. Ifá é amigo dos homens imparcial, sempre diz a verdade e não favorece ninguém.
Sob o aspecto da constituição física, o tipo Ifá é mais favorecido que os precedentes, embora não sendo muito vigoroso,pode apresentar algumas deformidades e anomalias,em particular caroços sobretudo na cabeça, que são sua marca inconfundível. Mas é esbelto e alto, não lhe faltam a elegância nem a graça, sendo modesto e despretensioso.
Do ponto de vista psicológico, não difere muito do tipo Obátálá/Osàlúfon, embora mais realista e menos desligado de seus interesses materiais. È um caráter apolíneo, amável, equilibrado, harmoniosos, que se distingue pela medida, a doçura.
Espírito aberto, culto, inteligente, lúcido, gosta das idéias claras, das visões amplas é menos contemplativa que o tipo Òbàtálá, mais atuantes e mais participantes. Tem senso prático, sangue frio e jamais se irrita ou perde a calma. Essencialmente acional as grandes paixões não o alteram. Tem o mesmo desejo de perfeição e de pureza que Òbàtálá, mas consegue conciliar a espiritualidade e o senso prático.
Sua vida amorosa é estável, harmoniosa, não conhece grandes paixões mas é capaz de um sólido e profundo. Ifá é como Òbàtálá, um conselheiro, um confidente, talvez mais flexível e indulgente. É
Um homem honesto e sincero, que sempre diz a verdade mesmo que desagradável e não engana ninguém. Um homem justo e imparcial. Um grande amigo, uma pessoa de inteira confiança. Como Òbàtálá, é um pacifista convicto, procura sempre estabelecer a harmonia, torno de si, resolvendo litígios, reconciliando os inimigos, elequente, hábil e diplomata sabe argumentar e convencer.

O tipo Òsàgíyán:
Òrìsà Kire e Orixá popo, Òsógyìan (Òrìsà Òsógyìan ou Òsà Ògíyan) é filho de Òs1àlúfón, também chamado Ajaguna, Elemesso, Akinjole, Elejigbo.
Òsógyìan é um Oxalá jovem, guerreio, briguento e combativo e não perde uma oportunidade de lutar contra Omolú, ou contra Sàngó. Omolú, provocando-o declara que comera todos os filhos de Òsógyìan, deixando apenas os ossos, parte branca que pertence a Oxalá, Òsógyìan retruca que em represália, comerá todos os filhos de Omolú, inclusive os ossos, pois tudo retorna ao òrún.
Por ocasião do Lorogun, com o qual se encerra o ano litúrgico, Òsógyìan combate no batalhão de Oxalá contra o batalhão de Sàngó, o que parece representar uma briga dos Òrìsà funfun contra as outras divindades.
Òsógyìan é também um rei majestoso “coroado de segui” valente, viril, Òsógyìan é um Oxalá autorizado a enfeitar seus colares brancos com as pedras azuis chamadas segi e sua roupa branca pode às até levar uma franja vermelha.
Òsàgìyán está ligado ao culto do irokó e dos espíritos, assim como a fertilidade e ao culto dos inhames.
“ELEMESSO A SO ALOWO SO ABI OMO”  (“Elemesso dá riqueza e filhos”)
Ele recebe seu pai Òsàlúfon, nos últimos dias das festas de Oxalá, oferecendo-lhe um banquete durante a qual é servido inhame amassado no pilão e as vezes ele leva um pilão na mão.
“PANKORO ELEBO TI SE ODO’
“EM SILÊNCIO ELE AMASSA O INHAME SECO NO PILÃO”
Òsàgiyan seria Elejigbo, filho de Orixá Òlùfón dizem em Ejogbo que quando Òronìyan, segundo Oní de Ifè avançou contra Meca e fundou ÒYÓ acompanharam-no vários os membros de sua família, entre os quais Akinjole filho de Ògìriniyán, o filho mais novo de Òdùduwa.
Akinjole fundou Ejigbo, ele era geralmente chamado pelo nome de Òsógyìan, e era responsável pelo Òrìsà de seu pai Òrìsà Òsógyìan. Foi um guerreiro valente que depois de muitos combates desapareceu debaixo da terra e transformou-se em pedra.
O tipo Òsógyìan é habitualmente alto e robusto, seu porte é majestoso, seu olhar ao mesmo tempo altivo e travesso. Ao contrário dos tipos precedentes, não despreza o sexo, mostra-se galante e muito amigo das mulheres, mas cultiva sobretudo o amor-amizade ou o amor livre.
O tipo Òs`gì`yán é alegre gosta profundamente da vida, revelando-se freqüentemente irônico malicioso, falador e brincalhão. Ao mesmo tempo é um idealista que defende os injustiçados, dedica-se às belas causas, é nobre cavalheiro que socorre os fracos e os oprimidos.
Orgulhoso, sedento de aventuras e de feitos gloriosos, nunca se dá por vencido. Pode tronar-se às vezes uma espécie de D. Quixote.
Òsógyìan tem a intuição do futuro, dizem que ele á a nascente e Òsàlúfon o poente. Seu pensamento freqüentemente original, antecipa o de sua época, espírito brilhante dotado de grande facilidade de argumentação é um progressista que incansavelmente combate para a justiça e para a verdade.
Quando rico é generoso e até pródigo. Embora guerreiro, não é agressivo e nem brutal.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Osumare

14 de novembro de 2014 ·
FALANDO DO ORISÁ OSUMARÊ [OXUMARÊ]
OXUMARÊ..Orixá do Arco íris e da Prosperidade. A cobra que come o próprio rabo, na representação do sempre reinício..... OXUMARÊ – A Dualidade Presente Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do orixá feminino Oxum, a senhora das águas doces. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem. Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo: metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo. Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.... Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é aponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Nos seis meses subseqüentes, o orixá assume a forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso. Oxumarê é o orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem para, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo. Certas casas de Umbanda e certos zeladores tem em seus cultos a não presença do orixá Oxumarê. Ledo engano aqueles que pensam que Oxumarê não faz parte dos cultos de Umbanda. É o orixá das sete cores do arco-íris, e por isso traz na sua essência as sete linhas dentro de Umbanda. É o orixá das cores e de tudo o que é belo. Não existe altar sem rosas e não existe rosa sem cor. Ai está presente Oxumarê. Em termos superficiais, pode-se também associar o arco-íris ao bem e a cobra ao mal por que se o primeiro é uma imagem colorida, bonita, que traz o prazer estético as pessoas, o segundo é um animal perigoso, que pode levar o homem a morte. Outra fonte de identificação a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas. Acontece que a origem do Orixá é uma de uma cultura diferente da maior parte doso orixás cultuados no Brasil e na própria África. Oxumarê é uma divindade originária da cultura do daomé, região centro-norte da África. Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubás, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar. Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação política de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos. Pelo contrário os iorubás não tentaram impor sua cultura ao povo dominado. Ficaram , na verdade, impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem. Ao mesmo tempo, há uma diferença básica entre a cultura do Daomé e o ponto de vista dos iorubás sobre as divindades em geral. Se as figuras guerreiras de um Ogum sensual e arrebatado, de uma Iansã explícita e franca ou de uma Oxum espertamente maliciosa e diplomática são fáceis de serem compreendidas, formando arquétipos claros, os orixás do Daomé são mais soturnos, misteriosos. Suas lendas não os apresentam completamente como as lendas dos nagôs. Fica sempre um território um pouco escondido, algo secreto, misterioso, no comportamento deles, toda uma faixa de ambigüidade que não permite uma definição tão certeira e simples como dos orixás do país Yorubá. Os deuses do Daomé são mais punitivos, circunspectos, austeros e vingativos. Não são apenas levados pela passionalidade das figuras mais comuns do mundo iorubá, que da mesma forma que punem arrasadoramente, dramaticamente se arrependem do que fizeram aos seres humanos. Não, Oxumarê, Iroko, Omulu, Obaluaiê e Nanã, os orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas risíveis e humanizadoras das figuras do panteão iorubá. Por ser comum seu “aparecimento” como cobra e como arco-íris nos rios e cachoeiras, Oxumarê costuma receber suas oferendas nesses locais, outro fator a aumentar a confusão que se estabelece entre ele e Oxum, que também é cultuada nesses ambientes. O Arquétipo dos seus filhos Como é de costume a todas as divindades originárias do daomé (cultura Jeje), é relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento associado ao orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras em seus mitos. Os filhos de Oxumarê são bem mais difíceis de serem reconhecidos do que os guerreiros filhos de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de Yemanjá, por exemplo. Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há porém, divergências em relação às suas características ao consultarmos autores diferentes. Para uns Oxumarê é associado à riqueza: “Oxumarê é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos”. Para certos autores os filhos de Oxumarê possuem o dom da vidência. Quando vivia na Terra, Oxumarê previa tudo, adivinhava o que ia acontecer, a tal ponto que não era mais possível viver. Os deuses então decidiram mantê-lo afastado dos homens, pois a clarividência total acaba transformando-se em maldição. A seu pedido, Oxumarê obteve a autorização de descer na terra de três em três anos, o que talvez explique parte do mistério referente ao culto deste orixá e também sua rara participação nos jogos de búzios, onde os orixás em geral se revezam nas respostas – mas é raro se encontrar uma resposta de Oxumarê. Seus filhos estão entre aquelas pessoas que, de tempo em tempos, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de emprego, como se ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente, exigindo e provocando um rompimento com o passado e iniciando diuturnamente a busca de um novo equilíbrio, até o momento da real mudança. Também são apontados nos filhos de Oxumarê certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo-rico exibicionista. A androginia do orixá por vezes é estendida a seus filhos. Estes, segundo alguns historiadores seriam bissexuais em potencial, mas essa interpretação não é aceita universalmente, tendo alguns sacerdotes especificado que não há ligação possível entre papel, preferência sexual e orixá. Fisicamente são pessoas que se movimentam de forma leve, pouco levantando os pés do chão, sugerindo mesmo a idéia que rastejam. São pessoas que apesar do descrito anteriormente, tem uma grande energia nervosa e necessitam se movimentar, agilidade, indo de um lado para outra. São pessoas que como a cobra, armam seus botes de forma silenciosa, e atacam só quando tem certeza da vitória. São pessoas difíceis de se relacionarem devido a grande facilidade de mudarem tudo de uma hora para outra. São pessoas fechadas e apesar da família e dos amigos são muito fechados e quase sempre obrigatoriamente solitários. Além da tendência de serem esguios a terem pele oleosa, talvez bastante escorregadia, outra característica física saliente que possuem é o olhar, já que olhos de cobra, grandes e um pouco salteados. O Culto ao Orixá Oxumarê, como a maior parte dos orixá daomeanos e, principalmente, como outros orixás cujo habitat preferencial é a floresta (Ossain, Oxóssi) por exemplo, e comemorado cerimonialmente às terças feiras (certas nações dão a quarta feira junto com Xangô e Iansã). Como é produto da cultura do Daomé, sua mãe, ao contrário de Yemanjá mãe de praticamente todos os orixás iorubás – com exceção de Logunedé, filho de Oxóssi e Oxum – é a austera Nanã Buruku. Seu pai, não existente na cultura matriarcal dos daomeanos, tornou-se pela assimilação cultural nagô Oxalá, a figura masculina de mais destaque desta cultura. Seu elemento é todo o tipo de movimento constante, de substituição, ruptura, fim, mudança e reinicio. Seu domínio é o arco-íris e a cobra. As contas de Oxumarê denotam sua dualidade pois possuem duas cores e verde e o amarelo. O sincretismo é raro, mas quando acontece, a figura associada ao orixá do arco-íris é a de São Bartolomeu. Para ele são sacrificados bodes, galos e galinhas d’angola (conquíns). As suas comidas ritualísticas podem ser o feijão com milho, a pipoca, azeite, camarões além dos bolos de batata doce com formas de cobras e poços. Seu instrumento é o cacho sagrado das sete cores do arco-íris. Sua saudação é Arrôboboi!!!
Qualidades Dan – Corresponde ao nome Jeje de Oxumaré e, no Alakétu, constitui uma qualidade deste último: é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada à chuva, à fertilidade e à abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário. Dangbé – É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto. Becém – Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva
uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumaré, menos afectado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Oxumaré conhecida no Bogun. Azaunodor – É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e “leva tudo de dois”. Frekuen – É o lado feminino de Oxumaré, representado pela Serpente mais venenosa. O lado masculino de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris. O orixá possui ainda vários outros nomes na África como no Brasil, que como acontece com todos os outros Orixás, se referem a cidades, lendas ou cultos específicos de uma determinada região, e com isso ganha suas particularidades e costumes; alguns dessas outros nomes são: Akemin, Botibonan, Besserin, Dakemin, Bafun de DEKÁ, Makor, Arrolo, Danbale, Foken, Darrame, Araka, Averecy, Akoledura e Bakilá. KaforiDan.
Vodun-Bessen das casas Nagovodun. Primeiro de tudo temos que partir do ponto se você é de Osumare ou de algum Vodun Dan, pois um é um Orisa e outro um Vodum. Aja visto que o culto de Osumare provém de uma dissidência de uma tribo dos Gen (Mina) que foram para o território Nago-Yoruba

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Egbe aramefa

9 de novembro de 2014 ·
AWON ARÁ MÉFÀ

“O CORPO SACERDOTAL DO CULTO AS DIVINDADES DA CAÇA”
Na Tradição YORÚBÀ as Divindades da Caça tem a sua importância devido à três princípios básicos:
O primeiro é de ordem material, pois esta Divindades quem possibilita as caçadas frutuosas e, em conseqüência, garante a comida em abundância.
O segundo é de ordem médica, pois os caçadores, estando frequentemente na floresta, estabelecem contato com os OLOSÁNYÌN e os ONÍSÈGUN (Sacerdotes e Curandeiros do Culto à ÒSÁNYìN), possibilitando um amplo aprendizado sobre a medicina natural.
O terceiro é de ordem social, pois quase sempre um caçador quem descobre, sob a proteção das Divindades da Caça, por ocasião de suas incursões à procura da caça, um lugar favorável para o estabelecimento de uma nova roça ou de uma futura aldeia onde ele vem instalar-se com sua família.
Este caçador se torna o primeiro ocupante do lugar e o dono da terra, à frente daqueles que virão instalar-se depois dele.
Os caçadores e os pescadores, não correspondem a castas, mas sim a etnias.
Suas atividades estão entre as mais antigas da Sociedade Humana: a “caça” que corresponde “duas caças”, uma na terra e outra na água hoje denominada de “pesca” representam também grandes escolas de iniciação, pois não há quem se aproxime imprudentemente das força sagradas da Terra-Mãe e dos poderes da mata, onde vivem os animais e os seres sobrenaturais.
A exemplo, o caçador, de modo geral, conhece todas as “encantações da mata” e deve dominar a fundo a ciência do mundo animal.
Dentro do Panteão YORÚBÀ as Divindades da Caça mais conhecidas são:
ERINLÈ ou IBÙALÁMO
ODE
ÒSÓÒSI
ORÈLÚÉRÉ
LÓGUNÈDE
OTIN
...entre outros dos quais seus respectivos cultos se perderam na diáspora.
Afim de preservar o culto as Divindades da Caça, foi estabelecida uma Irmandade composta por um corpo sacerdotal de seis membros masculinos, dentro de uma sociedade de caçadores. Esta Irmandade intitulada de ÀWON ARÁ MÉFÀ tem contribuído muito para que o culto as Divindades da Caça no Novo Mundo não caminhe a beira da extinção como ocorre em suas terras de origem – a África Ocidental.
DENOMINAÇÕES E FUNÇÕES DOS TÍTULOS:
OLÚ ODE – Primeiro título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ e Chefe dos caçadores; o sumo sacerdote do culto, guardião dos segredos da gênese cósmica e das ciências da vida, detêm o conhecimento, o entendimento e a sabedoria dos mitos e ritos litúrgicos às Divindades da Caça.
Este tradicionalista, geralmente dotado de uma memória prodigiosa, normalmente também é o arquivista de fatos passados transmitidos pela tradição, ou de fatos contemporâneos.
O OLOODE ou ÀKÓ ARÁ MÉFÀ como também é conhecido, desempenha as suas funções auxiliado por seus dois assistentes: o ÒTUN ÀKÓ ARÁ MÉFÀ (o mais graduado dos dois assistentes de um chefe) e seu ÒSI ÀKÓ ARÁ MÉFÀ (o menos graduado dos dois assistentes de um chefe).
O ÒTUN exerce a função somente na ausência do ÀKÓ ARÁ MÉFÀ e o ÒSI na ausência do.
Caso ocorra a ausência inesperada dos três nada se faz. Mesmo o OLÚ ODE sendo o detentor de todo os segredos do culto ele não poderia realizá-lo sozinho por isso a metáfora a seguir nos explica: “ILÉ BABA MI NÍ ILÈKÙN MÉFÀ” - “a casa de meu pai tem seis portas” ou interpretando a metáfora para os ÀWON ARÁ MÉFÀ “seis em apenas um, um que se divide em seis”.
Esta é a expressão resumida de um pacto firmado dentro do sagrado e não poderá ser violado. Desta forma todos os titulares devem serem auxiliados por seus ÒTUN e seus ÒSI.
EPERIN L'ODE – Segundo título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ, o Grande Caçador de Elefantes, a expressão elefante tem a conotação do maior animal de caça, não pela sua carne e sim pela sua presa, o precioso marfim; mas sabemos que o animal mais caçado são os antílopes.
Detentor dos “encantamentos da caça”, aquele que antes de sair a uma caçada, com seu misterioso ÌRÙKÈRÈ passa sobre o arbusto de uma determinada folha e pela reação desta, sabia se o grupo deveria ou não sair à caça, pois na antiguidade quando um caçador aventurava-se a caçar e retornava à aldeia sem animais abatido era tido como sinal de mal agouro.
Se necessitamos invocar o ÀSE das Divindades da Caça é a ele que deveremos recorrer, inclusive nos Candomblés é o EPERIN que “bate os chifres de boi” emitindo um som característicos que invocam as Divindades da Caça. Os Rito de
Sacrifícios são de sua inteira responsabilidade.
KAKO ONÍKÙMÒ EKÙN – Terceiro título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ, “aquele que esta armado com a clave do Leopardo” o que significa que tem o poder de julgar e condenar, já que a figura do Leopardo esta associada à Justiça dos Homens.
Sua função é manter a ordem política e social entre a comunidade de caçadores e a própria Irmandade, pois segundo o pacto não deve haver disputas ou desavenças entre si.
PAKÙN ODE – Quarto título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ aquele que auxilia o EPERIN nos ritos de sacrifícios e esta a seu cargo o trato dos animais antes e depois do sacrifício, com exceção da cozinha, pois sabemos que mesmo em território YORÚBÀ “ao homem esta vedado a cozinha ritual”.
ODE APERÍ – Quinto título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ detêm o conhecimento dos encantamentos, louvações, rezas e cânticos as Divindades da Caça.
Este terá o direito de formar um grupo de pessoas que o auxilie no coral.
ONÍ PÓNPÓ – Sexto título da hierarquia dos ARÁ MÉFÀ o guardião do templo dos caçadores aquele que detêm o poder de invocar a força de ELÉGBÁRA, juntos protegem a comunidade dos ataques dos AJOGUN (os inimigos sobrenaturais dos Homens).
Embora este título pertença a esta Irmandade, aquele que o exerce é um dos sacerdotes do Culto à ALÁKETU – o primeiro Rei da cidade de KETU e ancestral do primeiro Rei da etnia ÈGBÁ (atualmente habitantes da cidade de ABEOKUTA)
Fora desta Irmandade mas pertencente ao Culto as Divindades da Caça ou a Sociedade de Caçadores, existe um IJÓYÈ “posto feminino” denominado ÌYÀ ODE ou ÌYÁOFARASODE, guardiã dos segredos de ÌYÁ APAOKA ou ÌYÁ NBANBA e que desempenha sobretudo a função de sacerdotisa; e não poderia ser diferente entre os demais cultos, pois “nada se faz somente com homens, assim como nada se faz somente com mulheres” a exemplo temos a Sociedade EGUNGUN e a Sociedade GELEDE.
Outros OLÓYÈ “posto masculino” que merecem um estudo a parte é o AFIRIKODE ou como muitos o conhece AFRIKODE e o OMOREKUN. que em algumas tradições também e considerado como um Ara Mefa entre os oloye dos caçadores ainda temos o ONI ABO ODE, ONI TAFAODE E UMA SACERDOTISA MUITO IMPORTANTE DENTRO DESTE CULTO A IYA OFARERE.