quarta-feira, 26 de março de 2025

abrimento de mesa de esquerda.

Na jurema Sagrada, na maluquice de minha cabeça, a mesa é aberta, ou pela direita, através do cachimbo de Jurema Preta, ou pela esquerda com o cachimbo de Angico

Muita gente acredita que abrir uma mesa pela esquerda é como fazer uma kimbanda luciferiana, mas onde me tornei catimbozeiro, não é bem assim.
Abrir mesa pela esquerda, é fumaçar a mesa, arrodeando no sentido horário que tem a finalidade de empurrar para frente, os contrários, para dentro de um dos 12 porões. 

A mesa é aberta com o Príncipe Akauã. Este Príncipes também é chamado de gavião-cova-caiau, macauá, acanã, cuã, cauã, coã, deus-quer-um, bispo, gavião-coveiro, cobreiro, papa-cobra, uacanã e macaguá

Esse Príncipe chama o contrário para morte. Seu canto parece dizer: Deus quer um. É uma ave de agouro

Acauã me abre mesa
Para os contrários passar
Deus mandou chamar mais 12...
Pra do mundo retirar 

Donc

sábado, 8 de março de 2025

reino do Jurema a concepção

Um resumo sobre o Reino do Juremá 

1⁰ Reino: Reino do Juremá 

Significado: Evolução 

No avançar das eras nesse mundo, o ser humano em sua tenra idade, foi se descobrindo, enquanto ser em aprendizado.
Podia guardar memórias,  desenvolver habilidades e o uso dos sentidos.
Foi conjugando pensamentos e emoções, com afazeres, que traziam melhor qualidade de vida. Sentiu a força dos invisíveis nas estações, ciclos das águas,  calor e frio, tempo de frutos, melhor momento para caça e autoproteção. Forte compreensão de que ele dependia do meio, mas que do meio poderia retirar o que precisava para sobreviver. Os saberes organizavam as formas, decretando atitudes positivas. 

Mitologia 

O primeiro homem, nasceu de Tupã e se chamava Rupavê. Rupavê vivia perambulando junto com sua mulher Sypavê. Se chovia, se escondiam; se fazia sol, procuravam sombra. Se a barriga roncava, comiam folhas, frutos e até restos de carcaças. Um grande espírito os protegia - Anhangá, mas eles não  sabiam.
Um dia,  por ordem de monan, Anhangá foi ordenado a ensinar como andar com os seis espíritos que Tupã havia colocado para eles existirem. 

1. O Espírito da cabeça, que guardava tudo o que via, degustava, tocava, cheirava e ouvia. 

2. O Espírito do pé direito, que levava o corpo 

3. O Espírito da mão esquerda, que trazia o inesperado 

4. O Espírito da mão esquerda , que trazia uma pessoa pra ajudar 

5. O Espírito do pé esquerdo, que levava a pessoa para o abismo. 

6. O Espírito do coração, que ajudava a pessoa diferenciar, qual pé estava no comando. 

Isso aconteceu no dia que Rupavê, cansado, resolveu descansar com Sypavê, entre as árvores espinhosas da Jurema Preta porque ali muitos animais não entravam. Rupavê limpou o chão e viu uma raiz brotada da terra. Com fome, limpou a raiz, raspou e lavou com água de cuia. Sypavê ficou temerosa com o estranho alimento. Foi assim que Rupavê dormiu embriagado com a Jurema e sonhou que ele era uma grande estrela. Das pontas dessa esteira um ser do outro mundo retirava cabeças e elas falavam com ele.
Ele acordou e contou tudo para a sua mulher. A primeira jornada do ser humano na terra havia começado

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

cabocla jurema

A EMBLEMÁTICA CABOCLA JUREMA. 

A origem da palavra jurema é de origem tupi, uma junção dos termos “ju” (espinho) mais “rema” (cheiro ruim), que pode ser traduzida para o português como “espinho fétido” ou “espinho de cheiro ruim”.
Obviamente, referindo-se à árvore jurema. De acordo com a história, a Cabocla Jurema, quando humana, foi abandonada por sua mãe, aos pés de uma árvore denominada jurema, quando tinha apenas sete meses de vida, mas foi resgatada pelo Caboclo Tupinambá, por quem foi criada. Mais tarde, ela acabou se tornando cacique de sua tribo e primeira guerreira desta. Era destemida e não abaixava a guarda, mas um dia ela se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga, da "Terra do Sol". Ele estava aprisionado, por ter sido capturado pela tribo de Jurema, em uma batalha. Esse sentimento (o amor) tornou-se seu maior adversário, pois sabia que se ela se entregasse a isso, seria expulsa de sua tribo. Tendo certeza de que ela o encontrara não por acaso e vendo um futuro nos olhos dele, ela o libertou e fugiu com ele, ao mesmo tempo em que era perseguida por guerreiros da sua própria tribo. Na fuga, Jurema foi atingida por uma flecha, direcionada a seu amado. A flecha atingiu seu peito e ela caiu sem vida no mesmo lugar. Huascar, então, voltou à Terra do Sol, fundou seu império nas montanhas e ergueu um templo dedicado à Cabocla Jurema. No lugar onde ela morreu nasceu um girassol, e é por isso que se diz que sua coroa brilha como o Sol. Jurema, por sua vez, se tornou a entidade espiritual Cabocla Jurema. 
Cabocla Jurema também pode ser uma falange espiritual cultuada em religiões de matriz africana, como umbanda e o candomblé de caboclo — em sincretismo com rituais de ramificações religiosas, como o animismo dos povos indígenas do Brasil, sobretudo no catimbó, onde estão ramificados os rituais de pajelança e no toré. O termo “jurema”, no universo espiritual é polissêmico.
Para os juremeiros, como são chamados os praticantes, a Jurema Sagrada é a religião primaz do Brasil, pois existe desde antes de o país ser colonizado. 
O culto à Cabocla Jurema foi severamente censurado pela Igreja Católica, quando no século XVIII, foi registrado no processo N° 4 884, de 1 de julho de 1741, em Recife.
Em Codó a Cabocla Jurema é festejada no dia 20 de Janeiro juntamente com o Caboclo das 7 Flexas seu irmão primôgenito.

Constantino baiano chapel de couro

BAIANO GRANDE CONSTANTINO CHAPÉU DE COURO.

Dizer que ele é  rei (não sei de onde tiraram isso), que é pai e chefe da família, é meio óbvio. 
Longe de ser um baiano, nascido no estado da Bahia ou qualquer ligação com o referido estado, é no mínimo estranho quando ele (supostamente) se apresenta com tais características. 
 O nome Baiano Grande, se refere à baía de Cumã, é uma baía que banha o município de Guimarães, no estado do Maranhão.
É tida como um cemitério de navios, como o Cambridge e Ville de Bolougne (que levava o poeta Gonçalves Dias), pelos seus muitos bancos de areia e rochas, ameaças à navegação.
Pertencia à antiga Capitania de Cumã, com sede na cidade de Alcântara.
O angolano (Nkisi?) Constantino Baiano Grande, antigamente usava um chapéu de palha grande que o protegia do sol quando era pescador na baía de Cumã, talvez por isso que ele evita incorporar em seus filhos durante o dia, sempre preferiu à noite.
Essa versão de "Chapéu de Couro" é uma criação recente dada à falta de informação, daí criaram a partir do se epiteto de baiano (oriundo da Bahia) e o equivoco mais bizarro é vesti- lo com o chapéu típico dos nordestinos da caatiga à moda do finado cantor Luiz Gonzaga.
Constantino o Baiano Grande encantou-se na baía de Cumã no litoral maranhense e adentrou à mata de Codó com o grupo de Dom Pedro Angassú (Vodum Agassu) e da Rainha Rosa.
Constantino, o Baiano Grande, surgiu na cabeça do feiticeiro codoense Deus Quiser, que morava nas terras da pedra furada, por isso naquele município ficou também conhecido como Constantino da Pedra Furada. 
Quando desce na linha de caboclo é chamado Baiano Grande, como nobre é chamado de Moço Grande da Baía.
Esse encantado desapareceu do panteão de Codó,  não sendo mais visto no Terecô contemporâneo codoense.

rompe mato

CABOCLO ROMPE MATO DA MATA ZOMBANA.

Caapores (conhecido também por "urubus, cambôs, urubus-caapores, urubus-caapores, ka'apor) é um povo indígena que vive no estado do Maranhão, no Brasil. O seu nome significa "povo da mata", através da junção dos termos tupis ka'a ("mata") e poro ("povo").
A tribo dos índios Urubús povoaram o município de Codó por volta de 1823.
O Caboclo Rompe-Mato, conhecido em terras codoenses também como Urubú, do Tupi-Guarani (Urú = ave grande, bú = negro). Portanto para um seleto grupo de codoenses é chamado de Caboclo Urubú ou Ave negra.
Da família miscigenada com os Surrupiras o Caboclo Rompe Mato ganha mais esse nome quando rompeu os limites da Mata Virgem ou Mata Zombana ou ainda Mata Escura, localidade limite das terras pertencentes aos índios Urubús e Barbados.
Os Barbados, de costumes e hábitos estranhos, pretendiam alcançar os seus objetivos por meios violentos, se preciso fosse, usariam suas armas envenenadas.
Vizinhos dos índios Guanarés que se localizavam em aldeias entre os vales do Mearim, eram mais compreensivos, não atacavam e nem molestavam os jesuítas, até o acontecimento da tragédia que ceifou a vida do Padre João Villar (o primeiro religioso cristão catequista de Codó).
Os Urubús, habitavam nas Matas do Itapicurú. Mantinham contato com os brancos, o que os tornavam pacificos e de outras vezes ferozes. Eram vizinhos também dos Barbados. Podiam ser encontrados de Aldeias Altas às terras do Capitão Antônio Muniz em Codó. 
O Caboclo Rompe-Mato ao sair da Mata Zombana juntamente com outros Surrupiras se integraram ao grupo de Légua Boji Buá fazendo uma pequena geração miscigenada e entrando definitivamente para o panteão das entidades codoenses. 
Rompe-Mato é uma entidade surda dentro do Terecô e usa muito a linguagem dos sinais para sua comunicação, característica ausente quando apresentado na Umbanda e em outros cultos afro-brasileiros. 
Seu Rompe - Mata, trabalha muito com o Urubú Rei, pois essa ave consegue voar acima das nuvens, acredita os indígenas que esse poder é  que dar a força mortal em suas penas quando confeccionadas em suas flechas.

sábado, 21 de setembro de 2024

monã monan.

Monã ou Monan é conhecido na crença tupi-guarani como o deus criador do mundo, do céu, da terra e dos seres vivos. A representação de Monã é como algo infinito. 

Monã também é entendido como  "terra sem males" na cultura tupi-guarani 

• Monan é também o nome de um modelo matemático desenvolvido pela ciência brasileira para melhorar a precisão das previsões climáticas e meteorológicas na América do Sul e no Brasil. O nome foi inspirado na ancestralidade e significa "terra sem males" na cultura tupi-guarani.  

 
A imensidão é um oceano sem fim
Ela é uma cuia
A imensidão é um mar nessa cuia
Por vontade de Monã, Deus todo poderoso, o oceano transbordou, se derramando no vazio 
Foi nesse tempo que o vazio deixou de existir
E desse oceano derramado foram surgindo as estrelas, a terra e os seres 

Monã quis saborear seu feito 
Então ele fez um filho e pos ele na Terra nova, Maíra, tembém conhecido como Maíra-Monã. Apesar de viver rodeado por toda a humanidade e todas as formas de vida, estava sempre solitário. 

Um dia se ouviu um barulho ensurdecedor, acompanhado por um calor gigante. Era "tatá-gûasú, o grande fogo, que havia incendiado o mundo. 

Foi nesse tempo que Maíra Monã resolveu ir morar com seu pai. Porém, antes de fazê-lo, deixou uma grande cabaça, com um segredo dentro. Havia 12 furos pequenos arrodeando a cabaça. E nela, 36 penas de Uru'wu Antã, Urubu Rei. Maíra prometeu que aquele que de soubesse dessa Ciência, se purificaria e iria morar também no infinito com ele e seu pai. 

Na Jurema mais próxima da matriz indígena, não existe a Cuia Mestra, principalmente no Rio Grande do Norte, nunca vi, nesses 62 anos de vida. Em nossa cultura religiosa na Irmandade Reino do Vajucá, nós temos a representação de Monã. Essa representação também aparece na direita e na esquerda do Caboclo, na Jurema mais difundida do estado, que é a Jurema de Babá Karol. 

Marcelo Galvão
Padrinho da Irmandade Reino do Vajucá
Extremoz RN

terça-feira, 15 de agosto de 2023

mutum real

Em Casa de Juremeiro só quem assobia é Caboclo 

Nos tempo muito antigo, dizia um índio, nosso povo enfrentou uma grande falta de alimento
Foram pedir a intercessão de Deus Monan, O Poderoso
O Pajé preparou a Jurema e bebeu da ciência e dançou e cantou por três dias e três noites
Já cansado, na terceira noite, Monan se revelou
Está vendo o Cruzeiro do sul?
Esse é o Mutum Real, Pai de todos os mutuns
Vou te ensinar como chamar 
Ele vem depressa ficar
Uns são para comer 
Outros para criar
Mas os da mata não ouse caçar 
Se fores verás que são índios que foram com o pai morar
Mas se na mata estiveres
Sem saber por onde andar
Chame Mutum que se ele vier
Animal feroz não há. 
Daí o pajé ouviu de Monan um assobio do Mutum real
Quando repetiu o assobio
Muitos mutuns vieram dóceis para a ocara - praça, da aldeia
Os mutuns são dóceis
Servem de alimento
Servem de aviso 
Onde tem mutum não tem perigo
Por isso cuidado com o assobio 
O perigo vem pegar o mutum e encontra quem assobiou 
Só o Caboclo sabe a hora certa de assobiar 

História contada por seu Antônio do Boiadeiro Tangerino e registrada por mim. 

Marcelo Galvão, 12 de junho de 1982