sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rei Tanaruê

Rei Tanaruê 

Na passagem do rio tinto
Ô ninguém vai lá 
Ô ninguém vai lá 
Lá tem Reis Tanaruê 
Que só luta pra vencer 
É Poti é Potiguara 
Rei que quebrou a cabaça 
Uma é fogo
Outra é água 
Outra terra 
Outra o vento que arrasta
Quando Tupã veio a terra
Foi feito um corpo pra ele
O corpo tinha o dia e a noite
O bem e o mal 
Os antigos chamavam Tanaruê 
Ele se banhava num rio de sangue 
Chamado Ipiranga
É conhecido hoje com Rio Tinto

Marcelo Galvão

Reis Canindé

Rei Canindé

O desbravador 
O que encontra caminhos onde só existe dificuldades 
O que guia seu povo com segurança 
Aquele que edifica uma aldeia, num lugar encantado 
Onde Canindé está a segurança também está 
Onde Canindé dorme
O alimento está garantido 
Canindé é um grande guerreiro 
Que guerreia pela paz
Companheiro inseparável da Rainha Aurora 
Ela voa ao amanhecer 
Ela traz respostas 
Ela traz recados
Ela aponta para onde a flecha tem que seguir
A noite ela descansa nos braços de seu rei
A aldeia não está desguarnecida 
Os príncipes 
As Tapuias Canindé 
O Mutum real estão de espreita 

Oferenda:

Caça, pesca e frutas regionais
Cor: azul e amarelo
Bebida: licor de genipapo 
Ciência: Buriti, pequi, cumbaru, bacuri, jatobá, mandovi e babaçu.
Se adornam com cocar de pena

Marcelo Galvão

Rainha Aurora

Rainha Aurora 

Quando Monã (Deus) criou as coisas ele viu que faltava alguém para embelezar o dia, então de sua vontade ele criou uma Deusa por nome Aracy (Aurora); Deusa do amanhecer, das cores e dos sons. Muitos animais tentavam imitar esses sons, mas somente as Araras conseguiam. Num dia que nascia, um valente Índio Kanindé, que havia passado a noite a caçar, viu e ouviu Aracy em seu maravilhoso trabalho de amanhecer e, imediatamente, se apaixonou. Então,  quando o dia estava prestes a amanhecer, ele corria para a mata só para ver sua amada surgir. Aracy se encantou com a beleza e a bravarura do Índio e por isso, a cada amanhecer, caprichava mais e mais em seu trabalho. Um dia ela chegou tão perto dele, mas tão perto, que foi impossível não se entregar àquele grande amor. Assim, em segredo eles se amavam todos os dias ao amanhecer. Acontece que tempos depois o ventre de Aracy começou a crescer. Ela se apavorou porque era proibido aos Deuses se enamorarem dos humanos, quanto mais procriarem. Soube que Anaconte, Deus guerreiro, desejava se unir a ela e por isso pretendia matar seu amado. Aracy, em desespero, foi procurar por Rudá, Deus do Amor, que, apiedado prometeu ajudá-la.
No dia do parto, ela pretendia entregar o filho para Kanindé a fim de que ele levasse a criança para sua tribo e o criasse em segurança, mas percebeu que eram duas e se angustiou porque sabia que seu povo enterravam gêmeos. Rudá então interviu e, na beira de uma pequena lagoa, as duas crianças nasceram encantadas em dois pés de Taioba, um roxo e um verde, imediatamente de suas raízes brotou água formando dois rios: um rio escuro, que foi o primeiro a nascer antes da aurora e que herdou do pai o lado guerreiro e da mãe um canto fino de assobio que afugenta os maus intencionados, recebeu o nome de Muraxá-Mirim Itaúna, Príncipe Rio Negro, e o segundo, que nasceu quando a aurora despontava, um rio claro, tranquilo e que tinha o som suave do cantar das águas, acalmando a cabeça das pessoas perturbadas, e foi chamado de Muraxá-Mirim Itamobi, Príncipe Rio Verde. Rio Negro seguiu seu curso para o oriente e Rio Verde para o ocidente. Rudá, para terminar sua grande ajuda, transformou Aracy numa linda Arara que repetia todos os sons do nascer da Aurora e voou para o ombro de seu guerreiro amado ficando conhecida como Arara Canindé. Ariconte nunca mais a encontrou. 

Fim por fim, escrito por mim
Lenda ouvida de Pai Velho (Severino Estevão, um memorian) 

Galvão, em 12 de julho de 1980

Rainha Iracema

Rainha Iracema 

Iracema 
Esta mata está escura 
Estou te chamando 
Para a mata alumiá
Bela Cabocla
Teu reinado é um Encanto 
Deixa-me ouvir teu canto 
No tronco do Juremá 
Iracema 
Virgem dos lábios de mel
Acabando todo fel
Que amarga meu viver
Eu vou na gira
Na curimba firmar ponto
Para fazer da vida meu canto
E alegrar o meu ser
Iracema teu amor foi desafio
Amaste a Martim, o inimigo
Gerastes um filho Moacir
Essa Odisséia chegou aos Encantados
Entre guerras e prantos
Com a defesa de Poti
De Moacir
Com a força do sol e do mar
Do mel para adoçar 
Nasceu todo o povo do Ceará 

Marcelo Galvão

rainha janaina

Janaina 

A caravela abandonava a terra de Vera Cruz
Ia em direção às praias de Luanda
De onde estava ainda via os versos que escrevi na areia
No meu peito apertado 
Eu levava a sua imagem
Minha doce Iraê
Ela toda enfeitada
Tiara de penas novas de arara 
Fios tecidos em volta dos braços e das pernas
Corpo pintado de urucum e genipapo 
Ela enfeitando um cesto de folhas verdes de palmeira 
Ela forrando tudo com folhas grandes de taioba 
Ela dizia
Essa folha não deixa o espírito da morte chegar
Ela colocava frutas doces cuidadosamente arrumadas 
Muitas flores brancas ornavam o cesto 
Pulseiras de contas 
Pente de osso
Brincos de dentes de onça 
Um belo cocar branco e azul dava um ar de realeza ao presente
Assim ela entrava no mar
Assim ela entregava o presente a Mãe Sereia
Assim eu jurei perante o mar da sereia 
Um dia voltar para Iraê
Eu já não via a praia 
Mas as minhas palavras não seriam em vão 
Tupã terynhyrõ, Janaina

Marcelo Galvão

Rei tupinamba

Rei Tupinambá 

Tupã é Reis na minha aldeia
Tupã é Reis no meu Juremá
Na Nesa Santa estou chamando 
Os Caboclinhos
Para vir me ajudar 
Vou chamar Tupinambá 
Reis Caboclo Riá 
Vou chamar Tupinambá 
Na Mesa do Vajucá 
O Irapuru cantou nas matas
Que as matas balanceou 
Foi quando Tupinambá 
Na Aldeia ele chegou
Caboclo tá guerreando 
Guerreando sem pará 
Protegendo os seus filhos
É o Reis Tupinambá 
Protegendo os seus filhos
É o Reis Tupinambá 

Okê Caboclo

Marcelo Galvão

Rei Nanagiê

Reis Nanãgiê 

Quando as jias sobem a ribanceira 
E cantam sem parar
É Reis Nanã anunciando 
Que muita água vai chegar
Caboclo que tá no mato 
Já conhece esses sinais 
Sobem pro alto das árvores 
Para as águas não levar
Tem uma reza antiga 
Dita pelos mais velhos
Que quando se vai perto das águas, nunca esqueça o farelo
É mandioca seca guardada em seu bisaco 
Para fazer a reza
Reis Nanã ouvi seu recado 
Espalha-se farinha n'água
Que acalma a Tupã 
Up, up, up, up, up
O canto da jias diminuido 
Up, up, up, up, up
Reis Nanã está ouvido 
Up, up, up, up, up
Meu caminho vou seguindo 
O Caboclo já em casa
Sobre uma folha de imbé
Coloca 12 catolé amassado 
Com o coco retirado 
Com a farinha de mandioca faz a pasta 
Bota na beira do rio pra Reis Nanã 
Com muito mel de arapuá
É assim que se agradece a Reis Nanã 
Cada pedido que alcançar

Marcelo Galvão 

Se a água vem do céu 
Reis Tupã é que guerreia
Se água bate em terra Reis que não bambeia 
Não bambeia 
Não bambeia 
Não bambeia 
Reis Nanã que vem na cheia

mourão do mar

Rei Mourão do Mar

Mouro, Mouro, Mourão 
Mouro, Mourão 
Mourão do mar
Onde está meu Rei 
O meu Rei Mourão 
Está nas ondas sagradas do mar 
Louvando a Rei Salomão
Sou Mourão da pedra marmi 
Da pedra marmi mourão 
Hoje aqui chegou um Mestre 
Que adivinha 
Adivinhão
Minha mãe era malvada
Me jogou pra me afogar
Entre as pedras e as turquias 
Acabei de me criar
Viva Deus que é nosso pai
Viva o Rei Mourão do Mar
Seu Reinado são turquias
Perdidas pelo imenso mar
Que salva as almas dos afogados
Pras elas se encantar
Vem chegando na Jurema 
O grande Rei Mourão do Mar

Marcelo Galvão

Rei Salomão

Rei Salomão 

O que trouxe Salomão a Jurema Sagrada
Foi a barquinha do errante
Do que, sob as vestes,
Ocultava a Ciência do rio Jordão 
Ele veio nas eras
Quebrando as ondas do mar
Ajudado por Rei Mourão 
Temendo a Inquisição 
Encontrou abrigo na Mesa do Juremá 
Aqui Salomão se rendeu
Ao encanto da mata
Abdicou dos carneiros que ofertava 
Aceitou o cordeiro divino que tirava o pecado do mundo
Como o último sacrifício 
Se tornou Rei no Juremá 
Com a chave das Clavículas 
Rezas, feitiços e bruxarias
Salomão ganhou coroa
Consagrada pelo Pajé 
E daí se tornou direção. 
Quando estamos perdidos
Busquemos a Salomão 
Se sofremos injustiça 
Busquemos a Salomão 
É um pacto
Selado entre o Pajé, o Rabino e o Padre
Respeitado pelo Padrinho 
Que o discípulo vai consagrar
Qual fou o primeiro corpo sepultado sem caixão?
Foi do monarca dos Mestres 
O grande rei Salomão 

Texto de meu pai Marcelo Galvão . RN

Rei Malunguinho.

Rei Malunguinho

A palavra malunguinho vem do Bantu kimbundo, Malungo, que significa companheiro, amigo, irmão, camarada
Malungo é todo aquele que se irmana numa causa comum

Origem:

Na primeira metade do século XIX, Malunguinho foi o nome ou título do principal líder do Quilombo do Catucá, localizado na Mata Norte de Pernambuco.

Resistência:

O quilombo desafiou o Império e os senhores de engenho, abrigando escravizados fugidos. Um dos líderes mais conhecidos da linhagem foi João Batista.

Perseguição:

Em 1827 e 1828, com o crescimento e a força do movimento, o governo provincial de Pernambuco colocou a cabeça de Malunguinho a prêmio e enviou tropas para destruir o reduto na Cova da Onça, gerando conflitos prolongado

Os Malunguinhos de maior destaque

João Bamba

Foi um dos principais e mais temidos chefes militares do Quilombo do Catucá na década de 1830. Assim como João Batista, ele carregou a alcunha e a responsabilidade de ser um dos "Malunguinhos" da resistência pernambucana.

Papel na Resistência e Morte

Liderança de Frente:

João Bamba assumiu o comando do quilombo em um dos períodos mais violentos da história de Pernambuco, marcado pela repressão policial e pelas disputas territoriais intensificadas após o código judicial de 1830.

O Alvo Imperial:

A atuação de Bamba em táticas de guerrilha nas matas entre Recife e Goiana fez dele um dos principais alvos das expedições punitivas financiadas pelo governo provincial e executadas pelos Juízes de Paz.

Queda em Combate:

João Bamba foi morto em batalha pelas forças imperiais durante os violentos cercos da década de 1830. Sua morte desestabilizou severamente a estrutura militar do Catucá, pavimentando o caminho para o enfraquecimento que levaria à posterior queda de João Batista em 1835.

A trajetória de líderes como João Bamba reforça o entendimento historiográfico de que "Malunguinho" não era um indivíduo isolado, mas sim um símbolo de liderança coletiva e continuada.

João Batista

foi o último grande líder do Quilombo do Catucá a ser registrado com o título de Malunguinho. Sua morte, em 18 de setembro de 1835, marcou o fim oficial da resistência armada do Catucá perante as autoridades imperiais

A Luta de João Batista

O Auge da Perseguição:

Ele assumiu o comando em um momento de extrema fragilidade, logo após a província de Pernambuco esmagar a Cabanada (uma violenta guerra civil regional). Com o fim desse conflito, o governo pôde redirecionar centenas de soldados experientes e forças indígenas aliadas exclusivamente para caçar os quilombolas do Catucá.

A Emboscada Final:

João Batista foi morto em uma emboscada nas terras da antiga Maricota (atual município de Abreu e Lima, PE). Na mesma operação, seu filho e herdeiro tático, Vicente Ferreira, foi capturado pelas forças do chefe de polícia Nunes Machado. Apenas dez quilombolas conseguiram escapar do cerco.

O Legado e o "Mito da Chave"

A eficiência de João Batista em libertar pessoas escravizadas e incendiar os canaviais dos senhores de engenho desafiou o Império por anos. Seus feitos alimentaram a lenda urbana de que ele carregava uma "chave mágica" capaz de abrir qualquer senzala ou tranca para proteger quem fugia.

Após a sua queda física em 1835, João Batista passou por um processo de "encantamento" na tradição oral, tornando-se o pilar central do culto a Malunguinho na Jurema Sagrada.

João Pataca

Foi uma das lideranças históricas mais fascinantes e estratégicas do Quilombo do Catucá, atuando de forma muito marcante no final da década de 1820. Documentos oficiais de 1829 apontam que as autoridades imperiais tinham especial preocupação com as suas atividades na região.

Ele se diferenciava por liderar o que os relatórios da época chamavam de uma "quadrilha mais mansa" se comparada à de outro comandante, João Bamba, embora ambos agissem em estreito acordo tático.
As principais características registradas sobre a atuação de João Pataca incluem:

Liderança e diplomacia local:

Ele e seus homens circulavam com frequência pelos vilarejos próximos às matas. Eles estabeleciam relações comerciais, vendendo peixes e fazendo compras regulares.

Imponência e respeito:

Relatos históricos apontam que João Pataca andava acompanhado por "negras e guarda de honra", demonstrando uma estrutura hierárquica e de prestígio muito forte dentro da comunidade quilombola.

Articulação comunitária e festas:

Ele promovia batuques tanto no interior das matas quanto em alguns engenhos da área. Chegava a realizar celebrações inclusive dentro de residências no vilarejo de Tejucupapo, mostrando forte inserção e trânsito entre a população local.

Justiça própria:

Pataca ficou conhecido por punir assaltantes que haviam atacado o engenho Macaco, agindo como uma autoridade e força de ordem paralela nas zonas rurais que o Estado imperial não conseguia controlar efetivamente.

Vicente Ferreira

Ocupa um papel dramático e crucial na história do Quilombo do Catucá, pois ele foi o sucessor direto e filho de João Batista, o último grande líder a portar oficialmente o título de Malunguinho.

A trajetória de Vicente ilustra os momentos finais da resistência organizada nas matas pernambucanas:

A Sucessão no Caos:

Em setembro de 1835, o governo imperial lançou uma violenta e massiva operação militar contra o Catucá. As forças oficiais deslocaram soldados veteranos e indígenas (que haviam acabado de lutar na Guerra da Cabanada) especificamente para extinguir o quilombo. João Batista foi morto em combate nessa investida.

Assunção do Comando:

Com a morte do pai, Vicente Ferreira assumiu a liderança do que restava da comunidade. Historiadores como Marcus Carvalho apontam que o fato de Vicente herdar o posto é uma prova contundente de que o Catucá não era um bando desorganizado, mas sim uma sociedade quilombola altamente estruturada, hierarquizada e com uma linha de sucessão dinástica definida.

A Captura:

A resistência sob o comando de Vicente durou pouco. Cercado pelas forças do chefe de polícia da província, Nunes Machado, o herdeiro de Batista acabou sendo capturado. Relatos da época apontam que apenas cerca de dez pessoas conseguiram escapar do cerco que desarticulou o núcleo principal do quilombo

Esses homens reis, são Deuses Encantados. Traziam o poder da natureza de África e de Pindorama. 

Eles aparecem como uma lança certeira que atinge o alvo da liberdade 

Africanos e indígenas do mesmo lado, por isso louvados, cultuados, tomados de Ciência que até os dias de hoje ajudam, advogam, abr caminhos, fortalecem e curam o povo de Terreiro 

Se oferece a eles o que a mata produz: frutos, caça, mel

Cor: verde e vermelha 

Bebida: cana brava 

Se vale dos dois cachimbos, o de Jurema e o de Angico, contudo tem ciência com a árvore do jatobá e se faz trabalhos com a fava usando a massa que tem dentro.

Como rei, seu cocar é feito de penas de capote, sobre chapéu de palha

Marcelo Galvão 

As informações histórias foram obtidas por I.A.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rei Bom Florar

Rei Bom Florar

Foram infinitos ciclos lunares
Muitos nasceres do sol
Até que o homem do mato começasse entender
Quanta Ciência havia em todas as plantas 
Nas pedras
Nos rios
Nos animais
Na chuva
Ele via 
Ele guardava na memória 
A planta que curava 
A que desinflamava
A que cicatrizava
A que melhorava a barriga 
A que aliviava a cabeça 
A que dava coragem 
Ele foi aprendendo pelo cheiro da folha
Pelo formato da folha 
Pela textura da folha
Se elas estavam viçosas durante o dia
Ou se levantavam quando o tempo esfriava ou a noite chegava
Ele foi entendendo 
Ele foi separando
Ele fazia jus ao nome que os mais velhos lhe deram: Potykatu
O bom florecer, Bom Florá 
Ele, o erveiro 
O curador
O que conhece a ciência das plantas 
O que vem ajudando a nascer na Jurema Sagrada 
São muitos Mestres Bom Florá 
Muitos que trabalham com esse mistério 
O Bom Florá ainda permanece 
Na periferia 
Onde não chega a branca medicina 
Nem os leitos dos brancos hospitais 
Entre cânticos monótonos
Chocalhar de maracas 
Cheiro de cachimbo perfumado
Erva macerando no pilão 
O Terreiro de Jurema continua 
Cumprindo sua missão 

Marcelo Galvão

Rei de andorinhas

Rei de Andorinha

Errei por toda uma vida
Sem sossego para dar
Foi assim que acabei jogado
Nos pés de um Juremá 
Lembrei-me dos meus pecados 
Então me pus a chorar
Chorei por 12 dias que nem me vi do mundo passá 
Acordei com 12 andorinhas querendo me coroá 
Trazendo uma mensagem do grande Rei Tupã 
Que era pra me salvar 
Esta coroa de espinhos é a tua salvação 
Vai pro mundo fazer o bem que os espinhos vão ao chão 
Foram 12 andorinhas que cumpriram uma missão 
De cortar todos os espinhos de Jesus na crucificação 
Andorinha é um Rei
Um Rei de libertação 
Então ganhei manto de pena 
Na mão um grande bastão 
Eu vou embora pra terra para curar aflição 

Marcelo Galvão

monan

Monã

Monã ou Monan é conhecido na crença tupi-guarani como o deus criador do mundo, do céu, da terra e dos seres vivos. A representação de Monã é como algo infinito.

Monã também é entendido como  "terra sem males" na cultura tupi-guarani

• Monan é também o nome de um modelo matemático desenvolvido pela ciência brasileira para melhorar a precisão das previsões climáticas e meteorológicas na América do Sul e no Brasil. O nome foi inspirado na ancestralidade e significa "terra sem males" na cultura tupi-guarani. 

 
A imensidão é um oceano sem fim
Ela é uma cuia
A imensidão é um mar nessa cuia
Por vontade de Monã, Deus todo poderoso, o oceano transbordou, se derramando no vazio 
Foi nesse tempo que o vazio deixou de existir
E desse oceano derramado foram surgindo as estrelas, a terra e os seres

Monã quis saborear seu feito 
Então ele fez um filho e pos ele na Terra nova, Maíra, tembém conhecido como Maíra-Monã. Apesar de viver rodeado por toda a humanidade e todas as formas de vida, estava sempre solitário. 

Um dia se ouviu um barulho ensurdecedor, acompanhado por um calor gigante. Era "tatá-gûasú, o grande fogo, que havia incendiado o mundo.

Foi nesse tempo que Maíra Monã resolveu ir morar com seu pai. Porém, antes de fazê-lo, deixou uma grande cabaça, com um segredo dentro. Havia 12 furos pequenos arrodeando a cabaça. E nela, 36 penas de Uru'wu Antã, Urubu Rei. Maíra prometeu que aquele que de soubesse dessa Ciência, se purificaria e iria morar também no infinito com ele e seu pai.

Na Jurema mais próxima da matriz indígena, não existe a Cuia Mestra, principalmente no Rio Grande do Norte, nunca vi, nesses 64 anos de vida. Em nossa cultura religiosa na Irmandade Reino do Vajucá, nós temos a representação de Monã. Essa representação também aparece na direita e na esquerda do Caboclo, na Jurema mais difundida do estado, que é a Jurema de Babá Karol.

Texto de meu pai Marcelo Galvão
Extremoz RN

Rei Heron

Rei Heron 

No reinado da Jurema
Eu avistei uma Cidade
É a Cidade Vajucá 
Que Deus ordena e tem Mestre pra trabalhar 
Na Cidade Vajucá 
Vi um velhinho caminhando 
Esse velhinho é Reis Heron 
Que Deus ordena
Pra no mundo, vir curando

Heron, meu Reis Heron 
Na Mesa Barros Troá
Vem rezando e vem curando
Te todas as doenças 
Que neste mundo há 

Marcelo Galvão

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

asese

Asese
Cantigas para o ritual do axexe

*OBS: A GRÁFIA NÃO ESTÁ CORRETA EM RELAÇÃO AO DIALETO DAS NAÇÕES. ATENTAMOS APENAS PARA A FONÉTICA NA HORA DE CANTAR*

Cantiga para amarrar o Mariwó:
Tocôrorô
Egbé ni xegun
Bení sá beré

*KETU*
Chamar Egun, levantar pano, acender vela...:

1-Cantiga para chamar todos os Essá até aquele da obrigação. (mo júba)
Ê sírrum wô onixororô
E fafáô o ni toroxê
Ode arolê ô loro
E fafaô o ni toloxê (todos repetem)
Ê sírrum wô onixororô
E fafáô o ni toroxê
Ode arolê ô loro
E fafaô o ni toloxê 
*(Oruko)* ô loro
E fafaô onitoloxê

2-*ê mojúba ô*
Axexe, Axexe omon
*Axexe ê mojúba ô*
Axexe, Axexe omon
*Axexe o lôwo ke afá*
Axexe, Axexe omon
*Axexe mojúba ô*
Axexe, Axexe omon 
(Canta até que todos tenham ido lá fazer os procedimentos

3- *Iku lô daburajô*
*Iku lô, Iku lô daborajô*
*Aborá juê, oniê* 
*Iku lô, Iku lô daborajô*
Iku lô, Iku lô daborajô
Iku lô, Iku lô daborajô
*Aborá juê oniê* 
*Iku lô, iku lô daborajô*.
Iku lô, Iku lô daborajô
Iku lô, Iku lô daborajô

4- Odurô Iku aiye
Iku ô Iku aiye
Iku lopa ará baba
Iku Omo a kekerê
Olo Odurô Iku aiye
oniê
Odurô Iku aiye
Odurô Iku aiye
Iku lopa ará baba
Iku Omo a kekerê
Olo Odurô Iku aiye
Oniê

5- Omorodé suremam
A lô Iku ô é paraguidi
O mirô já Iku ô
Egbé iná paradá

6- Wa a ku
Onixegun olorun ô
A dahum Iku belê 
Ê bobo a unló
Iku ô 
A um xê Ko Sun olorum ô
A um xê Ko Sun loiyer
Ê bobo a unló

7- ô murá  se bi
Laba Ke Sé bé.
Ô murá se bí 
Laba Ke Sé bé
Iya mofun 
Iya Koizo
Iya mofun
Iya kwendá
Ô Iya mofunã
O Iya kwendô
Iya mofun
Iya kwendá

8-e iKu ô 
Iku da dabi kojá ô
Olojá ojaré
Aiyê arere 
Iku lojá ojare
Iku lojá dabi kojá ô
Olojá ojaré
Aiyê arere
Iku lojá ojare

9-iku da biá koke ô
Oro epe, meje mariwo
Iku da biá koke ô
Oro epe, meje mariwo

10- aguidiê aguidiê koro eje
Sá sá guidíê
Aguidiê aguidiê koro eje
Sá sá guidíê
Ossí lobewa
Ossi lobewa koro ejé
Sá ságuidíê

11- *Kobe nissá egun*
*Egun kobe nissa egun*
Egun
Kobe nissá egun
Egun
Kobe nissá egun

12- Arolê odó aba o moku
Oloxê ko sun loiye
Arolê odó aba do mokun bení se bó
Ka má fê o do dê ade o sun
Arolê ó do omókun
Onixegum ko so oloyê 
Arolê ôdo móku bení xe bo
Ka ma fe lá oxê adê osun.

13- ibi wi bi lô bewa
Ló bewa koká morô
Ode Arolê lobewa
Lobewa koká morô.

14- Iku ô iku ô lolé lá um be
Iku ô iku ô lolé lá um be
Baba ô baba ô dide bi oro
Baba ô baba ô dide bi oro
Iku ô iku ô lolé lá um bere

15- Orixa xo tori omon
Akoluna ô
Orixa xo tori omon
Akoluna ô

16- *Awure é maló*
*Ê bobô a um xê* 2x
Awure é maló
Ê bobô a um xe
*Awure Iku Ko molé*
*É só kun balé é komon
*é maló*
*Ê bobô a um xê*
Awure é maló
Ê bobô a um xê
Awure é maló
Bobô a um xê

17- Ô delê é maló Ma beruô 2x
Aje lopá lodé Orun
Iku lopá lodé Orun,
Ô delê é Maló Má beruo 2x
Iku lopá lodé Orun 2x
Ô delê é maló
Ma beruô

18- *Ê a iku ô*
A  Iya 
*Ê iya iku ô*
A  Iya 
*Ê a Iku ô odê*
 A iya iku ô, a iya
*Iya iku ô*
A  Iya 
*Iya iku ô*
A  Iya
*ê a iku ô odê*
A iya Iku ô, A Iya

19- a iku olorê
Olê ni a tá oxê
Olê ni a tá oxê

20- xe xé koro
 Xe xé koro
Xe xé koro
Xe xé koro
Koriman koriman
Xe xé koro
 Xe xé koro
Koriman koriman
Xe xé koro
Xe xé koro

21- ewe kan belo dô
Eniá já orô 
Ará ódun 
Eniá bé Ji Jó lá
Ará odun
Ewe kan belo dô
Eniá já orô 
Ará ódun 
Eniá bé Ji Jó lá

22- Oduran ararram
Ará o mé ori kan berê

23-*Guegué lá opere*
Oniê.
*Guegué lá opere*
Iku olomon
*Guegué lá opere*
Iku odará

24- kê lô pa dan
Oni aja lôwo

25- koleborá um já
Ori maman 2x

26- iku olomon
Xalarim, Larim Larim
Iku olomon
Xalarim, Larim babá

27- *Ajale la oro* 
Tauwa fu
*Ajale la oro* 
Tauwa fu
*Ibeji la oro* 
Kewa fu 
*Ajale la oro* 
kewa fu
*Onie a iku, Bangala*
*Araiye a iku bangala*
*Ajale la oro* 
Tauwa fu

28- e akikan kobewao
É kikan ojarê
**Orunko* ekobewa malé*
É kikan eiyn olorun

29- é de boche, é de boche ô
Iku ô é de bochê


30- *Adoxu ô*
Adoxu unló
*Adoxu ô*
Adoxu unló

*BATA, FON, IJEXA*
31- Ê araiyó 
Ê araiyó só kun fará ô

32-Olomon ó maxá irê
Lolo mon tô bô assim
Olomon a maxá irê
Tô bô mon tô bô assim

33-Iku ô a maxá irê
Tô bô mon tô bô assim

34-Omolokun 
é maxá irê
Omolokun
É maxá irê
Omolokun
É maxá irê

35- É maxá irê
É maxá irê dá sí Lé
É maxá irê dá sí Lé
É maxá irê dá sí Lé
(todos repetem)
É maxá irê
É maxá irê dá sí Lé
É maxá irê *orunko* 
É maxá irê dá sí Lé

36-*Êee mauá má Ku só Dan*
*Iku má Ku só Dan*
*A ijô *
*Mauá má Ku só Dan*,
Mauá má Ku só Dan
Iku má Ku só Dan
A ijô
Mauá má Ku só Dan,

37- Iku ô Iku ô
A memem, a memem 
Ko xi xé ô

38- *Iku ô memem*
A Ko xi xé

*JEJE* 
(ninguém dança nas primeiras cantigas)

77- *ê maió valu ê lô*
*Maió valu já ué só*
ê maió valu ê lô
Maió valu já ué só
*Sirrum vale lê joiê*
ê maió valu ê lô
Maió valu já ué só

78- agô kanco maió kelu
agô kanco maió kelu
erê mina jojô
erô kanco maió kenu
aê aê
erô kanco maió kenu

79- Avalu la xenuê
Xenuê, xenuê, xenuê
Avalu la xenuê
Sirrum, sirrum, sirrum
Ago ni a to ko tun
Avalu tilewa, tilewa,
Tilewa, Tilewa, Tilewa
Avalu sewa toko tun
Ê Sirrum, sirrum, sirrum

80- agô kanco maió kelu
agô kanco maió kelu
erê mina jojô
erô kanco maió kenu
aê aê
erô kanco maió kenu

81- avalu me huntó, me huntó mê joiê
Tô ibi kewa avalu
avalu me huntó, me huntó mê joiê
Tô ibi kewa avalu


82- agô kanco maió kelu
agô kanco maió kelu
erê mina jojô
erô kanco maió kenu
aê aê
erô kanco maió kenu

*(começa a dançar)*
83- valu é foka no terreiro de maria
Ê valu é foka no terreiro de maria
Si vum vale já ré só
Valu vavá
Valu iê iê
Valu vavá
Valu iê iê

84- *ê maió vanu hundaimê de mahim*
ê maió vanu hundaimê de mahim
*ê ju vale já ressó*
valu vava
*ê ju vale já ressó*
valu vava

85- ê a zambe élekessé
a zambe élekessé
a zambe ma ilô
ê a zambe élekessé
a zambe élekessé
a zambe ago iku ô

86- *barra bará*
*Makutá undê*
barra bará
Makutá undê
*Makutá undê orunko*
Makutá undê
*barra bará*
*Makutá undê*
barra bará
Makutá undê

87- sinhazinha alagogia
Ê ê ê ê
Sinhazinha alagogia
Sinhagia do balacoxé

88- beni manja manja
Beni maku bowa, dá ué só
Beni manja manja dá romé
Beni manja manja
Beni maku bowa

89- ô bobo iya, ô bobo iya
Ê batuka no vare ossin, aiye
Ê batuka no vare ossin, arado meje

90- Kaió kaió
Badá ió
Kaió lê wa
Fí  jó jó
Oro firó
mandu karê
Sapata
Borun dê
Bada ió
Kaió kaiá
Fi jó jô

91- Azerim ma mawá
Azerim ma mawá
Akaka ê
Azerim mamawá

92- Azerim kota Mó dá, Mó dá móré
Kótó kotó mó dá moré
olo ozan
Omoro lode lozan aé

93- Egun na erô
Egun na erô 
Egun na erô
vodun pá
vodun pá
Egun na erô
Egun na erô 
vodun pá
vodun pá
Egun na erô
Egun na erô 

94- Na bí aê sá tó
Sá tó pelê bé, Sá tó pelê bé
Ma piá
Sá tó pelê bé, Sá tó pelê bé
Ma piá


95- agô zaraê
ni agô é nani
agô zaraê
ni agô é nani
ê makaô, azirí é makaô
é maviô, azirí é maviô
kosã nini é makaô
ê kosã nini é mazauani
kosã nini é makaô
ê kosã nini é mazauani
agô zaraê
ni agô é nani

96- Savalá no ran, Savalá no ran
ele kele no kambiá
Savalá no ran, Savalá no ran
ele kele no kambiá

97- tôrríbê, tôrribê, nawe divisor
Egun torribe nawe diviso

*ANGOLA*

64- *Ta nun bongoio*
*Tá tá tá nun bongoio*
Tá nun bongoio
Tá tá tá bongoio

65- *Xora mun ketú*
*xora mun gangá*
*Delė den deré*
Xora mun ketú
*Delė den deré*
Xora mun ketú

66- *Ae taiman*
*Embe wafa*
Taiman ae taiman
*Embe wafa*
Taiman ae taiman
*Embe wafa*
Taiman ae taiman

67- Xora maiõgue
Ke kere ke kete
Ke maiogue
Xora moiõgue
Ke kere ke kete
Ke tumanda ke
Xora maiõgue
Ke kere ke kete
Ke maiogue
Xora maiõgue
Ke kere ke kete
Ke maiogue

68- *Inguê nun wa fará fará 
Muxiba nu tem nu kere
Muxiba matan na Kará
Muxiba um tem num ata*
A iá ingue á
A iá ingue á
*Ingue num a fará fará 
Egum ni foi pro ala
Ingue num a fará fará
Orunko que foi pro afa
Ingue num a fará fará*
Canjira que tem num ala
Ingue num a pera muxiba
Muxiba num tanto tará*
A aí ingue á 
A aí ingue á

69- *E monam serere*
Guandu a afa
Guandu girá
*E monam serere*
Guandu a afa
Guandu girá

70- Re compenso è
Re compenso à
Re compenso è
Dandalunda

71- pera perôlá 
E calunga di lè
pera perôlá 
E calunga di lè

72- Hora xora cum ganga
Mameto
Hora xora cum ganga
Tatetu
Hora xora cum ganga
Mameto
Hora cora vim gangá

73-Ke cum ke cum
Abacum lê
Ke cum ke cum
Abacum lê
Serere mana seu afu
Serere mana seu afu

74- Tiki tiki num pala guando
Tiki tiki num pala guando
E nun pala guando
E nun pala guando a
A ia ingue ziame 
Ingue uame 
Ingue afa
A ia ingue ziame

75- Ae ae vumbe
Aju mava kenu kenu
Ae ae vumbe
Aju mava kenu kenu


*AMOREIRA*(ninguém dança na frente do balaio)

50- Ê alá morô, alá morô
Ó moin xein adê ô, alá morô

51- Egun assá passá
Baba bioche bi arô 2x

52- awa dê baba berê wa, awá dê 2x
Awá tori ajô baba berê wa 
awá dê baba berê 

53- Oxê arawa
Awá dobá
Oxê arawa
Awá dobá
Olokotun
Ibó Aiye
Awá dobá xire wa
Olokotun
Ibó Aiye
Awá dobá xire wa

54- *Abounlá ô*
Ago nilê
*Abounlá ô*
Ago nile
*olokotun abounlá xire aiye*
Olokotun abounlá xire aiye

55- *baba abounlá, babá abounlá*
*Baba abounlá, xiree*
Baba abounlá, babá abounlá
Baba abounlá, xiree

56- ê peré mina xexé, 
Eko ê um á xe koê

57- *aguidiê, Aguidiê é a unló*
Xaixai guidíê
*Aguidiê, Aguidiê é a unló*
Xaixai guidíê
*Abounlá kotun lopa unló*
Xaixai guidíê
*Alá corió kotun lopa unló*
Xaixai guidíê
*Baba olo kotun kodun lerim*
Xaixai guidíê
*Ajimuda kotun lopa leiyé*
Xaixai guidíê
*Se lobiá se lobiá ê*
*Egun tá ni efé*
Xaixai guidíê
*Kotun kodun kodun lopa lerim*
Xaixai guidíê
*Aguidiê, Aguidiê é a unló*
Xaixai guidíê
*Aguidiê, Aguidiê é a unló*
Xaixai guidíê

58- *ajimuda ni balé loran*
Loran aiye
*Olokotun ni balé loran*
Loran aiye

59- *ê baka baka kewaô*
Baka baka kewaô
*Sôjirê nirê tô dê*
*Egun ala já unló*
Egun ala já unló
Egun ala já unló
*ê Baka baka kewaô*
Baka baka kewaô
*Sôjirê nirê tô dê*
*Egun ala já unló*
Egun ala já unló
Egun ala já unló
*Egun ala já unló*
Egun ala já unló
Egun ala já unló

(Termina a amoreira, canta pra chamar ogun)
60- Carralá carralá
Carrunguelê
Carrunguelê carrunguelê

61- Quere mi que baía Ko
Quere mi da baiolá
Quere mi que baía Ko
Quere mi da bailá

62- Mabé
Mabé ogun xorô
Mabé ogun araiyê
Mabé ogun xorô

(quem tem mãe morta, dança com dedo pra cima)
63- *Torô egbé massó kun omo*
*Arolê massó kun*
Torô egbé massó kun omo
Arolê massó kun


*AWO* 

39- *Mariwó ê êê*
Agaê ê á 
*Mariwo lá xaorá*
Mariwo lá xaorá 
*Ê mariwó ê êê*
Agaê ê á 

40- *Awá* dê balé í ô
Awá dê balélé
Balé nilé owo
Egun tá ni xororô
Aki beré beré Egun ô 
A batinhã tinha unló

41- *Iku* balélé í ô
Iku balélé
Balé nilé owo
Egun tá ni xororô
Aki beré beré Egun ô 
A batinhã tinha unló

42- *Igui* balélé í ô
Igu balélé
Balé nilé owo
Egun tá ni xororô
Aki beré beré Egun ô 
A batinhã tinha unló

43- *Axexe*
Xere omom
*Axexe*
Xere omom

44- *Laba laba*
Laba ô
*Laba laba*
Laba ô

45- *Tetete ô babá tete te amorô*
Tetete ô babá tete te amorô

46- *Ke ni dé déré*
*Ke ni dé déré*
Awo ke ni dé dere

Omolu
47- *Iku ô, Iku ô, ko ôlô*
*lá inan fijha unló*
*Iku lo Ku*
*Oojô oku* 
*Oku oku já unlõ*
Iku ô Iku ô ko ôlô
Jajá inan fijha unló
*Iku lo ku* 
*Rá Rá Rá fijha unló*
Iku ô Iku ô ko ôlô
Jajá inan fijha unló
*Iku lo ku* 
*Rá Rá Rá fijha unló*

48- *Iku lé jokô*
Xalá
*Iku lé jokô*
Xalá

49- *Omi torô*
A munhã minhã
*Omi torô*
A munhã munhã

*(Acaba awo canta)*
98- Egun araiye
Egun araiye
Egun ará unló
Egun araiye
Egun ará unló

(convida a família carnal para dançar)

99- Awa Omo
Awa Ori
Awa doxu
Awa owo
Awa Omo lerá ô
Iku unló 
Baió feré
Oni báia
Fé ní báia
Oni báia
Fé ní báia
Afíbôwô lôwo xé in ô.
Ló insun 
Ademô hum
Afíbôwô lôwo xé in ô.
Ló insun 
Ademô hum
Kiló pandá
Oni ojá Orun, Kiló pandá
Oni ojá Orun, Kiló pandá

(Ikuuu
Iku lé riwó)





*Tirar pano da cabeça, inicia a roda*

Opeiyeye á rokô
Ôlôo quewa xebê
Ôlôo quewa xenu
Kojá kojá badá a rokô
Afideré Ku ô 
Á alebarê

A indá ê
A indá ê irunmolé
A indá ê odé Miró
A indá ê irunmolé

Ogun
oxossi
ossain
iroko
obaluaiye
...

quarta-feira, 27 de maio de 2026

os ciganos na linha do oriente da Jurema sagrada

Ciganos na Linha do Oriente da Jurema Sagrada

O Povo Nômade, Encantado e Intocável dos Caminhos

Os chamados “ciganos” representam, dentro da Linha do Oriente da Jurema Sagrada, os povos nômades, andarilhos, livres e espiritualmente encantados, ligados ao movimento da vida, aos caminhos da terra, às estradas invisíveis e aos mistérios da liberdade espiritual.

A palavra “cigano” não define apenas uma etnia, mas uma condição espiritual de povo errante, viajante e guardião dos mistérios dos caminhos. Historicamente, muitos desses povos foram chamados de “intocáveis”, perseguidos ou marginalizados pelas sociedades fixas, justamente por viverem fora dos padrões comuns, carregando conhecimentos secretos, magias ancestrais, curas, adivinhações, comércio, música, dança e forte ligação com a natureza.

Na interpretação espiritual da Jurema, o termo “cigano” amplia-se para “nômade”, ou seja, todos os povos que caminham, atravessam desertos, florestas, montanhas e fronteiras, levando consigo saberes mágicos, encantamentos e tradições espirituais antigas.

Por isso, a Linha do Oriente da Jurema não trabalha apenas com os povos Romani europeus, mas engloba diversos povos nômades e encantados do Oriente Médio, Mediterrâneo, Norte da África, Península Ibérica e Ásia. É uma linha universalista dos caminhos, das caravanas espirituais e da magia do movimento.

Na Jurema Sagrada, a Linha do Oriente representa uma grande corrente espiritual formada por povos nômades, andarilhos, peregrinos, comerciantes, curadores, magos e encantados que atravessaram desertos, montanhas, mares e continentes levando conhecimentos espirituais, magias ancestrais e sabedorias ocultas.

O termo “cigano”, dentro da interpretação espiritual juremeira, ultrapassa a ideia de uma única etnia. Ele simboliza o espírito livre, o povo caminhante, o guardião das estradas visíveis e invisíveis. Assim, a Linha do Oriente acolhe não apenas os povos Romani, mas também diversos povos nômades do Oriente Médio, Mediterrâneo, Norte da África e Ásia.

Historicamente, muitos desses povos foram chamados de “intocáveis”, perseguidos ou marginalizados pelas sociedades fixas, justamente por viverem fora dos padrões comuns, carregando conhecimentos secretos, magias ancestrais, curas, adivinhações, comércio, música, dança e forte ligação com a natureza.

Na visão espiritual da Jurema:

* todo povo que viveu em travessia carrega mistérios;
* todo andarilho conhece os segredos dos caminhos;
* todo nômade aprende a ouvir os ventos, as estrelas e os sinais da terra;
* todo viajante espiritual torna-se conhecedor das passagens invisíveis.

Por isso, a Linha do Oriente é considerada uma linha universal dos caminhos espirituais, das caravanas encantadas e da magia do movimento.


O Significado da Palavra “Rom”

Na língua romani:

* Rom significa “homem”, “pessoa” ou “ser humano”;
* Roma significa “o povo”;
* Romani significa “povo humano” ou “povo livre”.

Espiritualmente, na Jurema, isso representa:

* o homem da estrada;
* o espírito livre;
* o guardião dos caminhos;
* o viajante entre mundos;
* o conhecedor das passagens espirituais;
* aquele que transforma a própria vida em travessia espiritual.

Assim, o cigano representa o povo da estrada, o encantado do movimento, o mestre da adaptação e o caminhante entre mundos.


A Linha do Oriente na Jurema Sagrada

Na Jurema, a Linha do Oriente é uma linha espiritual vasta, encantada e universalista, formada por:

* povos nômades;
* povos andarilhos;
* encantados do deserto;
* mestres orientais;
* magos;
* curadores;
* astrólogos;
* alquimistas;
* cartomantes;
* sábios antigos;
* guardiões dos segredos espirituais.

Ela incorpora espiritualmente:

* Povos Romani;
* Povos Dom;
* Povos Lom;
* Beduínos;
* Tuaregs;
* Persas;
* Árabes;
* Povos do Egito antigo;
* Povos mediterrâneos;
* Povos ibéricos;
* Encantados asiáticos;
* Mongóis;
* Povos da Rota da Seda;
* Monges errantes do Japão;
* Magos e sacerdotes itinerantes da China.

A Linha do Oriente trabalha diretamente com:

* abertura de caminhos;
* prosperidade;
* proteção espiritual;
* magia amorosa;
* cura energética;
* libertação espiritual;
* quebra de demandas;
* fortalecimento intuitivo;
* magnetismo espiritual;
* desenvolvimento mediúnico;
* movimento da vida;
* expansão espiritual.

É considerada uma das linhas mais misteriosas, magnéticas e encantadas da Jurema Sagrada.


Povos Romani (Ciganos Tradicionais)

Os Romani originaram-se do norte da Índia e espalharam-se pelo mundo formando diversos clãs e etnias.

Principais Etnias Romani

1. Kalderash

Originários da Romênia; famosos como ferreiros, caldeireiros e artesãos de metal.
Ligados espiritualmente ao fogo, ouro, transformação e prosperidade.

2. Lovara

Tradicionais comerciantes de cavalos e grandes viajantes.
Relacionados à dança, música, liberdade e magnetismo.

3. Sinti

Mais comuns na Alemanha, França e norte da Itália.
Guardiões das tradições orais e dos segredos espirituais antigos.

4. Manush (Manouches)

Ligados à música espiritual e ao jazz manouche.
Representam a vibração artística e emocional.

5. Romungro

Ciganos da Hungria ligados à música folclórica e à magia festiva.

6. Xoraxané (Horahane Roma)

Ciganos muçulmanos encontrados na Turquia e Bálcãs.
Relacionados aos mistérios islâmicos e à magia oriental.

7. Machvaya

Conhecidos pelos trabalhos agrícolas e metalúrgicos.

8. Gurbeti

Misturam tradições romani com culturas locais dos Bálcãs.

9. Lalleri

Grupo raro encontrado na Sérvia e Croácia.

10. Kalé (Kalo)

Da Península Ibérica e País de Gales.
No Brasil originaram os chamados Calon.

11. Calon

Vieram de Portugal e Espanha durante o período colonial brasileiro.
São os mais conhecidos na espiritualidade popular brasileira.

12. Romanichal

Ciganos ingleses ligados à vida itinerante e comercial.

13. Boyash (Rudari)

Ligados ao artesanato em madeira e aos conhecimentos da floresta.

14. Erli

Encontrados na Macedônia e Bulgária.

15. Zaragoza Roma

Pequeno grupo espanhol.

16. Sepečides

Conhecidos como “ciganos pescadores” do litoral grego e turco.


Povos Dom e Lom na Linha do Oriente

Além dos Romani, a Linha do Oriente também reconhece outros povos nômades ancestrais que carregam espiritualidade própria.

Esses povos muitas vezes não são etnicamente Romani, mas possuem cultura itinerante, tradição oral, magia popular e forte ligação com o movimento dos caminhos.


Povos Dom

Os Dom são povos nômades do Oriente Médio e norte da África.

Estão presentes em:

* Egito;
* Palestina;
* Síria;
* Líbano;
* Jordânia;
* Turquia;
* Irã;
* Iraque.

São conhecidos historicamente como:

* músicos;
* tocadores;
* encantadores;
* ferreiros;
* dançarinos;
* leitores de sorte;
* curadores populares;
* guardiões de tradições orais.

Exemplos de Povos Dom

Nawar (ou Nawar Dom)

Encontrados na Palestina, Jordânia e Síria.
Tradicionalmente músicos, dançarinos e ferreiros.

Ghawazi (Gawases)

Famosas dançarinas espirituais do Egito.
Ligadas à sensualidade ritualística, dança mística e magnetismo espiritual.

Halab Dom

Presentes na Síria e Turquia.
Relacionados às caravanas comerciais e artes mágicas populares.

Kurbat

Grupo nômade ligado ao artesanato, comércio e magia oral.

Na espiritualidade da Jurema, os povos Dom trazem:

* magia do deserto;
* mistérios lunares;
* encantamentos do fogo;
* danças ritualísticas;
* segredos do Egito antigo;
* espiritualidade das caravanas;
* mistérios das areias e do vento.



Povos Lom

Os Lom são povos antigos do Cáucaso e da Ásia Menor.

Encontram-se principalmente em:

* Armênia;
* Geórgia;
* Azerbaijão;
* Turquia;
* regiões próximas à Pérsia.

Exemplos de Povos Lom

Bosha

Grupo Lom da Armênia ligado ao artesanato e música tradicional.

Posha

Encontrados na Turquia e Cáucaso.
Conhecidos como comerciantes e trabalhadores itinerantes.

Lomavtik

Subgrupo tradicional ligado à preservação da língua e cultura ancestral Lom.

Espiritualmente, os Lom carregam:

* sabedoria antiga;
* magia de montanhas;
* mistérios persas;
* espiritualidade do silêncio;
* conhecimento dos metais e pedras;
* mistérios ancestrais da Ásia Menor.


Povos Nômades do Oriente Médio e Norte da África

A Linha do Oriente também incorpora espiritualmente:

* Beduínos;
* Tuaregs;
* Gawases;
* Salenys;
* Nawas;
* Encantados do Saara;
* Povos do Egito Antigo;
* Povos Persas;
* Povos Mediterrâneos.

Esses povos carregam energias espirituais relacionadas:

* ao vento;
* às estrelas;
* ao deserto;
* ao fogo;
* à areia;
* às caravanas;
* aos portais espirituais;
* aos mistérios da noite;
* à travessia espiritual dos desertos.


Povos Nômades e Espirituais da Ásia

A Linha do Oriente também incorpora espiritualmente povos asiáticos itinerantes e tradições místicas orientais ligadas aos caminhos espirituais.

Embora nem todos sejam “ciganos” etnicamente, são reconhecidos espiritualmente como povos de travessia, sabedoria e espiritualidade errante.


Povos Espirituais da China

Wu

Antigos magos e sacerdotes itinerantes chineses ligados:

* à cura;
* astrologia;
* alquimia;
* invocação espiritual;
* leitura energética;
* comunicação com ancestrais.

Povos Mercadores da Rota da Seda

Caravanas que atravessavam:

* China;
* Tibete;
* Mongólia;
* Índia;
* Pérsia.

Levavam:

* seda;
* especiarias;
* pedras;
* metais;
* conhecimentos espirituais;
* astrologia;
* magia oriental.

Povos Mongóis Nômades

Ligados às estepes asiáticas e ao culto do céu, vento e ancestrais.

Espiritualmente representam:

* liberdade;
* força espiritual;
* expansão;
* resistência;
* domínio dos caminhos.


Povos Espirituais do Japão

Yamabushi

Monges andarilhos das montanhas japonesas.

Ligados:

* ao xamanismo;
* às montanhas sagradas;
* aos espíritos da natureza;
* ao ascetismo espiritual;
* aos caminhos invisíveis.

Na Linha do Oriente representam os guardiões silenciosos da sabedoria.


Komusō

Monges errantes japoneses que caminhavam tocando shakuhachi (flauta espiritual).

Simbolizam:

* desapego;
* meditação;
* invisibilidade espiritual;
* conexão com o sopro divino;
* transcendência espiritual.


Sanka

Antigo povo itinerante japonês associado às florestas e rios.

Ligados:

* à sobrevivência nômade;
* aos conhecimentos secretos da natureza;
* aos caminhos das águas e das matas.



Povos espirituais da Linha do Oriente

1. Ciganos Árabes

Ligados aos desertos, perfumes, mirras, especiarias e magia ancestral oriental.

2. Ciganos Ibéricos

Vindos de Portugal e Espanha.
Fortes na dança, música, amor e proteção familiar.

3. Ciganos Europeus

Guardiões das tradições Romani clássicas.

4. Ciganos Latinos

Misturam espiritualidade cigana com culturas latino-americanas.

5. Ciganos Expurgos

Espíritos andarilhos não pertencentes às etnias tradicionais, mas acolhidos pela Linha do Oriente.

6. Ciganos Reais

Ligados às antigas cortes, ouro, prosperidade e liderança espiritual.

7. Ciganos Asiáticos

Conectados aos mistérios da Índia, China, Japão, Mongólia, Pérsia e Oriente antigo.


Clãs Ciganos Espirituais da Jurema

Ciganos Dourados

Trabalham riqueza, brilho espiritual e prosperidade.

Ciganos do Amor

Atuam nos sentimentos, união, magnetismo e autoestima.

Ciganos de Cura

Ligados às ervas, benzimentos, energias e equilíbrio espiritual.

Ciganos da Sorte

Movimentam caminhos financeiros e oportunidades.

Ciganos Andarilhos

Guardiões das estradas físicas e espirituais.

Ciganos Guardiões

Protegem pessoas, casas e terreiros.

Ciganos Beduínos e Tuaregs

Ligados ao deserto, resistência espiritual e mistérios antigos.

Ciganos Persas

Relacionados à magia refinada, perfumes, alquimia e espiritualidade oriental.

Ciganos Encantados

Espíritos elevados ligados às cidades encantadas e aos reinos invisíveis.


As Magias da Linha do Oriente

A magia cigana e oriental dentro da Jurema é profundamente simbólica, elemental e encantatória.

Ela trabalha com:

* fogo;
* areia;
* velas;
* moedas;
* punhais;
* taças;
* lenços;
* cartas;
* cristais;
* ervas;
* perfumes;
* flores;
* joias;
* espelhos;
* tecidos coloridos;
* danças;
* músicas;
* luas;
* estrelas;
* metais;
* incensos;
* pedras;
* elementos da natureza.

Principais Trabalhos Espirituais

* abertura de caminhos;
* prosperidade;
* magia amorosa;
* fortalecimento pessoal;
* limpeza espiritual;
* quebra de inveja;
* proteção de viagens;
* desenvolvimento intuitivo;
* encantamento energético;
* cura emocional;
* magnetismo espiritual;
* libertação de demandas;
* fortalecimento mediúnico;
* expansão espiritual.


O Verdadeiro Sentido Espiritual do Cigano

Na Jurema Sagrada, o cigano não representa apenas um povo.
Ele representa um arquétipo espiritual universal.

Representa:

* o homem da estrada;
* o guardião dos caminhos;
* o viajante entre mundos;
* o povo do movimento;
* o espírito livre;
* o encantado das caravanas;
* o conhecedor dos mistérios da terra;
* o mestre da adaptação;
* o caminhante espiritual.

A Linha do Oriente ensina que a vida é uma travessia.
E todo verdadeiro caminhante carrega consigo um pouco da essência cigana: a busca, a liberdade, a fé nos caminhos e o conhecimento adquirido na estrada da existência.


Por Pai Luzenildo (Juremeiro).

sábado, 23 de maio de 2026

sapatão origem

ORIGEM DO VODUN SAKPATÁ 

A origem deste vodun no Benim, se perde um pouco devido a um pertencimento ilusório de alguns informantes e sacerdotes locais. Em um ato de legitimação, criam histórias de uma origem local ou confundindo a origem real com fatos embutidos para ainda sim não assumirem certas informações. O problema disto é que com o tempo, cada omissão e criação acaba se tornando uma verdade mentirosa aos seus descendentes.

A presença de Sakpatá no reino do Danxonme é anterior à chegada de Fá (Ifá), este que foi introduzido no início do rei Agaja em 1715 pelo Babalawo Adẹbẹọlo, vindo de Ifẹ́ (Yorubalândia). No entanto, o culto a Sakpata já estava presente entre os Igbo no reino de Idăca (Idasha), na região de Collinas, pelo menos desde o final do séc. XVII. O culto foi instalado lá durante o movimento migratório dos Ọmọ Jagun da etnia Egba, vindos de uma vila de Abeokuta, sob o comando um caçador chamado Ase, dirigindo a comitiva do príncipe Olofin e toda sua família que tinha perdido o reino. Após um longo período na cidade de Ketu, eles se estabeleceram entre as 41 colinas de Dasa Zunmɛ, onde fundaram a vila Ɛgba Kɔ Ku (Ẹgba não está morto) em memória de sua terra natal. Então, esses Ọmọ Jagun continuaram viagem, assim chegando no atual Togo nas cidades de Atakpamɛ e Alejo. Eles saíram da Yorubalândia sem seus Orisa, entre eles eram: Ogun, Ibeji, uma classe de Orisa defeituosos e Sapannan que, após a instalação em Dasa Zunmɛ, passaram a ser chamados de Gu ou Ogu, Xoxo, Tɔxɔsu e Sakpata. Assim começaram as iniciações a Sakpata em Dasa Zunmɛ.
No início do séc.XVIII, muitos adeptos de Sakpata foram capturados pelas tropas do rei Akaba, por volta de 1702. Foram levados ao palácio real e foram obrigados a se curvarem ao rei, mas, em uma atitude inusitada, eles se recusaram a se curvar. Um deles que era sacerdote, explicou que só poderiam se curvar ao Mestre da Terra, que só Sakpata merecia tal honra e que tal ato poderia invocar a divindade. Akaba, prontamente, ameaçou-os de decapitação, eles aceitaram se curvarem, porém avisaram que tal ato poderia trazer desgraça ao rei e ao reino. Alguns meses após isto, coincidentemente ou não, uma epidemia arrasou a capital, levando a um problema de comida para o povo e enfraquecendo a moral do povo, além disto, as tropas. Akaba agora tinha uma revolta interna que chamaria atenção de seus inimigos. Em 1708, o rei Akaba morre na linha de frente de suas tropas em Lisɛzun, em um confronto para defender a capital dos Wemɛnu. Na hora da preparação de seu corpo para os ritos funerários, os sacerdotes perceberam que o rei estava tomado de pústulas de varíola (Axɔsukpa). Assim, um boato ganhou muita força sobre que o rei havia morrido de varíola do misterioso e poderoso Vodun dos Idăca (Idasha). Visto as feridas no corpo do rei, enviados reais foram no templo de Sakpata, no país dos Idaaca (Idasha), para saber quais rituais e providências deveriam ser tomadas para o enterro do rei Akaba. Mas isto tudo seria feito em segredo porque quase ninguém sabia da morte do rei e menos ainda da causa de morte. Então foi quando Tasi Hangbe, irmã gêmea de Akaba, foi escolhida para assumir o comando do fronte quando os Wemɛnu (moradores do rio Wemɛ). Após a guerra, Tasi Hangbe assumiu o trono por 3 anos como rainha-regente. Foi durante sua regência que ela trouxe e instalou o culto de Sakpata no Abomey (Glɛnxwe) pelas mãos de Micayi, filho do sacerdote do país Idăca que o Sakpata foi instalado na capital do reino. Assim começou a propagação e fama do Vodun Sakpata que saiu de Dasa Zunmɛ para a capital, ganhando o centro e sul no atual Benim, como em toda região costeira do atual Benim. A sua aceitação no Abomey nunca foi fácil já que não era um Vodun de origem Aja, ou seja, de origem real. Pelos títulos que Sakpata carregava, como: Ayinɔ (Senhor da terra), Ɖɔkunɔ (Possuidor e distribuidor das riquezas da terra) Jɛxɔsu (Rei das pérolas) e ainda era exigido que as pessoas se curvassem a ele, um grande questionamento sobre poder foi posto em debate na corte, um deles era que Sakpata, um vodun estrangeiro, não poderia ser maior que um rei local.

Tradução e adaptação: Zòdăví (Raphael Mesquita de Oliveira)

CEV - Centro de Estudos Vodun

Fávodúnhwɛ̌ɖo - Comunidade religiosa da tradição dos voduns de Fá.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

malícia

A Magia do Apejé (folha do esquecimento) também chamada de dormideira, sensitiva, malícia, maria-fecha-a-porta, etc...

Erva atribuída a Exu, Oyá, Iyewá e Oxun, a depender do nome com que se invoca e a finalidade do trabalho

Usada para amor, para vencer demandas, provocar transe mediúnico ou esquecer uma pessoa.

Aqui vai uma de suas utilidades:

Para esquecer uma pessoa:

Material:

Uma cuia de cabaça, ou de cuieiro um um alguidar de barro.
Bastante folhas de sentiva, somente as folhas. Ter cuidado que ela possui muitos espinhos
Água de rio, ou de poço ou, em último caso, água mineral
17 vezes o nome da pessoa em tiras de papel

Tome um banho de sabão de côco 
Se vista de roupa clara
Acenda uma vela para seu anjo de guarda, num lugar alto e com um copo d’água ao lado
Se sente no chão 
Peça a ajuda de Oyá 
Vá amassando a folha na água com 17 tiras de papel com o nome de quem você quer esquecer

Recite o seguinte

Fulano
O vento te trouxe
O vento te leva
O vento te leva para as águas do mar
Onde as sete pancadas da ventania,
As sete pancadas das ondas
As sete badaladas das sete horas
Estão a fazer teu juízo tremer
E você de Fulano esquecer
O vento se foi
Ficou a calmaria
Pai Nosso 
Ave Maria 
Não lembro da minha agonia

Salve Iyansã
Salve os mistérios do mar
Toma lá, não trás cá 

Amém 

(*) fora a pessoa que está querendo esquecer, ou que alguém a esqueça, só quem pode fazer esse trabalho por ela é a mãe. Não compre carma alheio.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Agué

Da página, Ìkóòdídé

Agué é o vòdún relacionado as matas e a tudo que nela existe. É assimilado ao orixá Ossaim dos yorubás porém, ao contrário dessa divindade, Agué está ligado ao nosso cotidiano, sendo um vòdún responsável pela alimentação, caça e cultivo das plantas. O correto ao comparar Águé com algum orixá seria, dizer que Agué une o poder de Ossaim com a responsabilidade de Oxóssi. Ele é responsável pela fauna e flora e, é cultuado após Gun (Ogun) nos dias de festa. Agué é o senhor de todas as folhas, estando atribuído a ele, o domínio das mesmas e seu cultivo, desde o arar da terra, o adubo e o plantio. Usa Arco e flecha assim como Oxóssi dos yorubas, sendo um grande caçador e, dentro da cultura jeje, o responsável pelo alimento de cada dia. Todas as sementes, folhas, caules, raízes, flores, etc, pretencem a Agué, sendo ele o guardião de toda a flora. Tem domínio também sobre todos os animais da floresta, aqueles que vivem e se alimentam na mesma, sendo responsável pela proteção desses animais, combatendo a caça ilegal e quem os maltrata juntamente com Àgàngà Òtòlú. É filho de Nanã e, com ela aprendeu o domínio sobre os mortos, tendo muita ligação com íkú e seus mistérios. Conhecedor de alta magia, Agué não teme íkú nem as terríveis íyámí òsóròngá, possuindo extremos laços com ambas energias. Águé ensinou para todos os seres humanos como cultivar as plantas e principalmente como utilizar as ervas medicinais. Para os mais velhos, Agué é o único vòdún que realmente é cultuado dentro do templo, sendo os demais cultuados em átínsás – as árvores sagradas. Não se inicia ninguém sem a interceção de Águé. Todas as ervas são de seu domínio mas, em particular, o Pèlègún simboliza a força desse vòdún, usando-o para controlar ou afastar os ègúns, sendo este um de seus mais preciosos átínsás. Pertence a família da terra e com certeza é o vòdún que melhor representa o poder de Àíkúgúmàn (terra), deixando bem claro a importancia da terra para a existência de todo ser vivo. Águé é a liturgia, a ancestralidade, a sabedoria, a herança e a hierarquia. É responsável pelo passar da cultura de pais para filhos, mantendo bem viva as lendas e o culto dos vòdúns, como toda tradição africana em geral. Muito coligado à seu irmão Íròkò ou Lòkò e a Sákpátá. Seu dia da semana é a terça ou quinta-feira, sua cor o branco mesclado com o verde e também o amarelo, seu elemento a terra e o ar e sua saudação Áhò gbò gbòy Águé ou Águé beno beno.

Djeje Mahin
🍂🌿

sexta-feira, 27 de junho de 2025

porões da jurema

Desci aos porões

Todo consagrado desce aos porões 
Não por ser ruim
Não porque pecou
Não porque fez o mal
Porão não é umbral 
Nem inferno
Tão pouco purgatório 
Porão é um lugar onde se deixa o mundo de cá, para entrar, de vez no mundo de lá 
O povo diz: desse mundo não se leva nada
Se leva sim
Leva as mágoas 
As dores
As ilusões 
As decepções
As saudades
Os apegos 
Os saberes deste mundo de cá 
Quanto tempo se fica no Porão?
Depende
As vezes é difícil deixar cair o passado
No Porão tem Mestre bom pra ajudar 
Eles sugam o que você não vai precisar na nova vida
O próprio Porão suga
Mesmo àqueles que se identificam com o Porão, passam por isso 
Uma hora ele se liberta do mundo de cá 
Ele sobe num suspiro
Ele ganha as permissões 
Daí 
Se o Porão for sua preferência, nos invisíveis 
Ele desce para ele 
Ele vai trabalhar na pesada esquerda
Ele vai cantarolar 

Esquerda pesada 
Tu és tão profunda
Eu só gosto da esquerda 
Porque abala o mundo

*Em memória de todos os mais velhos, pessoas simples, humildes, mas ricas de saberes e Ciência 

Marcelo

Salve Boi Tungão, esquerda da minha família