domingo, 21 de janeiro de 2018

AYAGBA ASABÓ

AYABÁ ASABÓ (Axabó)

Arà I' òkó Iáàyà Tobi fori òrisà.
"O Grande Orixá do orum "terra dos ancestrais vigia."

Itan.....

O culto de Sango é rodeado de Deidades femininas (Deidade não é Orixá, é um ancestral cultuado em assentamento apenas). Temos exemplos como a Avó de Sango "Iya Lakanjê", a mãe de Sango "Iya Masemalê", a tia de Sango "Iya Asabó", a mãe de Ayra "Iya Oloja", entre outras.
Aqui a história de Iya Asabó:

Sango não era um bom rei, era impiedoso e perverso.
Sango declarava guerra a torto e a direita, não havia paz nos arredores de Oyó, e por isso nenhum dos reinos vizinhos tinha simpatia por Sango.

Durante um longo período não houve chuvas em Oyó, e o calor das terras africanas fez as águas do reino secarem.
Sango então ordenou a seu general Ayrá que fosse em todos os reinos pedir ajuda, pedir que enviassem água ao povo de Oyó.
Ayra então foi de reino em reino reportando o pedido de Sango, e absolutamente todos os Reis negaram ajuda. Ayra não teve como argumentar, ja que ele mesmo havia atacado esses reinos por ordem de Sango.
A mãe de Sango era Iya Masemale, que era das terras Tapá, e nesse período a sua irmã veio visita-la, era a princesa Asabó.

Quando Ayra retorna com más notícias, o reino se desespera.
Asabó então toma as dores de seu sobrinho, ela empunha o Ose (machado) de Sango e vai até os reinos que Ayra havia visitado, e então convence um a um dos Reis a ajudar Oyó, pois era uma mulher muito firme em suas palavras.
Quando ela retorna, vem vitóriosa trazendo Água para todo o povo.

Asabó então é chamada de "O lado feminino de Sango", pois muitos a confundiam com o próprio Sango quando a viam vestida de vermelho e com o Ose nas mãos, ainda mais quando falava em seu tom de voz forte e severo.

Asabó era envolta no culto das mães ancestrais, e com o segredo das Iyami Osorongá ela confere a Ayra o poder de fazer chover. Desde então Ayra passa a traser a chuva para Oyó, acabando definitivamente com a seca.
Foi Asabó que trouxe água para Sango, e por isso os iniciados a Sango tomam banhos no recolhimento em honra a ela, a princesa Iya Asabo tia de Sango.

Asabo é um exemplo da força da mulher, ela sabia a responsabilidade de ser uma princesa Africana.

Sango faz questão absoluta de ter com ele todas essas mulheres, por isso quando se assenta Sango tambem se assenta asabo, ela representa as mulheres guerreiras de Oyó.

Kabiecile!!
"Saudamos a honrada família de Oyó!
Texto d'Tatà Citalânde"
        
                               · E káàró a todos Asé"

Ayra, Aara, Arira, yaluja, oloja, oja

AYRÁ - ÀÀRÁ - ÀRÌRÀ
YALUJÁ - OLÓJÀ - OJÀ

Ayrá é Orisa do trovão.
Ayrá é Orisa do Raio.
Ayrá é Orisa da chuva.
Ayrá é Orisa do Fogo.
Ayrá é Orisa do redemoinho.
Ayrá é Orisa do vento.
Ayrá é parente de Oduduwa
Tal como Ogun, Obaluaye e Sango.
Ayrá responde em nove nomes
Ayrá possui nove títulos de honra.
Álàmódè, protetor das crianças.
Lojó, que faz chover.
Etinjà, que causa a guerra.
Intilè, que tem a chave da casa.
Bómìn, que ferve a água.
Igbóna, que é febril.
Adjàosì, que se senta sobre um pilão.
Òsoburú, que é feiticeiro.
Àjebórá, que é eleito magnífico.
Se existe Sango em Oyó
Se existe Oranfé em Ifé
Também existe Ayrá em Ketu e Savé.
Eis que ao longe se houve
O trotar de um cavalo.
O barulho do chocalho
Se mistura ao do vento que bate
Nas folhas das árvores.
Vem uma mulher
Uma senhora a galope.
É Olójà montada em um cavalo
Que corre em disparada
Ao encontro do exercíto do inimigo.
Uma mão nas rédeas
Outra girando seu chocalho de metal
Sere.
Ela agita o chocalho e grita
Com todo seu fôlego o nome de seu filho
"AARÁ LE!!!!"
Atrás de Oloja vem um grande
Redemoinho que varre tudo
Que encontra pelo caminho.
Ayrá vem em forma de vento
guiado pela mãe.
Ayrá no meio do tornado.
Tem os olhos brancos como Orogbo.
A boca fumegante solta labaredas
Como se o estômago
Fosse uma fornalha.
Oloja é senhora do mercado
Da feira pública.
Olojá anda com Aje Saluga.
Olójà não é Yemoja.
Muitos a chamam de Yemoja
Mas Oloja não bebe da água
Do rio Ogun.
Olójà veio do céu
Olójà é Orisa Funfun.
Mas Olojá também é guerreira.
Ela é valente como uma leoa
E somente a ela Ayrá atende.
Ayrá é poderoso como o sol
Mas ainda assim abaixa a cabeça
Para sua mãe. 
Redemoinho que se acende em fogo.
Redemoinho que despeja raios.
Ayra usa seu machado Aké
Identico ao Aringo de Ogun
E ao machado de Aganjú Solá.
Ayrá era Aare-Ona-Kakanfo
General do Alaafin Dadá Ajaka,
Tal como quinhentos anos depois
Afonjá foi  Aare-Ona-Kakanfo
General do Alaafin Awole Arogangan.
Ayrá lutava sem medo da morte.
E então o exército inimigo vê
A terrível força de do Orisa.
Orisa Eborá.
Este é o Orisa que se vestiu
Com roupas brancas
Diante de Obatalá!
Que se vestiu de vermelho
Diante de Oyá
Que se veste de tantas cores
Quanto Osumare,
Nem mesmo o preto lhe foge.
Este é o que mata na guerra
Sem sujar a roupa de Sangue.
Vaidoso e opulento.
Valente como a mãe.
Oloja que usa o cinturão púrpura.
Rico como o pai.
Oduduwá rei de Ifé.
Ayrá tem prazer na boa comida
E contrariando os costumes
Ele come sem ter fome.
Ayrá é agitado como um tambor
Que so é feliz ao fazer barulho.
Grande Orisa
Que é bem vindo na casa de Osun.
Que é bem vindo na casa de Yemoja.
Ayra-Lê!
Ayra-Lê!
Ayra-Lê!
Seja louvado todos os dias!
Vitórioso do Orun.
Nunca sairá
De nossa memória.

(No desenho Oloja guia Ayra e ele veste uma saia com todas as cores referentes as suas nove qualidades)

O velho Ibualama

O VELHO IBUALAMA

Primeiro de tudo vamos esclarecer que não existe nenhum orisa chamado "Oxóssi Ibualamo", o nome correto é ERINLÉ IBÚ ALÂMA, e como diz o nome se trata de Erinle e não de Oxóssi.
Erinle tem muitas qualidades. A palavra IBÚ Significa "submerso" e se refere a Erinle ser um orisa patrono de um rio, ODÔ ERINLÉ. Veja as qualidades desse Orisa:
*IBÚ ALÂMA
*IBÚ OJOTÚ
*IBÚ OWALÁ
*IBÚ ABATAN
*IBÚ MOKÍN
*IBÚ ONDÚN
*IBÚ ANÚ
*IBÚ ASÚN NÀRA
*IBÚ ABADI
*IBÚ IJESÁ
*IBÚ PAKOLO
*IBÚ IBUSAYN
*IBÚ AGBANDADÁ
*IBÚ ELEYÉ
*IBÚ APANLÁ
*IBÚ OTIN
Inle não é qualidade e sim uma corruptela do nome Erinlé.
IBUALAMA é a fase onde Erinle ja não caça mais, ele ja esta velho e vive a se alto flagelar com seu chicote Bilála. Ibualama ostenta o orgulho de seus dois filhos ja serem adultos e bravos guerreiros e caçadores, são OLOGUNEDÉ e AYABA OTIN.
Ibualama não usa ofá, mas carrega uma lança afiada.
Ibualama se veste unica e exclusivamente de Branco assim como o seu pai Orisa Okô, é ligado a Osun Ipondá e a Ayaba Abatan, Yemoja Asesun e a muitos Orisas.
Se conta que Erinle sofreu uma injustiça em vida e então por sofrer uma grande desilusão ele se transforma em rio, no fundo do rio voltar a ser humano e então se flagela com seu chicote para a afastam a amargura de ter sido injustiçado. Ibualama vive na parte funda e escura do rio onde os homens nao mergulham pois sabem que Ibualama puxa e afoga quem invade suas águas.
A arvore jaqueira é tão importante em seu culto quanto no culto de Oxóssi, pois ambos seriam filhos de Ya Bambá.
Ibualama é Orisa da nação Efon, e no candomblé Ketu foi tão descaracterizado que se tornou apenas um caminho de Oxóssi, mas ele no Efon ainda é o grande Odé da cidade de Ilobú, que é subordinado e amigo do grande orisa Oloroke e de Sango.
A saudação de Ibualama: ARÁ UNSÊ IBU ALAMA!
Suas cantigas são em Batá e Ijesá.
Asé

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Plantiu e colheita das criancas segundo ifa

Ifá diz:
“Uma criança que aprender a plantar hoje, saberá colher amanhã!”. (Oturupon Ogunda)

“Os ramos do Iroko deveriam ser podados enquanto a árvore é jovem. Quando fica velha e alta, seus galhos já não podem ser facilmente cortados. Isto foi divinado para Òtú, a mãe de um bebê novo. Eles disseram que a criança seria um ladrão quando crescesse. Foi pedido para que os pais oferecessem sacrifício para que as crianças pudessem obedece-los.”

Vamos refletir?

Muitos dizem que as crianças são o futuro da nação e isto não esta errado. Amanhã quando nossa idade chegar são eles, os pequenos de hoje, que darão continuidade aos nossos passos. 
Porém, por qual caminho estes passos serão dados? Aí esta a grande questão.

"O ser humano é dotado do dom da comunicação e de consciência, ou seja, podemos passar conhecimento á outras pessoas. Uma criança quando vem ao mundo não é dotada de conhecimento sobre o plano em que ela esta, não conhece as idealizações da sociedade em que se encontra, não tem consciência nenhuma do que está acontecendo. A partir do momento que esta pequena criatura começa a crescer, vai se tendo a percepção do mundo que a rodeia, e assim absorvendo uma série de dúvidas e a curiosidade é a característica mais destacada levando a exploração de seus limites."

Cabe então aos pais que mostrem aos filhos quais os caminhos certos a serem seguidos. Mas para isso, os pais também devem ter discernimento em seus ensinamentos, pois uma mente desequilibrada, é o mesmo que uma fogueira em uma floresta, se não tomar cautela, este fogo toma conta da floresta toda e seus danos podem ser irreparáveis.

“O conhecimento dentro da Religião Tradicional Yorubá é passado da mesma forma, de pai para filho, de Babá para Omo, cabe ao sacerdote ensinar aos seus iniciados á conduta correta que se deve ter em uma “Casa de Asé” e como o iniciado deve levar a vida perante a religião ao qual pertence”.

Do que adianta termos um legado e não ter alguém para continuá-lo?

Ifa Orunmila nos ensina que os erros são necessários para que nós possamos aprender, e eles devem ser podados enquanto jovens assim como as folhas de Iroko, pois quando crescerem se tornarão mais difíceis de serem corrigidos!

“A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces!”. (Aristóteles)

“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” (Immanuel Kant)

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.” (Derek Bok)

Ifa Orunmila uma filosofia de vida!
Pratique o!

Ifa gbe wa oo

Texto: Awo Ifaponmile

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Èlá quem e essa divindade?

ÈLA o que é ou quem é ÈLA 

 

É o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem.

ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. 

 A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Ioruba. 

Em função disso ÈLA não foi definido. 

Na tradição oral existem muitos que dizem que ele "é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles” ou que " é o seu empregado de confiança".

Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes.

ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. 

ÈLA é chamado de "AQUELE QUE MANTÉM O MUNDO ACERTADO". 

Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. 

Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE. 

ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN - “ÈLA é o preferido de OSIN" .

OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE. 

ORUNMILA desceu à terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. 

Uma história do ODU ODI IWORI:

ÈLA IWÒRI NI KÌ JÉKI AIYÉ RA 'JÚ;NIGBATI AIYÉ OBA-'LUFE DARÚ, 

ÈLA IWÒRÌ L' O BÁ A TÚN AIYÉ RÈ SE; NIGBÀTI AWON O-DÀ-'LÈ ÌLÚ 

AKILÀ BA AIYÉ ÌLU WON JÉ, ÈLA IWÒRI L' O BA WON TÚN U SE; 

NIGBATI ÒSÁN D' ÒRUN NI ILÙ OKÈRÈKÈSÈ,TI AIYÉ ÌLÚ NÃ DI 

RÚDURÙDUTI AWON AWO IBÈ BÀ A TÌ,ÈLA IWÒRI L' O BA OLÚYORI 

OBA IBÈ TÚN U SE;NIGBÀTI ÉLÈGBÁRA BÁ NFÉ S' ORI AIYÉ K' 

ODÒ,ÈLA IWÒRI NI' MA DÙDÚ ÒNÀ RÈ;ÈLA IWORI KÌ' GB' OWÓ,ÈLA

IWÒRI KI' GB' OBI,ON L' Ó SÌ NTÚN ORI TI KÒ SUNWÒN SE.

 

ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína

Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso

ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem

Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade

ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo,

Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito)

E os sábios do lugar foram desviados.

ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio,

Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo,

ÈLA IWORI foi quem o obstruiu,

ÈLA IWORI não recebe dinheiro,

ÈLA IWORI não recebe OBI

Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares.

Podemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de "letargia" em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando à ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo e então o difamaram. 

Em função disso, conta a tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de um corda esticada.

Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.

Vamos a outro verso:

ÈLA S' OGBÓ, S' OGBÓ ÈLA S' ATÓ, S' ATÓ O F' ÒDÚNDÚN S' OBA EWÉ O F' IROSÙN S' O SÒRUN RÈ; O F' OKUN S' OBA OMI O F' OSA S' OSÒRUN RÈ; A-S' - ÈHIN-WA A- S'-ÈHIN-BÒ NWON NI ÈLA KÒ S' AIYÉ RE; ÈLA B' INU, O TA' KÙN, O R' ÒRUN; OMO AR'-AIYÉ TÚN WÁ NKIGBE: ÈLA DÈDÈRÈ I' Ó MÃ SÒKALÈ WA GB' ÙRE. ÈLA DÈDÈRÈ

 

ÈLA realmente fez a velhice ÈLA realmente fez a vida longa

Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas 

Ele fez de IROSSUN o

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Ajimuda

Bom dia, Irmãos de fé!
Vamos de Itãn.
A pintura de Efun no rosto de Oyá é uma tradição que vem sumindo dos ilês, o motivo é que a maioria dos zeladores não conhecem esse ato ou mesmo que já tenham visto, não sabem para que serve.

Se conta que Oyá Igbalé (isso se aplica a todas do culto Igbale) lutava lado a lado com Àjímúdà, o ancestral guerreiro incluído no culto a Egun na Floresta da Morte. Quando lutava ao lado de Àjímúdà, Oya Igbalé usava uma máscara de madeira pintada de branco. No candomblé Ketu e Efon não utilizamos máscaras na indumentária dos nossos Deuses (isso é um Ewó), então pintamos a face de Oyá com efun para lembrar as batalhas ao lado de Àjímúdà e o exército de egun, que eram submissos a Oyá Igbalé.

Chamamos este ato de "Aquecer a casa", pois quando pintamos Oyá, ela exige que lhe entreguem seu Agerê (panela de barro com brasas e labaredas de fogo), o qual ela roda por todo o Ilê expulsando os males e atraindo os Orisás quentes.

O nome "Àjímúdà" se tornou um cargo do culto a Oyá Igbalé, este é o Oyê das Egbomis desta Yabá e este cargo é tão importante que é saudado no ipadê de Esú.
Àjímúdà significa: Aquela (ji) que acorda (mú) e pega a espada (idá).

A máscara de Efun é uma tradição muito antiga e muito bela.

Epahey!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Importância do ovo no candomble

A IMPORTÂNCIA DO OVO NO CANDOMBLÉ.....

O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida o Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento =ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ. O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário.

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto deÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ e etc...
Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador). O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu aÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ. O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà,Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa.O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò(assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrifica-tórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto deÌyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa. Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé.Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé.
Classificação dos Ovos
Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza. Ovo de galinha cozido – tirar doenças.Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia
Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas.

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço.

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios
Ovo de pombo – propicia tranqüilidade e fertilidade.